quinta-feira, 26 de maio de 2016

Braga vs Porto - A diferença entre estar e aparecer




No passado domingo foram notórias as dificuldades do Porto em criar situações de perigo frente ao Braga na primeira parte no Jamor e principalmente em chegar ao último terço bracarense. Pese embora a interessante a forma como a equipa de Paulo Fonseca se apresentou defensivamente, creio que existem aspectos no ataque portista que merecem ser revistos por dificultarem a fluidez  na circulação de bola.

A principal questão prende-se com o posicionamento dos 4 jogadores da frente, Varela e Brahimi nas alas, Herrera e André Silva no meio. Desde fases precoces da construção, quando a bola se encontrava em zonas baixas, os atacantes procuravam zonas adiantadas. Com a bola nos centrais, ou nos dois médios (Sérgio Oliveira e Danilo) que dirigiam o jogo atrás, o Porto frequentemente tinha entre linhas além de Herrera e André Silva um dos alas, sendo que, o outro podia assegurar largura ainda que estivesse na mesma linha de profundidade (pontualmente também recuaram ligeiramente por dentro, mais Varela).

Movimentos a ameaçar a profundidade dos homens da frente, obrigando linha defensiva contrária a baixar, e  ocupação do espaço entre linhas são formas interessantes para tentar ultrapassar qualquer adversário, mas o que me parece questionável é o facto de os jogadores do Porto permanentemente estarem nesse espaço ao invés de aparecer. Como é possível ver na imagem abaixo, a bola está em Maxi e estão 3 jogadores portistas entre linhas com Brahimi do outro lado à largura mas na mesma linha de profundidade. Estar/ter presença constante entre linhas pode ser uma forma de atrair adversários, mas neste caso creio que colocou em causa a fluidez da circulação de bola



Os laterais do Porto num primeiro momento de construção, à entrada do meio-campo adversário onde o Braga começava a aparecer, os laterais do Porto não se projectavam muito. À esquerda com Brahimi essencialmente mais à largura, Layun ainda ensaiou inserir-se por dentro, deixando o argelino mais aberto. Sérgio Oliveira e Danilo inicialmente também se encontravam próximos dos centrais, em espaço interior ou no corredor central, ora com os colegas da frente entre linhas é natural que, como é possível ver na imagem, não existisse ninguém na zona entre os avançados e médios do Braga (foi Varela quem pontualmente por lá apareceu), restando neste caso a Maxi jogar nos centrais. Esta fase do jogo acabou por ser relativamente confortável para a linha média do Braga, pois sem jogadores do Porto à sua frente não teve de lidar com dúvida de posicionamento que pudesse surgir. 

Como é visível por esta imagem o adiantamento dos jogadores da frente deu poucas opções a quem tinha a bola nos corredores laterais e pretendia jogar por dentro. Na imagem Maxi através de passe, mas o mesmo foi visível quando Layun e Brahimi tentaram conduzir em direcção ao meio, vindo de fora. Com os da frente colados à linha defensiva, a linha média Bracarense quase só tinha de se preocupar com o homem da bola.

Neste contexto não seria um jogo fácil para Danilo e Sérgio Oliveira, mas ainda assim creio que poderiam ter feito melhor. A sua abrangência de espaços era grande e por isso mesmo teria sido importante após o auxílio em zonas mais baixas da construção que aparecessem próximos dos da frente (na imagem Sérgio Oliveira é lento a dar apoio a Maxi). Não foram especialmente intensos no sentido de percepcionarem o espaço livre já dentro do meio-campo do Braga, constituindo-se raramente como opções válidas para dar continuidade à circulação por trás.

Nota final para o critério com bola, não só de Danilo e Sérgio Oliveira como também da linha defensiva. É verdade que o Porto num primeiro momento de cada jogada era paciente e procurava circular à largura (ainda que por fora e em zonas baixas) mas não conseguindo logo aí progredir, somaram algumas precipitações forçando passes e situações onde a probabilidade de sucesso era questionável através de passes longos e aéreos (especialmente Sérgio Oliveira que assumiu algum protagonismo nesta fase nem sempre da melhor forma). Sendo que, obviamente o peso do jogo e a desvantagem também podem ajudar a explicar esta fase na partida do Porto

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Intensidade - O caso de William Carvalho




O lance que trago em video termina com o 3º golo do Sporting em Braga no passado fim-de-semana e é relativamente fácil de explicar. Luiz Carlos tenta mudança de corredor com passe à largura para lateral esquerdo que se inseria simultaneamente. João Mário acompanha e intercepta bola, imediatamente William Carvalho percebe o espaço entre linhas na transição defensiva do Braga ocupando esse espaço recebendo bola e depois procura Slimani nas costas da linha defensiva estando o desequilíbrio criado.

