sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Feder Fernández - Como Pode Um Central Desequilibrar



O lance acima é referente ao primeiro golo do Swansea frente ao Tottenham no seu último jogo. A situação é aparentemente normal. Os centrais dos Swans são pressionados próximos da sua área pelo avançado e 10 dos spurs e quando a bola entra no lateral é Chadli o extremo que sai à pressão. A novidade começa aqui. Feder Fernández, central argentino sai da sua posição e movimenta-se para a frente da linha da bola conferindo linha de passe à largura. O Tottenham reage com Dier a sair à pressão, mas restante linha média não baixa e quando a bola entra entre linhas em Ayew a linha defensiva Spur encontra-se exposta.

Este movimento de Fernández não parece ser procurado com frequência pelo Swansea mas não deixa de ser interessante que o jogador tenha deixado a habitual postura de dar solução por trás ao lateral, sendo decisivo no desequilíbrio causado

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Manchester United e Nápoles - Como condicionar 1ª fase de construção adversária




Existem semelhanças e diferenças na estratégia de Nápoles e Manchester United para os jogos de domingo, naturalmente com conclusões diferentes, bem como os respectivos resultados, mas o princípio pareceu ser o mesmo, direccionar o  jogo para o corredor central.

O Manchester United optou por descair o avançado Martial para a direita e a partir daí pressionar o central que enfrentava directamente, Gabriel Paulista. À esquerda, Depay (extremo) adiantava-se para sair a pressionar Mertesacker condicionando pela orientação do seu corpo o passe para o lateral. Rooney e Schweinsteiger tinham como objectivo bloquear o duplo pivô, Carzola e Coquelin. É verdade que a estratégia resultou a espaços, mas pareceu apresentar algumas vulnerabilidades. 

Desde logo a forma recorrente como o Arsenal conseguiu jogar no espaço das costas de Depay, normalmente através de procura de jogo interior, condicionado, para depois libertar no lateral que se tinha adiantado. Isto fez com que Bellarín enfrentasse Young em algumas situações de 1x1. Passada a primeira fase de pressão, o Arsenal conseguiu jogar com alguma facilidade até porque o espaço central à frente da linha defensiva (que baixava bastante) acabou por ser negligenciado entrando a bola com alguma facilidade de fora (à largura) para dentro do bloco do United, até porque Carrick, o pivô se encontrava longe da restante equipa. Outro aspecto que baralhou a estratégia do United acabou por ser os recuos de Ramsey (extremo) e Ozil (10) que garantiram alguma superioridade no meio ou então levavam ao arrastamento de Carrick.

Em Itália, o Nápoles optou por colocar Higuaín a bloquear a linha de passe entre os centrais, com os extremos, quando a bola entrava no central do seu lado, a sair à pressão e a bloquearem linha de passe para lateral. Em comparação, pareceram mais preparados que o United para o espaço nas costas de Calléjon e Insigne (os extremos) com toda a equipa preocupada em ocupar essa zona onde, naturalmente pela forma como condicionaram, a bola acabou por cair (nota para a disponibilidade dos dois interiores em perceberem este momento, Hamsik e Alan). Aliás é de uma recuperação assim que nasce o primeiro golo. Quando os médios do Milan recuavam para fora do bloco eram os dois interiores que saíam à pressão, condicionando também a acção de Montolivo (pivô)

Outra diferença para o que aconteceu em Londres prende-se com o comportamento da linha defensiva. Constantemente subida e com o lateral a adiantar-se para ocupar espaço deixado pelo extremo, se necessário.  Dificuldade esporádica em controlar jogo directo do Milan, quer quando bola caiu à profundidade no espaço entre central e lateral, quer para o meio batendo os dois interiores, fazendo com que o Milan conseguisse ganhar sistematicamente a 2ª bola pela superioridade numérica. Nota para o controlo de profundidade da linha defensiva napolitana que evitou males maiores

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Barcelona - Distância entre jogadores e gestão da profundidade


Apesar de manter níveis consideráveis de posse de bola, parece pertinente dizer que o Barcelona de Luís Enrique está distante daquilo que era a equipa com Guardiola ou Villanova, quer pelas ideias quer também por boa parte dos protagonistas terem um perfil diferente dos seus antecessores. 

