quinta-feira, 3 de setembro de 2026

A pressão alta do FC Porto



Além das questões posicionais e respectivas dinâmicas abordadas abaixo, creio ser pertinente ressalvar o mais falado sobre o Porto defensivamente: disponibilidade para correr e capacidade nos duelos, aprimorada pelo contexto colectivo favoráve


- Muitas vezes parece um 4x4x2 bastante compacto. Pepê junta-se a André Silva na pressão na primeira linha, consequentemente o Zaidu/Martim Fernandes adianta-se e salta a pressionar e Kiwior abre posição para controlar extremo do seu lado e Rosário está entre marcar o seu adversário e a linha defensiva.

- Porto tem muitas referências individuais na marcação mas ao mesmo tempo a prioridade é conseguir impedir adversário de jogar e passes verticais. Portanto, há um ajuste constante da distância em relação ao oponente directo. Quem está mais longe da bola ocupa corredor central e impede jogo entre linhas

- Nos pontapés de baliza, tendência para Pepê saltar a pressionar GR e impedir passe para a esquerda.

- Se pivô adversário fica nas costas de Pepê e André Silva, Froholdt marca e William mais dentro

- André Silva salta ao central com bola à direita a condicionar passe para o meio, Froholdt e William em zona interior para evitar passes verticais.

- William é bastante agressivo e tem óptimo timing de pressão ao saltar apenas quando central faz o passe guardando assim distância interior para Froholdt

- Caso médio adversário fique mais à largura e lateral suba, Froholdt com bom timing salta a pressionar médio e William baixa para acompanhar a sua referência

- Linha defensiva atrás assume muitas vezes a igualdade numérica.

- Dado o risco assumido os médios são muito importantes: são eles quem acompanha as desmarcações vindas de trás para responder às bolas nas costas e garantem pela sua disponibilidade apoio na 2ª bola ao jogo directo frontal

- Jogadores muito rápidos a juntar na zona da bola nomeadamente quando há jogo mais longo do adversário

- Apesar da marcação individual o atacante faz passe curto, marcador segue a bola e continua a pressionar

- Confortáveis a passar de bloco médio para bloco alto. As dinâmicas mantêm-se: primeiro fechar corredor central, passe de central para lateral é momento para pressionar e devolução do passe momento para fazer subir equipa

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

O Benfica no meio-campo ofensivo

 


- Distribuição Dahl baixo, Prestianni à largura e Sudakov no espaço interior esquerdo. À direita Rafa mais dentro, Bah na largura e Barreiro uma especie de joker que tanto força ruptura como baixa até Enzo

- Circulação inicial é feita para juntar adversários, passe para trás até aos centrais que neste momento baixam. Atraem pressão e progressão através de passe vertical dos centrais entrelinhas ou Dahl como homem livre, pois é rápido a recuar e ficar próximo de Lenglet

- Quando bola vai à largura há a intenção de jogar dentro do bloco adversário

- Utilização de passe em diagonal para superar linhas com centrais a procurarem médio interior do lado oposto. O mesmo acontece mais à frente, entre linhas para mudar ângulo de ataque

- Quem recebe bola garante o mínimo de espaço porque faz movimento vai-vem - primeiro vai na frente e depois aproxima.

- Boa distinção entre quando passar e conduzir. Jogam em função da decisão do colega

- Quando quem recebe está pressionado nesta fase tem Enzo Barrenechea como referência para 3º homem. Bom timing a ficar livre e aproximar da zona da bola. Mesmo entre linhas quem recebe tem apoio.

 - Nos corredores laterais no último terço há quem faça ruptura entre central e lateral e arraste marcação. Portador da bola pode conduzir para dentro ou jogar com colega entre linhas - Lateral a chegar ao último terço à largura para cruzar de 1ª em 2x1 - Quando Pavlidis é apoio frontal alguém ocupa o seu espaço com movimento na frente.

 - Lateral a chegar ao último terço à largura para cruzar de 1ª em 2x1

–Quando Pavlidis é apoio frontal alguém ocupa o seu espaço com movimento na frente

- Estas dinâmicas fazem com que o Benfica consiga jogar dentro do bloco adversário e a partir daí desequilibrar a partir do espaço entre linhas no corredor central ou utilizar esse espaço para variar ângulo de ataque e chegar ao lado contrário para atacar a área

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Sporting vs Vitória - onde está o espaço de progressão?

 



Sobre as dificuldades do Sporting perante a boa pressão do Vitória, mostro vários lances que mostram dificuldade em identificar espaço/homem livre 

- Não jogar entre avançados e médios adversários 

- Não procurar lateral esquerdo sozinho no lado contrário da pressão 

- Passe que impede progressão

Uns lances são mais óbvios que outros. Parece que o Sporting tentou diminuir o risco e prolongar os ataques e isso levou a procurar constantemente linhas recuadas quando a vantagem era outra. Rui Silva e centrais receberam bolas que poderiam ter outro destino.

