sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Sporting vs Vitória - onde está o espaço de progressão?

 



Sobre as dificuldades do Sporting perante a boa pressão do Vitória, mostro vários lances que mostram dificuldade em identificar espaço/homem livre 

- Não jogar entre avançados e médios adversários 

- Não procurar lateral esquerdo sozinho no lado contrário da pressão 

- Passe que impede progressão

Uns lances são mais óbvios que outros. Parece que o Sporting tentou diminuir o risco e prolongar os ataques e isso levou a procurar constantemente linhas recuadas quando a vantagem era outra. Rui Silva e centrais receberam bolas que poderiam ter outro destino.

Os jogadores não pareceram confortáveis e talvez devido ao empate na Amadora tentaram quase sempre prolongar a posse. Acabou por ser um daqueles casos em que para ter a bola, e porque o adversário pressionava alto, o espaço nem sempre estava atrás

3 exemplos de jogar no espaço entre as duas linhas mais adiantadas do Vitória e outro onde a bola podia andar lá. Sem fazer uso deste espaço o Sporting não aproveitou o posicionamento mais baixo e central do ala contrário do Vitória para progredir e deu-se à pressão







A questão do paragráfo anterior fica mais evidente nestes lances. Doumbia tem Maxi do lado contrário livre e com espaço mas procura centrais que acabam pressionados e também a jogar em Rui Silva + jogo longo. O controlo do jogo também aqui se perde.




Dois exemplos de passes que poderiam assegurar progressão no meio-campo defensivo: Doumbia para os pés de Flávio G quando pode colocar ligeiramente na frente e Altimira novamente com FG solto procura passe + "seguro" à largura em Maxi.




Por último uma situação menos óbvia mas que mostra a tendência nas escolhas de quem tem a bola. Fresneda com hipótese de fazer passe para dentro existindo ligação ao meio-campo ofensivo, joga para trás, onde o Vitória tem condições para pressionar e bola acaba em Rui Silva








quinta-feira, 30 de julho de 2026

Posicionamento defensivo individual

 



Três situações sobre defender as costas com adversário com bola entre linhas: controlo de desmarcação e como rapidamente enquadrar com quem recebe bola em condições de desiquilibrar

1. Em contra-ataque, Dahl junta ao colega para impedir passe interior mas não controla desmarcação nas suas costas Alternativa: continuar corrida e ficar de frente para adversário e controlar movimentação.



2. Aqui com a linha de passe + periogosa à sua direita, Stanic roda na direcção contrária e fica de frente para Pavlidis (recorrente nos defesas). Chega tarde à pressão e Rafa faz golo



3. Exemplo semelhante ao anterior mas aqui Bah roda na direcção da baliza e consegue colocar-se entre o adversário e a bola. Acaba por interceptar passe








quarta-feira, 22 de julho de 2026

Argentina vs Inglaterra - como atacar bloco baixo

Como Argentina em desvantagem atacou o bloco baixo de Inglaterra:


- Posses relativamente longas e pacientes conjugadas com movimentos de ruptura dos extremos e laterais que empurraram a Inglaterra para trás

- Circulação com dinâmicas diferentes à esquerda e direita

- Colocar Messi de frente para a linha média adversária de forma a dirigir jogo - Atrair conjunto de adversários e aproveitar espaço de definição noutra zona (corredor central - espaço interior ou espaço interior largura) - Atacar através cruzamentos com 4 a finalizar na área

3 dos caminhos mais utilizados: - Fazer bola ir da direita à esquerda, voltar ao meio e encontrar Messi a fazer passe nas costas da defesa para lado contrário





- Atrair adversários no corredor central para médio cruzar no espaço interior com tempo e espaço







- Fixar o lateral inglês em zona interior para o lateral inglês e existir espaço e boas condições no cruzamento à largura Nota para a péssima defesa de cruzamento da Inglaterra cujo exemplo mais definidor aconteceu no 2º golo argentino



Video completo aqui















segunda-feira, 13 de julho de 2026

Os primeiros golos sofridos pelo Benfica 26/27

 Os dos golos sofridos pelo SLB vs FLA tiveram a mesma origem: saída a 3 do FLA perante o bloco médio benfiquista.