Na passada terça-feira frente ao Bayer Leverkusen a dificuldade em entrar no bloco alemão e chegar ao último terço foram evidentes durante boa parte da partida. A questão que me parece mais premente no Barcelona é a grande distância entre os seus jogadores que, apesar de pontualmente trazer algumas vantagens, impediu maior envolvimento e combinações num futebol curto e apoiado próprio do clube.

Os dois interiores, Iniesta e Rakitic começaram muito profundos e distantes entre si, quase sempre no espaço entre linhas. Estes movimentos acabavam por fazer recuar um pouco a linha média adversária, dando espaço a Pique, Mascherano e Busquets (que por vezes ficava junto dos centrais formando linha de 3) para progredir, mas retiraram alguma capacidade de atrair os médios do Leverkusen que por esta altura se sentiam muito confortáveis na partida.

Os 3 jogadores da frente, Suarez, Neymar e Ramírez, permaneceram muito profundos e abertos, participando pouco na construção em zonas precoces. Pontualmente baixavam para o espaço entre linhas mas sem grande sucesso. Aliás, este foi um dos pontos mais frágeis do Barça, quem recebia a bola entre linhas não tinha apoio próximo dada a distância entre jogadores. Quando a bola entrava dentro do bloco adversário, quase sempre os da frente procuravam profundidade, sendo o portador da bola "convidado" a fazer passe para as costas da defesa.

Última nota para a circulação de bola no meio-campo adversário, com todos os jogadores do Barça a procurarem movimentos à frente da linha da bola (Mathieu e Iniesta a juntarem-se aos 3 da frente) com o portador a não ter linha de passe próxima, restando centrais e Busquets atrás da linha da bola.

Este forçar da profundidade deu vantagem pontual ao Barça, porque causou alguma dúvida às linhas do Leverkusen mas a fluidez da circulação de bola saiu comprometida. Naturalmente foi mais fácil aos alemães saírem em contra-ataque, dada a dispersão pelo campo dos catalães no momento da perda




Na 2ª parte, o Barça modificou alguns aspectos. Os laterais projectados mais cedo e mais profundos, fizeram com que bloco do Leverkusen recuasse um pouco. Neymar permanentemente entre linhas, ainda que nem sempre devidamente apoiado e com as decisões mais ajustadas. Ramírez e Suarez profundos mas sem dar largura, no corredor central, também arrastaram a linha defensiva alemã

Mesmo tendo conseguido passar mais tempo no meio-campo adversário alguns problemas da primeira parte mantiveram-se como o pouco apoio a quem se encontrava entre linhas ou a dificuldade em dirigir jogo através de trás com a reduzida participação dos interiores.

As coisas só melhoraram verdadeiramente quando o Barça passou a tentar variar o corredor de jogo mais rapidamente, colocando muitos jogadores em zona de finalização para jogadas que acabaram com cruzamento para a frente da linha defensiva alemã. Foi esta a base da superioridade catalã que até resultaram em golo.






Por fim, e como o futebol está longe de ser linear, deixo alguns lances que acabam por contrariar o que acabei de escrever acima. É visível como os comportamentos são diferentes. Vemos Suarez a sair como apoio no momento certo e não a procurar profundidade quando colega recebe bola entre linhas ou como a grande profundidade dada causou dificuldades de ajuste ao Leverkusen que permitiram ao Barça, com Iniesta a receber entre linhas com o apoio de Neymar, chegar ao último terço com relativo perigo

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Fiorentina - Distribuição Ofensiva




Apesar de aos 23 minutos estar já a vencer por 0-3, as dificuldades ofensivas por parte da Fiorentina frente ao Inter de Milão foram notórias nesse período, nomeadamente devido a algumas decisões discutíveis do portador da bola e da falta de apoio a quem recebia passe vertical, o que na forma como a Fiorentina tenta chegar à baliza adversária, é suficiente para retirar fluidez à circulação de bola. Até à expulsão do central interista Miranda, a Fiorentina assentou o seu jogo essencialmente numa organização defensiva que merece todos os elogios e no aproveitamento do contra-ataque que aproveitou a exposição do Inter.

Ainda assim, as ideias interessantes de Paulo Sousa são visíveis e esta não deixa de ser uma equipa a acompanhar com todo o interesse pelo que faz quando tem a bola. Trago dois lances que parecem ser sintomáticos daquilo que poderá ser a Fiorentina esta época, com especial destaque para a forma como os jogadores se distribuem em campo.