William Carvalho é tido como um jogador "lento" e "pouco intenso", que "joga parado". Daí a necessidade de definir o que é, ou pode ser, intensidade em futebol. No caso concreto, quando João Mário recupera a bola, William é o primeiro a perceber o espaço vazio e no timming correcto desloca-se dando opção ao colega para passe vertical. A rapidez com que percepcionou o lance permitiu-lhe não só ser o primeiro a chegar como ter mais espaço e tempo para definir a jogada (nota para a preocupação em receber bola já de frente para a baliza bracarense).

Certamente existem jogadores velozes e "intensos" no sentido tradicional do termo que ganham vantagem por isso. Mas, no meu entendimento, será um erro menosprezar a intensidade que se manifesta na percepção do espaço a ocupar, principalmente quem o faz no timming adequado, porque para este tipo de jogador mais que a velocidade de deslocamento interessa o momento e as condições em que recebem a bola, sendo nestas circunstâncias que ganham vantagem.

William Carvalho, apesar dos altos e baixos deste ano, parece-me estar neste lote de jogadores, e se a isto juntarmos o critério que revela quando tem bola nomeadamente a variabilidade  de linhas de passe que procura com a melhoria em transição defensiva notória nesta última época, é justo dizer-se que estamos perante um pivô de topo do futebol europeu

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Benfica vs Bayern Munique - As mudanças de Guardiola




Dadas as dificuldades na primeira mão, seria expectável que o treinador espanhol mudasse qualquer coisa para o jogo da Luz. A entrada de Xabi Alonso abdicando de Lewandowski anunciou mexidas na disposição dos alemães.

Para contrariar a pressão do Benfica, o Bayern com bola apresentou-se com uma linha de 4 defesas, onde os laterais Alaba e Lahm não se projectavam muito, Alonso como pivô e, ao contrário do que sucedeu na primeira mão, Thiago e Vidal constantemente entre linhas com Muller, avançado, o mais profundo possível, sendo que, tal como em Munique eram Douglas Costa e Ribery que asseguravam largura.

Os laterais baixos fizeram com que os extremos do Benfica, Sálvio e Carcela, se adiantassem na pressão, por vezes já bem dentro do meio-campo contrário. Ora, com Thiago e Vidal entrelinhas e mais adiantados, a equipa do Benfica por vezes teve dificuldade em permanecer compacta, com Sanches e Fejsa na dúvida se haveriam de assegurar cobertura aos extremos ou permanecer baixos e mais perto da linha defensiva com os médios bávaros. 

Preocupação constante do Bayern em ter jogadores a ameaçar profundidade, nomeadamente Vidal a juntar-se várias vezes a Muller em movimentos verticais. Nem sempre, aliás nem foi predominante, procuravam o passe para as costas da linha defensiva mas este movimento tinha como objectivo fazer baixar os defesas do Benfica. Nota para o facto, de em alternativa também Lahm e Alaba aparecem por dentro no espaço entre linhas, fazendo a equipa o respectivo ajuste, nomeadamente Vidal e Thiago, que nesses momentos podiam ficar como apoios mais recuados

Ainda que a disposição em campo fosse diferente quando em comparação com a primeira mão, o objectivo da circulação de bola do Bayern permaneceu a mesma, dar condições favoráveis aos extremos para progredirem com bola. Na minha opinião, a diferença residiu além da dúvida criada aos dois médios encarnados e à constante profundidade, também na forma como principalmente do lado direito alemão o posicionamento alemão permitiu a Douglas Costa receber com espaço. Com o decorrer da primeira parte, Lahm assumiu posições cada vez mais interiores tentando fixar Carcela, e por outro lado pareceu existir preocupação de algum jogador do Bayern (frequentemente Muller) ocupar espaço interior direito tendo como objectivo fixar Eliseu e retardar naturalmente a sua basculação para chegar até Douglas que dava largura. Portanto, com esta disposição, o brasileiro quando recebia passe mais longo de Alonso ou Kimmich tinha espaço para avançar e também é por aqui que se explica o facto de Bayern ter chegado mais vezes ao último terço. Nota para o facto de com Douglas Costa à largura, várias vezes Lahm apareceu na ruptura em espaço interior, sendo o lance do golo o melhor exemplo, com o Benfica a ter dificuldade nas coberturas quando isto acontecia. À esquerda, Alaba essencialmente como apoio recuado junto dos centrais, mas também com capacidade para se adiantar no espaço entre linhas e a arrastar marcações.

