segunda-feira, 11 de abril de 2016

Bayern Munique vs Benfica - Defender no meio-campo defensivo

Na antevisão do jogo da primeira mão, Guardiola disse sobre o Benfica "defendem 20 metros longe da sua baliza". Tal como previsto em vários momentos da partida na Alemanha, os encarnados apresentaram-se defensivamente em 4x4x2 com o bloco médio e linhas muito compactas.

No final da partida, Guardiola voltou a falar sobre o Benfica "é uma equipa que não deixa espaço entre linhas, é complicado fazer golos". Talvez por isso, o Bayern tentou fazer circular a bola à largura, procurando constantemente rápidas variações de corredor, principalmente na primeira parte. A forma como os jogadores se distribuíram em campo, apesar de não ser novidade nos alemães, não deixa de trazer inovação ao jogo. Com o Benfica em bloco médio, o Bayern respondeu com Alaba e Kimmich (centrais) e Bernat lateral-esquerdo inicialmente pouco subido e na mesma linha dos centrais, com 3 jogadores permanentemente fora do bloco encarnado, Thiago mais no espaço interior esquerdo, Vidal no meio e Lahm que apesar de ser lateral juntava-se aos colegas em espaço interior à direita. Ribery e Douglas Costa eram os extremos que asseguravam largura com Muller e Lewandowski no meio entre as duas linhas encarnadas. A disposição pode ser vista na imagem seguinte

Partindo da premissa enunciada por Guardiola no parágrafo anterior, o Bayern na primeira parte procurou circular a bola com alguma paciência em zonas baixas, através da linha defensiva e dos 3 médios, tendo como objectivo criar situações favoráveis de desequilíbrio para os extremos. Nestas circunstâncias raramente jogou entre linhas e mesmo aí, dada a falta de inserção dos médios Lewandowski e Muller acabaram por procurar colegas à largura. Com efeito, nos primeiros 45 minutos Vidal e Thiago só se adiantaram quando a bola entrava no último terço à largura (normalmente em Douglas Costa ou Ribery) e a possibilidade de cruzamento era elevada (referência óbvia para o lance do primeiro golo.) Pontualmente Bernat também se adiantou auxiliando Douglas Costa.

O Benfica manteve o bloco médio tendo como principal prioridade evitar o tal jogo entre linhas, colocou muita gente no corredor central. Sabendo que o Bayern iria mudar de corredor através de passes longos para os extremos seria importante as ajudas aos laterais para evitar situações de 1x1. Pizzi ou Gaitan seriam as prioridades no auxílio a André Almeida e Eliseu mas quando estes não estiveram presentes, Fejsa e Renato Sanches deram uma boa resposta basculando e assegurando apoio. Se à direita Pizzi esteve quase sempre próximo de André Almeida, à esquerda Gaitan em alguns lances adiantou-se pois passou a ter como referência o posicionamento de Lahm e quando a bola chegava a Douglas Costa o argentino encontrava-se longe e incapaz de auxiliar Eliseu. A linha defensiva do Benfica teve naturalmente uma postura conservadora. Bom controlo da profundidade, e à mínima ameaça recuavam, nomeadamente quando a bola entrava em Ribery ou Douglas Costa, tentando dar tempo aos restantes colegas para se juntarem. Centrais só saiam do meio em última necessidade, deixando as coberturas aos laterais para outros.

A segunda parte começou com uma ligeira mexida no Bayern que nos primeiros minutos colocou algumas dificuldades ao Benfica. Thiago e Lahm começaram a inserir-se entre linhas (à vez) numa fase mais precoce da construção, o que criou dúvidas à linha média do Benfica fazendo com que recuassem mais cedo. Nesta fase, o Bayern procurou menos as variações de corredor para extremo do lado oposto, e mais lances de envolvimento ainda que sempre a fazer uso da largura. Os primeiros 10 minutos da segunda parte foi talvez o período de maior domínio alemão, ao obrigar a linha média e defensiva do Benfica a recuar devido à inserção dos médios, o Bayern dificultou a transição ofensiva encarnada.