Estruturados em 4x2x3x1 existe saída a 3 jogadores pela linha mais recuada, não como é habitual baixando o pivô, mas com o lateral direito junto dos centrais, ficando Alonso, lateral esquerdo, mais adiantado. O duplo pivô permanentemente fora do bloco adversário a tentar dirigir jogo com Kuba, extremo direito, a dar largura no seu lado (ainda que recuado) e Valero à esquerda a ocupar espaços interiores com Ilicic e Kalinic (10 e avançado) muitas vezes entrelinhas.

O que têm em comum os lances do video, é o aproveitamento dado pela subida precoce de Alonso à esquerda. Fica a existir um espaço livre onde aparece Valero (da frente para trás) e consequente apoio de um dos elementos do duplo pivô. A primeira jogada segue para o corredor central, no espaço entre linhas através de um passe vertical de Badelj onde a Fiorentina tem 3 jogadores, a segunda, que acaba por dar o terceiro golo, é toda realizada no espaço interior com Vecio a ter espaço para progredir e procurar o apoio de Valero

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Como Jogar Dentro do Bloco Adversário - Uma Questão de Envolvimento




A propósito da jornada de ontem da liga dos campeões trago dois lances com algumas semelhanças e, apesar de algum demérito defensivo dos respectivos adversários, onde é visível o envolvimento de quem ataca dentro do bloco adversário.
Actualmente o espaço entre a linha média e a linha defensiva de quem defende é bastante valorizado, o chamado espaço entre linhas. O que não é tão discutido, e na minha opinião de forma incompreensível, é o seguimento que a bola toma após entrar nesse espaço, bem como de que forma a equipa está preparada para aproveitar uma possível vantagem de tempo/espaço que possa eventualmente ter. Não raras vezes quem recebe entre linhas encontra-se sozinho, permanecendo os colegas estáticos ou somente a procurar entrar em profundidade nas costas da defesa adversária. Nestas circunstâncias é mais acessível para quem defende neutralizar o ataque adversário.

Em Zagreb, o Dinamo protagonizou uma das surpresas da jornada ao vencer o Arsenal. No seu primeiro golo, um passe vertical do central para o espaço entre linhas onde Pjaca (neste jogo uma espécie de falso 9 que recebeu várias vezes a bola nestas condições) recebe. O croata tem dois apoios próximos, Paulo Machado e Soudani. O português, o homem mais adiantado da equipa no momento do primeiro passe aproxima de Pjaca à medida que a linha defensiva recua. Depois o jogo roda para o lateral esquerdo entrar de trás para a frente e fazer golo. Neste lance há sistematicamente quem se aproxime a afaste da bola o que permite apoios ao portador mas também criar dúvida na defesa adversária.

Em Leverkusen, o Bayer bateu o BATE Borisov por 4-1 e o primeiro golo também começou num passe entre linhas do central para Çalhanoglu. Existiu aproximação de Bellarabi que tabelou com o turco. O movimento de Bellarabi arrastou um central bielorrusso e foi nesse espaço que apareceu o avançado da equipa alemã, Chicarito em profundidade. Estava criado o desequilíbrio

Em ambos as situações o passe entre linhas foi efectuado naquilo a que no blog tendo a chamar espaço interior (uma zona imaginária entre o corredor central e corredor lateral) e que em inglês é conhecido como half-space. Mais sobre este assunto pode ser lido num interessante artigo no spielverlagerung.com


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Chelsea - Organização Defensiva



Quase tão surpreendente como os 4 pontos do Chelsea em 15 possíveis na Premier League é a quantidade de golos sofridos. 12 golos encaixados em tão curto espaço de tempo é um registo, no mínimo, improvável para uma equipa treinada por Mourinho, sendo até a pior defesa do campeonato no momento

Dois aspectos que saltaram à vista no jogo com o Everton que estando relacionados, condicionaram os "blues", a incapacidade de controlar sistematicamente o jogo adversário pelo corredor central e o conservadorismo da linha defensiva sempre muito baixa e disposta a recuar sem nunca se adiantar (o Everton não teve um fora-de-jogo assinalado em todo o encontro).