Naturalmente o Benfica teve dificuldades para controlar a estratégia adversária. A procura de profundidade fez baixar a linha defensiva várias vezes e a equipa nem sempre foi compacta neste aspecto. Tendo o Bayern maior presença entre linhas e em zonas mais adiantadas a baralhar as marcações, o Benfica não evitou que a bola fosse de fora para o meio por dentro do bloco adversário (Sanches e Fejsa na primeira mão estiveram muito bem nas coberturas aos extremos, mas com adiantamento de Vidal e Thiago na Luz e uma ou outra falha de concentração as coisas foram diferentes). Guardiola na conferência de imprensa referiu que gostou bastante do ajustamento a 4 da linha defensiva. De facto, com o Bayern a chegar várias vezes ao último terço em situação de cruzamento a resposta dos defesas encarnados (colectiva e individual) é digna de registo

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Bayern Munique vs Benfica - Defender no meio-campo defensivo

Na antevisão do jogo da primeira mão, Guardiola disse sobre o Benfica "defendem 20 metros longe da sua baliza". Tal como previsto em vários momentos da partida na Alemanha, os encarnados apresentaram-se defensivamente em 4x4x2 com o bloco médio e linhas muito compactas.

No final da partida, Guardiola voltou a falar sobre o Benfica "é uma equipa que não deixa espaço entre linhas, é complicado fazer golos". Talvez por isso, o Bayern tentou fazer circular a bola à largura, procurando constantemente rápidas variações de corredor, principalmente na primeira parte. A forma como os jogadores se distribuíram em campo, apesar de não ser novidade nos alemães, não deixa de trazer inovação ao jogo. Com o Benfica em bloco médio, o Bayern respondeu com Alaba e Kimmich (centrais) e Bernat lateral-esquerdo inicialmente pouco subido e na mesma linha dos centrais, com 3 jogadores permanentemente fora do bloco encarnado, Thiago mais no espaço interior esquerdo, Vidal no meio e Lahm que apesar de ser lateral juntava-se aos colegas em espaço interior à direita. Ribery e Douglas Costa eram os extremos que asseguravam largura com Muller e Lewandowski no meio entre as duas linhas encarnadas. A disposição pode ser vista na imagem seguinte

Partindo da premissa enunciada por Guardiola no parágrafo anterior, o Bayern na primeira parte procurou circular a bola com alguma paciência em zonas baixas, através da linha defensiva e dos 3 médios, tendo como objectivo criar situações favoráveis de desequilíbrio para os extremos. Nestas circunstâncias raramente jogou entre linhas e mesmo aí, dada a falta de inserção dos médios Lewandowski e Muller acabaram por procurar colegas à largura. Com efeito, nos primeiros 45 minutos Vidal e Thiago só se adiantaram quando a bola entrava no último terço à largura (normalmente em Douglas Costa ou Ribery) e a possibilidade de cruzamento era elevada (referência óbvia para o lance do primeiro golo.) Pontualmente Bernat também se adiantou auxiliando Douglas Costa.

O Benfica manteve o bloco médio tendo como principal prioridade evitar o tal jogo entre linhas, colocou muita gente no corredor central. Sabendo que o Bayern iria mudar de corredor através de passes longos para os extremos seria importante as ajudas aos laterais para evitar situações de 1x1. Pizzi ou Gaitan seriam as prioridades no auxílio a André Almeida e Eliseu mas quando estes não estiveram presentes, Fejsa e Renato Sanches deram uma boa resposta basculando e assegurando apoio. Se à direita Pizzi esteve quase sempre próximo de André Almeida, à esquerda Gaitan em alguns lances adiantou-se pois passou a ter como referência o posicionamento de Lahm e quando a bola chegava a Douglas Costa o argentino encontrava-se longe e incapaz de auxiliar Eliseu. A linha defensiva do Benfica teve naturalmente uma postura conservadora. Bom controlo da profundidade, e à mínima ameaça recuavam, nomeadamente quando a bola entrava em Ribery ou Douglas Costa, tentando dar tempo aos restantes colegas para se juntarem. Centrais só saiam do meio em última necessidade, deixando as coberturas aos laterais para outros.