Nos últimos 20 minutos, e depois de um período de maior equilíbrio, o Bayern teve maior espaço, talvez pelo natural desgaste que assolou o Benfica. Com o jogo mais partido, tentando os encarnados manter mais tempo a bola, e ao contrário do que aconteceu nos primeiros 70 minutos, o Bayern conseguiu verticalizar o jogo logo após a recuperação de bola. Novamente importância da largura concedida pelos extremos (até porque serviram de referência) e lances que acabaram em cruzamento. Nesta fase o Benfica defendeu várias vezes somente com 5/6 jogadores, ainda que quase sempre muito próximos uns dos outros à largura. Linha defensiva manteve naturalmente o comportamento defensivo conservador recuando à medida que os alemães avançavam.

Nota final para fazer referência à pressão alta do Benfica em algumas saídas do Bayern. Não é o objectivo deste post analisar esse momento do jogo mas é possível dizer que foi por aí que os encarnados conseguiram uma das suas melhores oportunidades de golo (remate de Jonas para defesa de Neur) mas também foi depois de uma situação de pressão no meio-campo adversário que o Bayern chegou ao golo

quinta-feira, 24 de março de 2016

Tottenham - Posse larga/Jogo directo vs Bournmouth




O Tottenham de Pochettino é normalmente associado a um futebol que privilegia a posse de bola e o passe mais curto. Daí ter sido especialmente interessante a estratégia utilizada frente ao Bournmouth no seu último jogo, ainda que não tenha sido situação única.

Pochettino apresentou o habitual 4x2x3x1 com Dier e Dembélé (duplo-pivô) atrás de Eriksen , Alli  e Lamela (esquerda, meio e direita respectivamente) com Kane como ponta de lança. No inicio da construção um dos médios defensivos (essencialmente Dier) tende a baixar para junto dos centrais, formando uma linha de 3 a toda a largura do campo em zona baixa. Consequentemente os laterais (Walker à direita e Rose à esquerda) projectam-se bastante conferindo largura ao ataque, não sendo raras as vezes que se encontram bem dentro do meio-campo adversário quando a primeira linha tem bola em zona recuada.

O Bournmouth apresentou-se com duas linhas de 4 tendencialmente compactas, sendo pelo menos numa fase inicial complicado ao Tottenham jogar dentro do bloco adversário. Os spurs como consequência ao recuo de um médio, projectavam os laterais muito cedo. Lamela e Eriksen mesmo com a bola nos jogadores de trás já se encontravam em espaço interior/no corredor central. Dada a forma de defender do Bournmouth quem dirigia o jogo por trás dos spurs raramente conseguiu (como em outras ocasiões e que até originou o 2º golo) um passe vertical para o espaço entre linhas, no entanto, o posicionamento interior de Lamela (assim como o dos colegas) fez com que o médio esquerdo adversário ficasse muito por dentro, permitindo a Walker receber passes longos vindos de Wimmer (central esquerdo) e Dier com algum espaço e tempo. Mesmo quando tentava progredir pela esquerda e não conseguia com a bola a voltar para trás, o adiantamento de Walker foi sempre uma alternativa para a circulação voltar ao meio-campo adversário. Com a bola no inglês, Lamela penetrava em espaço interior entre central e lateral adversário, já que quem saia a pressionar nesta circunstância muitas vezes era o lateral direito do Bournmouth Smith. (nota para o primeiro golo Spur, ainda que resulte da acção de Walker, este tem espaço para progredir porque com bola em Lloris, é quem faz o passe longo, Gradel o médio direito do Bournmouth é atraído à linha de três e fica batido, tendo a restante equipa dificuldade em reagir).