O Chelsea apresentou-se a defender em 4x4x2. Os dois da frente tentaram pressionar as saídas curtas adversárias muito à frente, mas a restante equipa não acompanhava e permanecia recuada fazendo com que Diego Costa e Pedro (em alternativa Fabregas) fossem sistematicamente ultrapassados.

A defender com duas linhas de 4 a linha média (Mikel, Matic, Hazard, e à vez Fabregas ou Pedro) não se revelou especialmente preparada. Quando um elemento saia à pressão, nomeadamente no corredor central, colegas não ajustavam ao fechar espaço interior/dar cobertura o que, juntamente com uma linha defensiva especialmente baixa, permitiu que a bola entrasse nas costas de quem pressionava, e uma vez ultrapassados os médios do Chelsea não eram especialmente rápidos a recuperar. Extremos fixados nos laterais que se projectavam com regularidade encontravam-se por vezes demasiado abertos para controlar espaço interior/corredor central. 

Como já foi referido a linha defensiva teve como comportamento fundamental ir baixando para a zona da sua grande área, isto fez com que o Everton tivesse espaço no corredor central para progredir. Apesar de por vezes um defesa sair à pressão a quem se encontrava entre linhas o Chelsea esteve longe de ser uma equipa compacta (o que também fez com que os toffees ganhassem 2ªs bolas quando recorriam ao jogo directo). Ao contrário do que acontecia por exemplo no seu Real Madrid onde parte da equipa baixava muito levando o jogo propositadamente para zonas recuadas com a intenção de sair com 3/4 jogadores para o contra-ataque que permaneciam sempre adiantados, neste jogo essa não pareceu ser a intenção de Mourinho.

Última referência para o momento das substituições. Após a entrada de Falcão (que fez dupla com Diego Costa no ataque) Pedro passou para o meio, aí o Chelsea continuou a revelar problemas defensivos, com a equipa a baixar e a defender com 7 jogadores atrás da linha da bola junto à sua grande área, pois os avançados não recuavam e o espanhol permanecia ligeiramente mais adiantado

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Bayern Munique - A Inovação Está A Passar Por Aqui

Poucos treinadores no futebol europeu serão tão dados a inovações de jogo como Guardiola, nomeadamente na forma como dispõe as peças em campo, o que acaba naturalmente por ter repercussões na dinâmica que as suas equipas apresentam.

Talvez por mera circunstância estratégica de jogo (para evitar o previsível pressing no corredor central do adversário) ou por convicção de ideia para a nova época, Guardiola voltou a dispor os seus jogadores de forma original até ao minuto 73 altura em que passou a jogar com 4 defesas

À linha de 3 atrás (formada sem qualquer central de origem) juntava-se pontualmente Xabi Alonso. Concederam largura à 1ª fase de construção mas pouca profundidade encontrando-se praticamente paralelos. Mas aqui começam as novidades. Os três jogadores do meio-campo, Vidal, Muller e Thiago andam por terrenos inesperados A ideia parece ser fazer a bola chegar aos extremos (Robben e Douglas Costa) em situação favorável para entrar no duelo 1x1 com adversário, contando também com presença no meio para fazer rodar jogo entre corredores laterais. Robben e Douglas Costa estão sistematicamente abertos e profundos e são não raras vezes os jogadores mais adiantados da equipa, conseguindo fazer baixar a linha defensiva do Leverkusen condicionada pela sua acção. Mas como já referi a grande novidade, prende-se com o posicionamento de Vidal, Muller e Thiago principalmente na 1ª fase de construção. Thiago à esquerda, Muller e Vidal mais à direita são quem dá largura em zonas mais precoces estando constantemente paralelos (ou praticamente) aos extremos. O facto de se afastarem da 1ª fase de construção dos jogadores de trás faz também com que a linha média do Leverkusen recue conferindo espaço aos colegas mais recuados para jogar.

Nesta forma de jogar, Thiago e Vidal acabam por funcionar como apoios recuados aos extremos, ainda que conforme ditem as circunstâncias possam pisar terrenos mais centrais (até podem coincidir no meio, formando uma espécie de duplo pivô). Muller normalmente mais adiantado descai muito para os corredores laterais (mais para a direita) onde pode disputar a 1ª bola vinda de jogo longo e/ou garantir presença para fazer jogo prosseguir através de 2ª bola. Aqui também referência para o lado estratégico do jogo. Com o Leverkusen a tentar garantir uma pressão mais alta, o Bayern mostrou-se quase sempre mais preparado para a 2ª bola que caia nas costas da linha média adversária com Vidal a ser especialmente forte a aproximar dos da frente e a ficar com bola.