A segunda parte começou com uma ligeira mexida no Bayern que nos primeiros minutos colocou algumas dificuldades ao Benfica. Thiago e Lahm começaram a inserir-se entre linhas (à vez) numa fase mais precoce da construção, o que criou dúvidas à linha média do Benfica fazendo com que recuassem mais cedo. Nesta fase, o Bayern procurou menos as variações de corredor para extremo do lado oposto, e mais lances de envolvimento ainda que sempre a fazer uso da largura. Os primeiros 10 minutos da segunda parte foi talvez o período de maior domínio alemão, ao obrigar a linha média e defensiva do Benfica a recuar devido à inserção dos médios, o Bayern dificultou a transição ofensiva encarnada.

Nos últimos 20 minutos, e depois de um período de maior equilíbrio, o Bayern teve maior espaço, talvez pelo natural desgaste que assolou o Benfica. Com o jogo mais partido, tentando os encarnados manter mais tempo a bola, e ao contrário do que aconteceu nos primeiros 70 minutos, o Bayern conseguiu verticalizar o jogo logo após a recuperação de bola. Novamente importância da largura concedida pelos extremos (até porque serviram de referência) e lances que acabaram em cruzamento. Nesta fase o Benfica defendeu várias vezes somente com 5/6 jogadores, ainda que quase sempre muito próximos uns dos outros à largura. Linha defensiva manteve naturalmente o comportamento defensivo conservador recuando à medida que os alemães avançavam.

Nota final para fazer referência à pressão alta do Benfica em algumas saídas do Bayern. Não é o objectivo deste post analisar esse momento do jogo mas é possível dizer que foi por aí que os encarnados conseguiram uma das suas melhores oportunidades de golo (remate de Jonas para defesa de Neur) mas também foi depois de uma situação de pressão no meio-campo adversário que o Bayern chegou ao golo

quinta-feira, 24 de março de 2016

Tottenham - Posse larga/Jogo directo vs Bournmouth




O Tottenham de Pochettino é normalmente associado a um futebol que privilegia a posse de bola e o passe mais curto. Daí ter sido especialmente interessante a estratégia utilizada frente ao Bournmouth no seu último jogo, ainda que não tenha sido situação única.

Pochettino apresentou o habitual 4x2x3x1 com Dier e Dembélé (duplo-pivô) atrás de Eriksen , Alli  e Lamela (esquerda, meio e direita respectivamente) com Kane como ponta de lança. No inicio da construção um dos médios defensivos (essencialmente Dier) tende a baixar para junto dos centrais, formando uma linha de 3 a toda a largura do campo em zona baixa. Consequentemente os laterais (Walker à direita e Rose à esquerda) projectam-se bastante conferindo largura ao ataque, não sendo raras as vezes que se encontram bem dentro do meio-campo adversário quando a primeira linha tem bola em zona recuada.

O Bournmouth apresentou-se com duas linhas de 4 tendencialmente compactas, sendo pelo menos numa fase inicial complicado ao Tottenham jogar dentro do bloco adversário. Os spurs como consequência ao recuo de um médio, projectavam os laterais muito cedo. Lamela e Eriksen mesmo com a bola nos jogadores de trás já se encontravam em espaço interior/no corredor central. Dada a forma de defender do Bournmouth quem dirigia o jogo por trás dos spurs raramente conseguiu (como em outras ocasiões e que até originou o 2º golo) um passe vertical para o espaço entre linhas, no entanto, o posicionamento interior de Lamela (assim como o dos colegas) fez com que o médio esquerdo adversário ficasse muito por dentro, permitindo a Walker receber passes longos vindos de Wimmer (central esquerdo) e Dier com algum espaço e tempo. Mesmo quando tentava progredir pela esquerda e não conseguia com a bola a voltar para trás, o adiantamento de Walker foi sempre uma alternativa para a circulação voltar ao meio-campo adversário. Com a bola no inglês, Lamela penetrava em espaço interior entre central e lateral adversário, já que quem saia a pressionar nesta circunstância muitas vezes era o lateral direito do Bournmouth Smith. (nota para o primeiro golo Spur, ainda que resulte da acção de Walker, este tem espaço para progredir porque com bola em Lloris, é quem faz o passe longo, Gradel o médio direito do Bournmouth é atraído à linha de três e fica batido, tendo a restante equipa dificuldade em reagir).