Mas não foi para aproveitar a largura que o Tottenham recorreu ao passe longo. Também tentou o jogo directo sobre a última linha do Bournmouth e com sucesso. Aproveitando o tempo que era dado para definir aos 3 de trás, os spurs procuraram colocar a bola no espaço nas costas da defesa adversária através de movimentos em profundidade de Eriksen (de fora para dentro) ou de Walker. Também podiam procurar Kane mas para o espaço onde este se encontrava. Aqui o Tottenham foi especialmente superior, talvez devido à desvantagem, a linha média do Bournmouth era atraída à frente e a linha defensiva tinha tendência para baixar como forma de responder ao jogo directo, sendo que, os Spurs ganharam constantemente a segunda bola, quer através de Kane quando um colega procurava profundidade, quer pelo posicionamento no corredor central dos extremos que ficavam com a segunda bola (lance do terceiro golo)

quinta-feira, 3 de março de 2016

PSG vs Chelsea - Critério de pressão e espaço a proteger




O PSG juntamente com o Bayern Munique e Barcelona é talvez a equipa que mais faz por ter a bola, adicionando à inquestionável valia ofensiva individual, também qualidade colectiva e o jogo frente ao Chelsea na 1ª mão da Liga dos Campeões foi mais uma prova disso.

No entanto, sem bola os franceses tiveram alguma dificuldade em lidar o ataque do Chelsea, ainda que controlassem boa parte da partida. O PSG defende num bloco médio mas a linha defensiva é de risco praticamente nulo e tende a baixar, por vezes bastante cedo o que potencia o espaço entre linhas (onde o Chelsea jogou com uma facilidade inusitada para este nível). Neste cenário seria expectável que a linha média acompanhasse o recuo, mas acontece o contrário. Verratti, Thiago Motta e Matuidi (3 jogadores do meio-campo) saem constantemente ao portador da bola, até porque o PSG raramente não tenta pressionar quem tem a bola. Se a congruência já poderia ser questionável, é visível que quando um médio sai à pressão os restantes colegas do sector não asseguram cobertura o que também permite ao Chelsea jogar dentro do bloco adversário no corredor central. Os extremos (inicialmente Di Maria e Lucas) tendem a ficar abertos com a referência de posicionamento no lateral adversário nem sempre fechando espaço interior (Lucas com tendência a baixar para junto da linha defensiva). Nota igualmente para os acompanhamentos individuais feitos não só pelos centrais, como também dos restantes jogadores aos movimentos sem bola do Chelsea que não pareceram ser devidamente equacionados pelos colegas quando aconteciam

Na ânsia de pressionar os médios do PSG foram ao corredor lateral (nomeadamente à direita porque nem sempre Di Maria baixa) mas não protegiam o espaço central e a bola entrava no meio. Ao longo do jogo foi possível ver que a pressão do PSG tentava não raras vezes cortar linhas de passe atrasadas e para o lado, mas não impedia a progressão para a frente (essencialmente pela orientação corporal dos jogadores). É perceptível que  quem está mais longe da zona da bola nem sempre tem a preocupação de se colocar atrás da linha da bola entre esta e a baliza, isto permitiu ao Chelsea mudar de corredor por dento do bloco adversário

Por outro lado, com a bola no seu último terço, e porque nem sempre colocava muita gente no centro de jogo, o Chelsea conseguia jogar nos apoios recuados. No momento do passe para trás novamente era visível o conservadorismo da linha defensiva que permanecia baixa ou demorava a subir, em contraste com o adiantamento dos jogadores da linha média. Como alguns médios eram atraídos ao corredor lateral e os que se encontravam mais longe da bola não reajustavam, em alguns lances como é possível ver no video acima o corredor central encontra-se desprotegido, quando a bola volta para a frente após ter ido atrás.

Sendo uma equipa que gosta de ter bola, é visível que a transição defensiva do PSG é trabalhada. Como raramente coloca muitos jogadores à frente da linha da bola a atacar, acabaram por controlar boa parte dos contra-ataques do Chelsea. Ainda assim em alguns lances que trago no final do video, por vezes as características defensivas acima expostas mantiveram-se, desde logo pela pressão dos médios sem cobertura, com linha defensiva baixa e o Chelsea a sair através desse espaço. Notar também alguma falta de reacção à perda dos jogadores da frente, bem como a referência individual dos médios. Ao contrário do processo em organização defensiva, creio que para a transição ser ainda mais eficaz bastam alguns reajustes no posicionamento para o controlo do jogo na segunda mão ser mais efectivo

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Borussia Monchegladbach vs Werder Bremen - Apoio frontal e intensidade ofensiva




Actualmente do ponto de vista ofensivo, o Borussia Monchegladbach é uma das equipas que mais entusiasma no futebol alemão. São aliás o terceiro melhor ataque só superados por Dortmund e Bayern Munique.