O trio atrás mais Alonso ganhou especial protagonismo na construção. Alternaram a procura pelos corredores laterais, ora directamente para extremo encarar situação de 1x1, ora para jogo longo através do apoio de Muller, com a procura de passe vertical (potenciado pela distância da linha média que "obriga" o Leverkusen a ajustar-se e a dar espaço) para o meio, mesmo nesta última situação os extremos não procuram espaço interior e a finalidade parece sempre que a bola lhes chegue em boas condições à largura. Dada a presença em largura da equipa é normal que quem receba a bola no meio de costas para baliza adversária nem sempre tenha o devido apoio frontal, tão característico das equipas de Guardiola

Nota final para Lewandowski, naturalmente com Robben e Douglas Costa tão profundos a fixar linha defensiva, o polaco ganha maior liberdade para recuar e receber com algum espaço entrelinhas. Funciona também como apoio para fazer andar entre corredores laterais, e visto que, por vezes recebeu bola sem apoios imediatamente próximos mostrou critério e capacidade para guardar bola enquanto não tinha solução de passe

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Arouca vs Benfica - O que é preciso para ser um grande?





Normalmente equipas grandes são as que lutam pelo título e assentam o seu jogo em duas premissas, que estão interligadas, fazer com que o jogo se desenrole durante boa parte do tempo no meio-campo adversário e ter uma reacção forte à perda da bola que, precisamente, impeça o opositor de chegar à sua área.

No jogo frente ao Arouca, o Benfica teve um volume de jogo assinalável e facilmente o resultado poderia ter sido outro, no entanto, ficaram evidentes as dificuldades no momento de perda de bola, obviamente relacionados pela forma como a equipa ataca. E se é verdade que os encarnados passaram boa parte do tempo no meio-campo arouquense (domínio consentido) não é menos real que a equipa de Lito Vidigal causou sistematicamente problemas em contra-ataque. E quem quer ser grande mesmo com domínio territorial não pode "pôr-se a jeito" tantas vezes...

A questão da transição defensiva do Benfica começa quando têm bola (como quase sempre). Os 4 jogadores da frente, Ola John, Gaitan, Jonas e Mitroglou parecem dar profundidade muito cedo, estão sistematicamente entre linhas, o que por um lado dificulta a fluidez do jogo ofensivo, com a equipa distante a atacar, e por outro faz com que sejam rapidamente batidos no momento da perda de bola.

Pizzi e Samaris ficam responsáveis por um espaço muito vasto. Andaram constantemente indecisos entre sair a pressionar (e por vezes fizeram-no demasiado tarde com reacção lenta à perda) ou esperar e juntar à linha defensiva. A verdade é que o Arouca, também por inquestionável mérito próprio, conseguiu sair quer pelo corredor central, quer pelos extremos aproveitando o adiantamento de Eliseu e Nelson Semedo

Para terminar, uma das principais diferenças em relação aos últimos anos. O comportamento da linha defensiva. Desde logo muito condicionada pela acção do avançado Roberto que ao dar o máximo de profundidade possível "convidou" os centrais benfiquistas a recuar, algo difícil de imaginar há poucos meses atrás. Os defesas benfiquistas preferiram quase sempre baixar do que retirar espaço e jogar com o fora-de-jogo e quando assim não foi a indefinição foi visível e o Arouca conseguiu expor as costas da linha defensiva.

A época será longa e é prematuro retirar grandes conclusões pelo que aconteceu nos primeiros dois jogos do campeonato. Ainda assim não deixam de ser sinais preocupantes as dificuldades que o Benfica teve para se impor no jogo com o Estoril, que adoptou uma postura mais pressionante e com bola durante mais tempo, e agora em transição defensiva frente ao Arouca que baixou o bloco. Mas como se escreve numa análise lúcida no jogodirecto falta saber se o Benfica melhorará e terá a consistência suficiente para garantir um elevado registo pontual semelhante a épocas recentes





sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Como Defende O Borussia Dortmund

No final do jogo da primeira jornada frente ao Borussia Monchegladbach o novo treinador do Borussia Dortmund elogiou a forma como a equipa defendeu. Apesar dos 4 golos marcados, o aspecto que mais salta à vista, nomeadamente numa fase tão precoce da temporada, é a forma como os comandados de Tuchel conseguiram anular o ataque adversário com comportamentos defensivos aparentemente bem adquiridos. Ainda que o Monchegladbach tenha facilitado a tarefa com assinalável passividade dos jogadores da frente que comprometeram os colegas de trás em zonas precoces da construção.