Mas não foi para aproveitar a largura que o Tottenham recorreu ao passe longo. Também tentou o jogo directo sobre a última linha do Bournmouth e com sucesso. Aproveitando o tempo que era dado para definir aos 3 de trás, os spurs procuraram colocar a bola no espaço nas costas da defesa adversária através de movimentos em profundidade de Eriksen (de fora para dentro) ou de Walker. Também podiam procurar Kane mas para o espaço onde este se encontrava. Aqui o Tottenham foi especialmente superior, talvez devido à desvantagem, a linha média do Bournmouth era atraída à frente e a linha defensiva tinha tendência para baixar como forma de responder ao jogo directo, sendo que, os Spurs ganharam constantemente a segunda bola, quer através de Kane quando um colega procurava profundidade, quer pelo posicionamento no corredor central dos extremos que ficavam com a segunda bola (lance do terceiro golo)

quinta-feira, 3 de março de 2016

PSG vs Chelsea - Critério de pressão e espaço a proteger




O PSG juntamente com o Bayern Munique e Barcelona é talvez a equipa que mais faz por ter a bola, adicionando à inquestionável valia ofensiva individual, também qualidade colectiva e o jogo frente ao Chelsea na 1ª mão da Liga dos Campeões foi mais uma prova disso.

No entanto, sem bola os franceses tiveram alguma dificuldade em lidar o ataque do Chelsea, ainda que controlassem boa parte da partida. O PSG defende num bloco médio mas a linha defensiva é de risco praticamente nulo e tende a baixar, por vezes bastante cedo o que potencia o espaço entre linhas (onde o Chelsea jogou com uma facilidade inusitada para este nível). Neste cenário seria expectável que a linha média acompanhasse o recuo, mas acontece o contrário. Verratti, Thiago Motta e Matuidi (3 jogadores do meio-campo) saem constantemente ao portador da bola, até porque o PSG raramente não tenta pressionar quem tem a bola. Se a congruência já poderia ser questionável, é visível que quando um médio sai à pressão os restantes colegas do sector não asseguram cobertura o que também permite ao Chelsea jogar dentro do bloco adversário no corredor central. Os extremos (inicialmente Di Maria e Lucas) tendem a ficar abertos com a referência de posicionamento no lateral adversário nem sempre fechando espaço interior (Lucas com tendência a baixar para junto da linha defensiva). Nota igualmente para os acompanhamentos individuais feitos não só pelos centrais, como também dos restantes jogadores aos movimentos sem bola do Chelsea que não pareceram ser devidamente equacionados pelos colegas quando aconteciam

Na ânsia de pressionar os médios do PSG foram ao corredor lateral (nomeadamente à direita porque nem sempre Di Maria baixa) mas não protegiam o espaço central e a bola entrava no meio. Ao longo do jogo foi possível ver que a pressão do PSG tentava não raras vezes cortar linhas de passe atrasadas e para o lado, mas não impedia a progressão para a frente (essencialmente pela orientação corporal dos jogadores). É perceptível que  quem está mais longe da zona da bola nem sempre tem a preocupação de se colocar atrás da linha da bola entre esta e a baliza, isto permitiu ao Chelsea mudar de corredor por dento do bloco adversário

Por outro lado, com a bola no seu último terço, e porque nem sempre colocava muita gente no centro de jogo, o Chelsea conseguia jogar nos apoios recuados. No momento do passe para trás novamente era visível o conservadorismo da linha defensiva que permanecia baixa ou demorava a subir, em contraste com o adiantamento dos jogadores da linha média. Como alguns médios eram atraídos ao corredor lateral e os que se encontravam mais longe da bola não reajustavam, em alguns lances como é possível ver no video acima o corredor central encontra-se desprotegido, quando a bola volta para a frente após ter ido atrás.

Sendo uma equipa que gosta de ter bola, é visível que a transição defensiva do PSG é trabalhada. Como raramente coloca muitos jogadores à frente da linha da bola a atacar, acabaram por controlar boa parte dos contra-ataques do Chelsea. Ainda assim em alguns lances que trago no final do video, por vezes as características defensivas acima expostas mantiveram-se, desde logo pela pressão dos médios sem cobertura, com linha defensiva baixa e o Chelsea a sair através desse espaço. Notar também alguma falta de reacção à perda dos jogadores da frente, bem como a referência individual dos médios. Ao contrário do processo em organização defensiva, creio que para a transição ser ainda mais eficaz bastam alguns reajustes no posicionamento para o controlo do jogo na segunda mão ser mais efectivo

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Borussia Monchegladbach vs Werder Bremen - Apoio frontal e intensidade ofensiva




Actualmente do ponto de vista ofensivo, o Borussia Monchegladbach é uma das equipas que mais entusiasma no futebol alemão. São aliás o terceiro melhor ataque só superados por Dortmund e Bayern Munique.