A equipa de Schubert tem como estrutura 4x4x2 clássico utilizando os dois avançados como referência para apoio frontal, aspecto decisivo na forma como atacam. Na primeira fase de construção os centrais abrem bastante e os laterais são projectados. Nordveit e Mahoud os dois médios centro baixam à vez e em linhas diferentes à largura com a hipótese de Nordveit recuar para junto dos centrais formando linha de 3. O ala (Johnson ou Hazard) do lado da bola normalmente vai ligeiramente para dentro com os avançados a poderem recuar, fazendo com que a equipa coloque muita gente no corredor onde a bola se encontra, valorizando também o espaço interior (entre corredor central e esquerdo/direito). Nota para o comportamento diferente dos dois alas quando a bola está no lado contrário ao seu. Enquanto Johnson procura muito o espaço interior e movimentos em profundidade, Hazard tem tendência a permanecer aberto para dar largura à direita e ser solução quando jogo roda.

Mesmo sendo paciente e valorizando a posse da bola, o Borussia Monchegladbach parece esperar constantemente o momento certo para fazer um passe vertical que procura um dos avançados ou em alternativa o extremo que vai dentro, realizado quer pela linha defensiva, quer pelos dois médios que neste momento normalmente ainda estão recuados e fora do bloco adversário. Quando a bola entra dentro do bloco adversário por esta via, existe o cuidado de ter um apoio frontal próximo. Se a bola entra em Raffael ou Stindl (avançados) que recebem de costas há quem esteja próximo para dar linha de passe os jogadores parecem reconhecer a importância desse momento, sendo que, este apoio pode vir do lateral que vai dentro, de um médio centro que aproxima ou do ala do lado da bola.

Em complemento ao acima descrito, existem constantes movimentos à profundidade da parte de quem não tem bola, que visam não só tentar explorar as costas da defesa adversária como arrastar marcação. São realizadas num timming interessante e faz com que o apoio frontal tenha sempre linha de passe à sua frente ou pelo menos espaço para progredir. O Borussia Monchegladbach também tem soluções para variar o corredor de jogo, ainda que se disponha de forma assimétrica. Quando a bola começa à esquerda é Hazard (ala direito)  que dá largura à direita e pode receber passe potenciar situação de 1x1, enquanto que, quando o lance se desenrola à direita, Johnson pode ir muito para dentro, ficando a largura para o lateral Wendt.

Nota na fase de construção para os movimentos de Mahoud que começa recuado e próximo do outro médio centro, Nordveit, mas revelou um bom timming de entrada no espaço livre, quer nas costas da pressão mais adiantada do Bremen, sendo solução de passe para a sua linha defensiva, quer como apoio frontal aos avançados quando recebem de costas.

Outro aspecto interessante no Borussia Monchegladbach é a sua abordagem ao último terço, e à forma como jogam na grande área adversária. Principalmente na primeira parte o portador da bola se vir que não há condições de progressão, pode travar o jogo perto da área adversária e procurar apoio recuado que normalmente é rápido a chegar. Com dois médios-centro e dois avançados a bola tende a ir de fora para dentro com os jogadores a procurarem tabelas  ou combinações a três, com inserções de trás para a frente. Mesmo aqui há arrastamento de quem não tem bola para permitir que colega receba com espaço livre. Daí a referência a "intensidade ofensiva" no titulo do post, pois os jogadores do Borussia Monchegladbach procuram apoiar o portador da bola especialmente quando esta está dentro do bloco adversário com o colega pressionado. Como é possível ver no lance do segundo golo, estas características mantém-se mesmo dentro da grande área, com passes para trás, combinações e inserções constantes de quem não tem bola.

O mesmo acontece quando a equipa tem hipótese de em transição ofensiva atacar rapidamente. Numa fase inicial quando recuperam bola, tentam se possível acelerar o jogo procurando a um/dois toques os avançados, sendo a equipa muito forte a reagir, continua a existir movimentos à profundidade e apoio frontal a quem recebe de costas mais combinações e tabelas no último terço. Nota para o facto de na segunda parte frente ao Bremen nem sempre terem sido capazes de manter o critério forçando em demasia a progressão, o que levou à perda de muitas bolas, fazendo com que o jogo a espaços ficasse partido

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Nápoles - Organização Ofensiva vs Empoli




O jogo do Nápoles frente ao Empoli no passado domingo, vieram confirmar a qualidade da equipa de Sarri, ainda que o contexto fosse especialmente favorável.