Os jogadores não pareceram confortáveis e talvez devido ao empate na Amadora tentaram quase sempre prolongar a posse. Acabou por ser um daqueles casos em que para ter a bola, e porque o adversário pressionava alto, o espaço nem sempre estava atrás

3 exemplos de jogar no espaço entre as duas linhas mais adiantadas do Vitória e outro onde a bola podia andar lá. Sem fazer uso deste espaço o Sporting não aproveitou o posicionamento mais baixo e central do ala contrário do Vitória para progredir e deu-se à pressão







A questão do paragráfo anterior fica mais evidente nestes lances. Doumbia tem Maxi do lado contrário livre e com espaço mas procura centrais que acabam pressionados e também a jogar em Rui Silva + jogo longo. O controlo do jogo também aqui se perde.




Dois exemplos de passes que poderiam assegurar progressão no meio-campo defensivo: Doumbia para os pés de Flávio G quando pode colocar ligeiramente na frente e Altimira novamente com FG solto procura passe + "seguro" à largura em Maxi.




Por último uma situação menos óbvia mas que mostra a tendência nas escolhas de quem tem a bola. Fresneda com hipótese de fazer passe para dentro existindo ligação ao meio-campo ofensivo, joga para trás, onde o Vitória tem condições para pressionar e bola acaba em Rui Silva








quinta-feira, 30 de julho de 2026

Posicionamento defensivo individual

 



Três situações sobre defender as costas com adversário com bola entre linhas: controlo de desmarcação e como rapidamente enquadrar com quem recebe bola em condições de desiquilibrar

1. Em contra-ataque, Dahl junta ao colega para impedir passe interior mas não controla desmarcação nas suas costas Alternativa: continuar corrida e ficar de frente para adversário e controlar movimentação.



2. Aqui com a linha de passe + periogosa à sua direita, Stanic roda na direcção contrária e fica de frente para Pavlidis (recorrente nos defesas). Chega tarde à pressão e Rafa faz golo



3. Exemplo semelhante ao anterior mas aqui Bah roda na direcção da baliza e consegue colocar-se entre o adversário e a bola. Acaba por interceptar passe








quarta-feira, 22 de julho de 2026

Argentina vs Inglaterra - como atacar bloco baixo

Como Argentina em desvantagem atacou o bloco baixo de Inglaterra:


- Posses relativamente longas e pacientes conjugadas com movimentos de ruptura dos extremos e laterais que empurraram a Inglaterra para trás

- Circulação com dinâmicas diferentes à esquerda e direita

- Colocar Messi de frente para a linha média adversária de forma a dirigir jogo - Atrair conjunto de adversários e aproveitar espaço de definição noutra zona (corredor central - espaço interior ou espaço interior largura) - Atacar através cruzamentos com 4 a finalizar na área

3 dos caminhos mais utilizados: - Fazer bola ir da direita à esquerda, voltar ao meio e encontrar Messi a fazer passe nas costas da defesa para lado contrário





- Atrair adversários no corredor central para médio cruzar no espaço interior com tempo e espaço







- Fixar o lateral inglês em zona interior para o lateral inglês e existir espaço e boas condições no cruzamento à largura Nota para a péssima defesa de cruzamento da Inglaterra cujo exemplo mais definidor aconteceu no 2º golo argentino



Video completo aqui















segunda-feira, 13 de julho de 2026

Os primeiros golos sofridos pelo Benfica 26/27

 Os dos golos sofridos pelo SLB vs FLA tiveram a mesma origem: saída a 3 do FLA perante o bloco médio benfiquista.

Benfica em 4x4x2 faz o ala do lado da bola avançar para pressionar e condicionar. No 1º golo corta a linha de passe para fora e convida à ligação por dentro que acontece. Adversário recebe entre linhas e roda para a baliza e cria uma situação de 2x1 contra Dahl. O sueco havia saltado ao homem livre (lateral adversário) no momento do passe interior e fica em desvantagem sem conseguir proteger o passe nas suas costas e é ultrapssado




O 2º golo tem semelhanças ainda que o Benfica modifique um pouco a aobrdagem. Kaminski fecha linha de passe mas não salta a pressionar como Presitianni. Quando sai o passe entre linhas , José Neto (lateral) marca por dentro o ala adversário mas bola chega ao lateral.


Manu Silva é especialmente infeliz: não pressiona o passe interior de forma efectiva nem acompanha a desmarcação em ruptura do Lino que cruza sem grande oposição










Embora ao longo dos anos tenha mostrado flexibilidade na Premier League, as equipas de Marco Silva optaram muitas vezes por defender em bloco médio tendo espaço nas suas costas para proteger. A 1ª abordagem não foi a melhor