A defender o Dortmund estruturou-se em 4x4x2, alternativa 4x1x4x1, começando cedo a condicionar a construção adversária. Muita gente no corredor central leva jogo a ser dirigido para as laterais. Duplo-pivô do meio-campo muito preocupado em assegurar a devida cobertura ao extremo que saia na pressão ao lateral. Constante pressão sob o portador da bola

Especial chamada de atenção para o comportamento da linha defensiva. É talvez onde reside a maior diferença para anos anteriores em termos defensivos. Apesar de continuar alta com elementos a saírem do alinhamento para irem pressionar à frente, existe maior preocupação com o controlo da profundidade baixando no terreno quando existe condições para passe nas suas costas. 

Interessante a forma como a equipa geriu os timmings de pressão ao portador da bola. Se é verdade que esse é um pilar dos princípios defensivos também foi claro que a equipa, nomeadamente a linha defensiva, não arrisca em demasia para sair a pressionar, nomeadamente os laterais que preferem sempre resguardar as suas costas.
Sendo que, existem aspectos a rever, por exemplo o espaço entre linhas no corredor central quando o duplo-pivô sai a pressionar e que pode dificultar o controlo de jogo directo adversário (o Dortmund sofreu dois golos ontem na Noruega desta forma) as indicações dificilmente poderiam ser melhores nesta fase da temporada 





No momento de perda de bola os comportamentos do Dortmund mantêm-se. Quase sempre dois médios atrás da linha da bola juntamente com lateral do lado contrário muito por dentro para impedir saídas e jogo directo devidamente direccionado com constante pressão ao portador. Equipa muito junta permite que os jogadores da frente recuperem rapidamente. Nota mais uma vez para os jogadores da linha defensiva que apesar de activos na pressão têm quase sempre como prioridade que a bola não entre nas suas costas, o que por vezes permite algum espaço ao adversário mas assegura controlo de profundidade sem se desorganizarem e dá tempo para restante equipa baixar 


terça-feira, 15 de julho de 2014

Alemanha vs Argentina - Variações Tácticas da Final


O jogo começou como seria de esperar com a Argentina num bloco mais baixo, duas linhas de 4, com Messi e Higuain adiantados, ainda assim mais próximos da linha média se tivermos em consideração os jogos anteriores. Os alemães e com a ausência de Khedira, optaram por inicialmente manter uma estrutura mais fixa com Schweinsteiger e Kroos permanentemente a jogar fora do bloco argentino, colocando Kramer, Muller e Ozil entre linhas, nota para o jogador do Arsenal que várias vezes, nesta fase, abandonou o corredor esquerdo para ocupar zonas centrais.

Tal como nos restantes jogos do Mundial, os alemães conseguiram colocar a bola no espaço à frente da linha defensiva adversária com alguma facilidade e inusitada frequência, mas aí voltaram a ter dificuldade em definir. Se a densidade numérica nessa zona ajudou a receber bola, a verdade é que dada a pouca projecção do lateral Howedes e a pouca mobilidade do duplo-pivô ajudam a explicar a pouca largura, tendo quase invariavelmente os alemães tentado optar por combinações no meio através de tabelas ou envolvendo 3 jogadores a poucos toques. 

Com a substituição de Kramer por Schurrle ainda durante a primeira parte, Ozil passa em definitivo para o meio e o jogador do Chelsea passa a dar largura à esquerda. Ozil tenta assumir maior protagonismo na construção que Kramer, recuando para ter bola e não se limita a jogar de costas para baliza adversária, juntamente com a largura de Schurrle cria outro tipo de problemas aos argentinos. Ainda que esta estratégia tenha o reverso da medalha, porque foi neste período que a Argentina teve mais bola, dada alguma perda de fluidez na circulação de bola.