O Nápoles apresentou-se no habitual 4x3x3. Muita posse de bola e a fazer uso dos 3 corredores para jogar. Preferência pelas saídas curtas na 1ª fase de construção com os centrais bem abertos e os três jogadores do meio campo (Jorginho pivô, Allan e Hamsik interiores direito e esquerdo respectivamente) sempre próximos entre si à largura, ainda que um deles acabe por estar mais adiantado dando profundidade e recebendo bola sistematicamente no espaço entre linhas nestas situações. A dinâmica Jorginho-Allan-Hamsik é aliás muito curiosa. Como é possível ver no video, na 1ª fase de construção descaem para o lado da bola com Allan e Hamsik frequentemente mais abertos que o habitual em espaço interior como apoio aos laterais adiantados e utilizam os centrais como apoio frontal quando recebem de costas. Ainda que pontualmente no meio-campo adversário se insiram entre linhas ou até na procura da ruptura nas costas da linha defensiva, no último terço ofensivo têm a preocupação de serem apoios recuados à circulação de bola.

A grande intenção do Nápoles parece ser atrair o adversário a um lado e/ou ao corredor central para deixar o extremo do lado oposto em boas condições de 1x1. Foi assim que surgiu o primeiro e terceiro golo, por exemplo. Callejón e Insigne (substituído depois por Mertens) têm tendência a começar o ataque largos (o que potencia os movimentos de abertura dos interiores) ainda que possam aparecer no espaço entre linhas. Nota para o facto do extremo do lado contrário, estar aberto mas em zona interior fazendo com que receba bola no último terço perto da grande área e gerir muito bem as inserções do lateral, já que, têm como preocupação permanente não ficarem na mesma linha de acção.

A qualidade colectiva do Nápoles e a preparação para os vários momentos é visível na forma como quem recebe de costas tem quase sempre apoio frontal, ou como a equipa reage constantemente à circulação da bola, nomeadamente quando identificam que o corredor lateral está fechado e procuram jogar atrás, os médios são fortes a baixar para serem opções de passe e dirigirem jogo.

Referência para a forma como o Empoli abordou a partida. Em 4x3x1x2 a tentar pressionar alto e com os 3 da frente a serem ultrapassados com frequência não fechando o corredor central posteriormente, coube aos 3 do meio gerir a largura. Ora, como é visível no video, permitiram ao Nápoles constantes trocas de corredor com a bola, ficando sempre indefinido quem saia à pressão ao corredor lateral e quem assegurava a respectiva cobertura, não admirando por isso a facilidade com que a bola estando a largura voltava ao meio e as situações de 1x1 no corredor lateral após variação de corredor


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Os dois primeiros golos do Everton vs Chelsea




Os dois primeiros golos do Everton no passado fim-de-semana têm em comum o aproveitamento (ainda que de forma diferente) do corredor central ainda na zona do meio-campo.

O primeiro golo, Lukaku é solicitado em transição ofensiva como referência de costas para baliza adversária, com os colegas a serem rápidos a disponibilizarem-se como apoios frontais. Depois Diego Costa e Fabregas (homens mais adiantados do Chelsea no meio) tentam pressionar o central portador da bola no corredor central . À esquerda Pedro Rodriguez está muito adiantado fixado no lateral do Everton e a juntar ao duplo pivô (Mikel e Matic) que se encontra baixo Barry consegue jogar nesse espaço nas costas dos da frente e a partir daí definir o lance. Linha defensiva baixa do Chelsea baixa (tendo em conta pressão dos colegas) com o lateral esquerdo Azpilicueta adiantado fixado no extremo Lennon. Criado o espaço entre central e lateral onde aparece Lukaku para receber o passe vertical de Barry (também possível porque Matic e Mikel estão distantes entre si). Definição no último terço do Everton com Mirallas a dar profundidade e Barkley em apoio com Bale a aparecer à esquerda a dar largura.(facilidade do Everton em jogar no meio, fruto da lentidão de Mikel e Matic ao recuarem após passe vertical).