Benfica em 4x4x2 faz o ala do lado da bola avançar para pressionar e condicionar. No 1º golo corta a linha de passe para fora e convida à ligação por dentro que acontece. Adversário recebe entre linhas e roda para a baliza e cria uma situação de 2x1 contra Dahl. O sueco havia saltado ao homem livre (lateral adversário) no momento do passe interior e fica em desvantagem sem conseguir proteger o passe nas suas costas e é ultrapssado




O 2º golo tem semelhanças ainda que o Benfica modifique um pouco a aobrdagem. Kaminski fecha linha de passe mas não salta a pressionar como Presitianni. Quando sai o passe entre linhas , José Neto (lateral) marca por dentro o ala adversário mas bola chega ao lateral.


Manu Silva é especialmente infeliz: não pressiona o passe interior de forma efectiva nem acompanha a desmarcação em ruptura do Lino que cruza sem grande oposição










Embora ao longo dos anos tenha mostrado flexibilidade na Premier League, as equipas de Marco Silva optaram muitas vezes por defender em bloco médio tendo espaço nas suas costas para proteger. A 1ª abordagem não foi a melhor






quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

O bloco baixo do Newcastle e as dificuldades do Manchester City

O Newcastle foi das equipas que mais dificuldades criou ao Manchester City nesta temporada, e vale a pena tentar perceber como impuseram a derrota aos comandados de Pep Guardiola.

Rafa Benitez montou um 5x4x1 em bloco médio baixo com as duas linhas muito compactas. Respondeu o City, inicialmente, com De Bruyne e Silva entre as duas linhas adversárias, com os laterais a a variarem posição, ora mais dentro junto a Fernandinho, ora mais à largura, nomeadamente Danilo à esquerda, com os extremos, Sterling e Sané abertos e relativamente profundos.



Quando a bola se encontrava no corredor central, os 4 homens do Newcastle fechavam o meio, sendo a prioridade a bola não entrar entre linhas. Bom comportamento zonal que, efectivamente impediu muitas vezes a bola de entrar nesse espaço.



Mesmo quando o City conseguia fazer o passe entre linhas (com o passar do tempo, Aguero ou Sterling juntaram-se várias vezes a Silva e De Bruyne naquele espaço), o Newcastle mostrou-se muito bem preparado para esse momento. Quer porque a linha de 3 (visível na imagem acima) fazia a cobertura ao médio que saia na bola, quer pelo adiantamento de um dos elementos da linha de 5, a pressão a quem recebia entre linhas acontecia sempre. Na imagem abaixo, Aguero é solicitado e Manchester City com 3 jogadores na mesma linha (Aguero, Sterling e Silva) mas adversário muito compacto não permite que argentino prossiga entre linhas. Esta é uma questão que o City tem vindo a enfrentar, e como veremos à frente, alterou na 2ª parte.




Apesar de especialmente competente a abordagem do Newcastle não foi especialmente nova frente ao City e a equipa tem a circulação de bola preparada para enganar o adversário, ainda assim na 1ª parte levou quase sempre a melhor o Newcastle. No lance abaixo, é possível ver como o City procura explorar constantemente as costas do extremo que pressiona muito dentro, sendo esta uma resposta às equipas que fecham o corredor central com muitos jogadores. À esquerda, Laporte conduz e joga em Danilo. O posicionamento fechado de Perez (extremo) dá algum espaço para conduzir ao brasileiro, Silva e Aguero entre linhas adiantam-se, puxam linha media do Newcastle e espaço para Fernandinho receber atrás, logo com Longsttof a sair na pressão e Atsu a permanecer muito dentro (3ª imagem), que sai à pressão quando Walker recebe e a bola entra em De Bruyne nas suas costas mas tem o acompanhamento de um central da linha de 5. O posicionamento de Walker não é inocente, serve para atrair extremo adversário e colocar a bola entre linhas mas o Newcastle mostrou-se muito bem preparado para esta situação. 