Por fim, a mudança provocada por Sabella ao substituir Lavezzi por Aguero. Como seria expectável, desfez as duas linhas de 4, com o jogador do Manchester City a ocupar zonas mais centrais. Consequentemente a Argentina defendeu com 7 jogadores várias vezes (4+3 ou em alternativa 5+2), nomeadamente a partir do momento que a Alemanha começava a circular bola no seu meio-campo. Os alemães sempre na procura do corredor central nem sempre tiveram a paciência necessária para ultrapassar a Argentina, sendo visível uma procura nem sempre criteriosa pela profundidade e o espaço nas costas da defesa. Em todas as fases do jogo realce para a forma como as referências à largura alemãs acabaram por fixar os laterais argentinos potenciando o espaço entre central e lateral que a Alemanha tentou explorar

Nota para o golo que acaba por entregar o Mundial à Alemanha. Schurrle baixa para ter bola, conduz à largura até ao espaço previamente aclarado por Goetze que acaba por finalizar nas costas dos centrais argentinos após cruzamento. Curiosamente não foi pelo corredor central, nem através de combinações curtas, que os alemães chegaram ao golo

(Este é o último post sobre o Mundial 2014. O blog entra agora em período de férias. Qualquer contacto pode ser realizado através do email do blog ou via facebook.)

sexta-feira, 11 de julho de 2014

A Abordagem Estratégica do Brasil. A Questão da Cobertura Alemã



Comecemos pela abordagem do Brasil ao jogo da meia-final, nomeadamente do ponto de vista defensivo. A equipa procurou condicionar a Alemanha logo no momento da perda de bola e tendo em conta o número de jogadores atrás da linha da bola não se pode dizer que foi por aí que os brasileiros se expuseram para sentirem tantas dificuldades.

Desde logo verificaram-se alguns comportamentos já descritos aqui na análise do jogo frente à Croácia. A pressão mais alta do Brasil levou a que um dos médios do duplo-pivô se adiantasse para pressionar, acompanhando o jogador alemão que saia fora do bloco para receber. No entanto, não tinha a devida cobertura o que permitiu à Alemanha jogar entre linhas com alguma facilidade. E aqui nota para um dos principais problemas brasileiros: a distância entre Luiz Gustavo e Fernandinho, duplo pivô foi sempre considerável o que potenciou o espaço no corredor central. O Brasil tentou ocupar o espaço entre linhas com um dos centrais a entrar nesse espaço, mas a linha defensiva baixava bastante e o espaço mantinha-se. Outro ponto importante da pressão mais alta foi o adiantamento dos laterais, nomeadamente Marcelo, tendo em conta que um dos médios que se adiantava também não é complicado perceber que as suas costas foram um foco permanente de instabilidade. Em transição, mesmo quando Luiz Gustavo ocupou o seu lugar, existiram dificuldades na abordagem individual, nomeadamente a atracção pela bola que permitiu à Alemanha avançar.

A ocupação do último terço foi igualmente temerária. A defender constantemente com poucos jogadores, o Brasil teve dificuldades. Realce para a pouca disponibilidade dos extremos em baixarem e ocuparem o espaço interior e mesmo nestas condições Gustavo e Fernandinho continuaram a sair na pressão não preservando o espaço central e sendo atraídos com a bola a entrar com frequência nas suas costas. Destaque para a resposta aos cruzamentos, sendo que, o Brasil não se precaveu para o movimento típico alemão que consiste em um jogador forçar a profundidade no momento do cruzamento para existir espaço à frente da defesa no momento de finalizar (o golo de Kroos é o melhor exemplo). Não só a linha defensiva recuou em demasia, como Luiz Gustavo e Fernandinho não estavam devidamente posicionados, bem como os extremos não se mostraram disponíveis para baixar tanto


Alemanha - Uma Questão de Cobertura



Pese embora todo o mérito alemão, e mesmo tendo em conta o avolumar de resultado que tem como consequência natural o baixar de intensidade e concentração há um aspecto teima em ser uma constante no jogo alemão.

A Alemanha estruturou-se grande parte do tempo em 4x1x4x1 quando se encontrava sem bola. Schweinsteiger fez o papel de pivô, sempre mais próximo dos centrais que dos dois médios mais adiantados e nem sempre basculando com o movimento da bola (nomeadamente quando esta se encontrava em espaços interiores). Quando um dos médios, Khedira ou Kroos, se adiantava para pressionar a bola acabava, por vezes, por entrar nas suas costas através de um passe vertical, a restante linha média nunca pareceu preparada para esta pressão do colega, parecendo um acto algo descontextualizado. Schweinsteiger um pouco longe da zona da bola e os alas (Ozil e Muller) também demasiado adiantados e abertos acabavam por ser batidos. Nota para a especial fragilidade de Muller na ocupação de espaços interiores.