A equipa de Schubert tem como estrutura 4x4x2 clássico utilizando os dois avançados como referência para apoio frontal, aspecto decisivo na forma como atacam. Na primeira fase de construção os centrais abrem bastante e os laterais são projectados. Nordveit e Mahoud os dois médios centro baixam à vez e em linhas diferentes à largura com a hipótese de Nordveit recuar para junto dos centrais formando linha de 3. O ala (Johnson ou Hazard) do lado da bola normalmente vai ligeiramente para dentro com os avançados a poderem recuar, fazendo com que a equipa coloque muita gente no corredor onde a bola se encontra, valorizando também o espaço interior (entre corredor central e esquerdo/direito). Nota para o comportamento diferente dos dois alas quando a bola está no lado contrário ao seu. Enquanto Johnson procura muito o espaço interior e movimentos em profundidade, Hazard tem tendência a permanecer aberto para dar largura à direita e ser solução quando jogo roda.

Mesmo sendo paciente e valorizando a posse da bola, o Borussia Monchegladbach parece esperar constantemente o momento certo para fazer um passe vertical que procura um dos avançados ou em alternativa o extremo que vai dentro, realizado quer pela linha defensiva, quer pelos dois médios que neste momento normalmente ainda estão recuados e fora do bloco adversário. Quando a bola entra dentro do bloco adversário por esta via, existe o cuidado de ter um apoio frontal próximo. Se a bola entra em Raffael ou Stindl (avançados) que recebem de costas há quem esteja próximo para dar linha de passe os jogadores parecem reconhecer a importância desse momento, sendo que, este apoio pode vir do lateral que vai dentro, de um médio centro que aproxima ou do ala do lado da bola.

Em complemento ao acima descrito, existem constantes movimentos à profundidade da parte de quem não tem bola, que visam não só tentar explorar as costas da defesa adversária como arrastar marcação. São realizadas num timming interessante e faz com que o apoio frontal tenha sempre linha de passe à sua frente ou pelo menos espaço para progredir. O Borussia Monchegladbach também tem soluções para variar o corredor de jogo, ainda que se disponha de forma assimétrica. Quando a bola começa à esquerda é Hazard (ala direito)  que dá largura à direita e pode receber passe potenciar situação de 1x1, enquanto que, quando o lance se desenrola à direita, Johnson pode ir muito para dentro, ficando a largura para o lateral Wendt.

Nota na fase de construção para os movimentos de Mahoud que começa recuado e próximo do outro médio centro, Nordveit, mas revelou um bom timming de entrada no espaço livre, quer nas costas da pressão mais adiantada do Bremen, sendo solução de passe para a sua linha defensiva, quer como apoio frontal aos avançados quando recebem de costas.

Outro aspecto interessante no Borussia Monchegladbach é a sua abordagem ao último terço, e à forma como jogam na grande área adversária. Principalmente na primeira parte o portador da bola se vir que não há condições de progressão, pode travar o jogo perto da área adversária e procurar apoio recuado que normalmente é rápido a chegar. Com dois médios-centro e dois avançados a bola tende a ir de fora para dentro com os jogadores a procurarem tabelas  ou combinações a três, com inserções de trás para a frente. Mesmo aqui há arrastamento de quem não tem bola para permitir que colega receba com espaço livre. Daí a referência a "intensidade ofensiva" no titulo do post, pois os jogadores do Borussia Monchegladbach procuram apoiar o portador da bola especialmente quando esta está dentro do bloco adversário com o colega pressionado. Como é possível ver no lance do segundo golo, estas características mantém-se mesmo dentro da grande área, com passes para trás, combinações e inserções constantes de quem não tem bola.

O mesmo acontece quando a equipa tem hipótese de em transição ofensiva atacar rapidamente. Numa fase inicial quando recuperam bola, tentam se possível acelerar o jogo procurando a um/dois toques os avançados, sendo a equipa muito forte a reagir, continua a existir movimentos à profundidade e apoio frontal a quem recebe de costas mais combinações e tabelas no último terço. Nota para o facto de na segunda parte frente ao Bremen nem sempre terem sido capazes de manter o critério forçando em demasia a progressão, o que levou à perda de muitas bolas, fazendo com que o jogo a espaços ficasse partido