O segundo golo alguns aspectos diferentes, mas a incapacidade do Chelsea em controlar espaço no corredor central manteve-se. Novamente pressão alta, com duplo pivô mais próximo dos 4 da frente mas linha defensiva permaneceu recuada, também consequência do posicionamento de Mirallas e Lukaku. É no meio que aparece Barkley a recuar para ter bola e com espaço para progredir sempre auxiliado pelo movimento dos colegas que ao avançarem impelem a defesa do Chelsea a recuar. É Lennon quem num primeiro momento dá linha de passe em apoio e novamente Bale aparece à largura. Nota para Mikel e Fabregas que não asseguraram a devida cobertura à linha defensiva no cruzamento que origina o golo e a finalização 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Liverpool - Passe vertical vs Manchester United




Era já uma característica visível no Dortmund de Klopp, que tenta transportar para Liverpool, o passe vertical, nomeadamente dos centrais para o espaço entre linhas.

Este tipo de construção por norma dá protagonismo aos centrais (a qualidade da construção de Hummels e a sua capacidade de descobrir os colegas mais adiantados ficou famosa) e foi isso que acabou por acontecer no jogo de domingo frente ao Manchester United, nomeadamente com o defesa francês Sakho a assumir o risco do passe vertical entre linhas.

Na minha opinião apesar da intenção clara, o Liverpool raramente se mostrou preparado para dar seguimento aos passes verticais entre linhas, sendo também possível questionar em alguns lances se a melhor decisão seria verticalizar o jogo naquele momento.

Além de quem recebia o passe entre linhas estar constantemente de costas para a baliza adversária, faltaram apoios próximos e/ou frontais que  permitissem aos reds continuar com bola, sendo nestes momentos o portador da bola, não raras vezes, fortemente pressionado acabando os lances por se perder.

Particular destaque para o papel do trio de meio-campo Lucas-Can-Henderson. Lucas na zona do pivô, acabava por recuar para a linha dos centrais (formação a 3) ou permanecia na posição 6 raramente ajustando para ser apoio frontal a quem recebia a bola de costas. Can e Henderson tinham tendência para dar muita profundidade em momentos precoces da construção. Isto tinha como consequência o arrastar das linhas do Manchester United que permitia aos jogadores da frente (nomeadamente o avançado Firmino) vir receber o passe dos centrais, ainda que depois, ficassem sem apoios próximos para jogar. Com Can mais à largura e Henderson no espaço interior, esta procura constante da profundidade dava-se não só numa fase inicial, mas também quando colega recebia bola no meio-campo adversário. Igualmente nota para os interiores que quando a bola se encontrava do seu lado também podiam dar largura ocupando o espaço entre central e lateral da sua equipa em zonas recuadas da construção (mais Can).

Neste quadro, coube maioritariamente aos 3 da frente receber o passe vertical com destaque para Firmino e Lallana. Dado o adiantamento dos interiores o brasileiro recuou bastante no corredor central, com Lallana e Milner (extremos) por dentro mas a procurarem movimentos para a frente não conferindo apoio. Muitas vezes, alternadamente, Lallana e Milner baixavam bastante (para fora do bloco) em espaço interior para terem bola no espaço entre o seu central e lateral. Recebiam a bola de costas e limitavam-se a devolver aos jogadores de trás. Nota para Lallana, que quando foi recebeu o passe vertical entre linhas, também devido ao movimento dos colegas, que o Liverpool conseguiu dar seguimento ao jogo. O facto de recuar e estar no meio fez com que Lucas conseguisse ser apoio frontal nestas situações.

Tendo em conta o passado de Klopp é de esperar que esta dinâmica se mantenha, no entanto, a ideia de ter jogadores a irem da frente para trás somente para tocar bola de costas e devolver à linha defensiva dando depois profundidade, juntamente com passe vertical para colegas que se encontram sozinhos parece ainda requerer algumas melhorias e maior variabilidade de movimentos