Não era de todo fácil mas faltou ao City, na minha opinião, jogadores com mobilidade que variasse posicionamento nos diferentes espaços que possibilitassem baralhar a marcação. Durante 45 minutos a circulação foi demasiado rígida com a habitual estrutura de 5 atrás (centrais + pivô + laterais), dois/três jogadores entre a linha média e defensiva e dois a assegurar largura. Faltou criar dúvida ao Newcastle, ainda que mesmo dentro da referida rigidez a equipa tenha uma variabilidade de soluções para chegar à baliza adversária assinalável.

O Newcastle ao longo de todo o jogo revelou igualmente competência na forma como defendeu no último terço, nomeadamente dentro da sua área. O lance abaixo começa como tantos outros na 1ª parte, condução de Laporte à entrada do meio-campo. Danilo recebe com um pouco de espaço à largura com o apoio  de Silva no espaço interior (aproveitando as costas do extremo, Perez, muito por dentro). Na 2ª imagem é possível ver como Sané avança e permite ao espanhol receber entre linhas, mesmo quando o lateral direito, Yedlin, salta na pressão. Na continuidade, Sané recebe a bola à largura mas é possível ver como toda a equipa do Newcastle recuou para as imediações da área, fazendo uma linha de 5 jogadores e outra de 4 preparada para situação de cruzamento. Muita gente a proteger a área, e em boas condições de responder a cruzamento, foi uma das imagens de competência com que o Newcastle se defendeu nesta partida.





Mudanças na 2ª parte


Se na primeira parte as oportunidades (e o golo) do City resultaram de ataques rápidos, e durante os primeiros 20 minutos, tiveram dificuldade em chegar ao último terço, a 2ª metade trouxe algumas alterações no posicionamento e dinâmica e a equipa de Pep Guardiola ficou mais perigosa.

A distribuição inicial manteve-se mas com os médios entre linhas (e o alas) mais adiantados, fazendo baixar a linha média do Newcastle, o que permitiu a Fernandinho e aos centrais mais espaço para conduzir a bola. Logo nos momentos iniciais é possível ver a diferença (em baixo). Com Sané a ir na ruptura para fixar defesa e depois a aparecer em zonas centrais, junto a De Bruyne que também procurou fazer movimento nas costas da defesa.







Na grande oportunidade para o City chegar ao 0-2, novamente médios muito adiantados a fazer baixar Newcastle, rápida definição entre linhas, potenciada por uma novidade, posicionamento mais central de Silva, próximo de De Bruyne fundamental para fazer bola seguir nesse espaço.





Na outra grande oportunidade para fazer o 0-2 é notória a estratégia do City para a 2ª parte, nomeadamente os movimentos em ruptura dos médios quando Fernandinho tem bola, que originam arrasto da linha defensiva e depois irá a De Bruyne mais tempo e espaço para enquadrar, e claro a aproximação de Silva a De Bruyne e ao corredor direito. Foi da ligação entre os dois médios, que existiu uma vez na 1ª parte e noutras condições, que o City conseguiu criar perigo.






Já com o jogo empatado o City dispôs de uma situação possibilitada pela preocupação em fixar os jogadores da última linha do Newcastle, de forma a não pressionar imediatamente o jogador que se encontrava entre linhas. Na maioria dos casos, Sane teve um papel importante no movimento em diagonal para não fazer sair os centrais mas aqui é o posicionamento de Aguero que permite Silva em dois toques assistir o argentino




Em desvantagem o City alterou a distribuição (já com Jesus em campo) mas a falta de discernimento de quem via o título fugir fez com que as mudanças não tivessem grande efeito.

Apesar de o jogo se ter desenrolado essencialmente nas bases descritas aqui, Newcastle em bloco baixo e muita posse de bola do City, a verdade é que os 3 golos surgiram de formas diferentes (ataque rápido o golo do City, na sequência de bola parada os do Newcastle, sendo o penalty resultado de uma pressão mais alta). No entanto, não deixa de ser interessante ver como a equipa de Rafa Benitez criou muitas dificuldades ao adversário, principalmente na 1ª parte, e a resposta do outro lado, muito mais efectiva na 2ª metade