Foi visível ao longo de todo o encontro a forma algo negligente como a Alemanha não garante cobertura a quem sai na pressão, o que permite, por exemplo ao portador da bola no corredor lateral ir de fora para dentro com a bola controlada, e com espaço entre linhas para explorar, até porque quando são ultrapassados, ou seja, quando estão atrás da linha da bola, nem Khedira nem Kroos são especialmente rápidos a recuar e a recuperar posição. A evitar males maiores surge a linha defensiva que apesar de numa primeira fase de construção adversária estar alta, quando surge um passe vertical para as costas dos médios tende a baixar para junto da linha da sua grande área.

A Alemanha parece estar sempre disposta a sair à pressão ao portador da bola, por vezes até com mais que um jogador, mas por vezes não enquadra um segundo ou terceiro elemento que assegure a ocupação de espaço caso o primeiro colega seja ultrapassado

terça-feira, 8 de julho de 2014

França vs Alemanha - Último Terço, Gestão da Largura. Profundidade e Ruptura



A abordagem da Alemanha no último terço ofensivo parece-me ser das questões de análise mais interessantes deste mundial. O jogo com a França confirmou aquilo que vinha sido tendência nos jogos alemães. Competência e até relativa facilidade em chegar com frequência próximo da grande área adversária em condições aparentemente favoráveis, mas também incapacidade para aproveitar esses lances da melhor maneira. De tal forma, que muitos nem chegam poder ser considerados oportunidades de golo.

Vítor Pereira no comentário, em directo, ao Alemanha vs Argélia disse por várias vezes, nomeadamente na primeira parte, que faltava profundidade ao ataque alemão. Percebo o ponto, mas na minha opinião, o que tem faltado à Alemanha é ruptura, no sentido de ultrapassar a última linha defensiva e não profundidade, ou seja, colocar vários jogadores no último terço e/ou à frente da linha da bola.

A Alemanha tem a capacidade de arrastar as linhas defensivas contrárias para zonas baixas, fruto dos movimentos em profundidade, condição acentuada com a entrada de Klose para o onze inicial. É visível que quando a equipa tem bola há a preocupação de garantir que o portador tem espaço para progredir e sendo assim há sempre no mínimo um jogador que avança e mesmo não recebendo faz baixar a linha defensiva, aumentando o espaço entre linhas. 

Contra a França, os alemães conseguiram por diversas vezes atrair os homens da frente à pressão, bem como alguns elementos do meio-campo, e depois colocar a bola entre linhas. Mas aqui começaram os problemas. Desde logo, em alguns lances a precipitação do portador da bola quando entre linhas, procurou o passe para as costas da defesa francesa quando os defesas franceses estavam em condições de controlar a profundidade e ganhar a bola (que foi regra geral o que aconteceu). Mas aquele que foi talvez o maior problema, e a origem dos restantes, incidiu na gestão da largura, nomeadamente na 1ª parte. Sempre pelo corredor central, e a receber entre linhas, faltaram soluções na minha opinião, que conferissem largura e profundidade (quantas vezes apareceram os laterais neste momento?) pelos corredores laterais, o que naturalmente permitiu aos laterais franceses ocuparem sistematicamente posições interiores, e com um risco nulo, que se traduzia em baixar sempre que necessário tornou a linha defensiva francesa difícil de ultrapassar. Ainda que num ou noutro lance a Alemanha tenha mudado de corredor criando situações de 1x1 que acabaram quase sempre em cruzamento 


terça-feira, 1 de julho de 2014

França vs Nigéria - O Critério do Pressing Francês

É bastante curiosa a forma como a França aborda o jogo sem bola, por um lado porque há uma intenção clara de aproveitar o momento em que a recupera chegando rapidamente à baliza adversária (libertando alguns jogadores da tarefa de baixa até ao último terço) e pela forma como procuram retirar partido da capacidade física de Pogba e Matuidi.

A França começou por ter uma presença forte à entrada do meio-campo adversário com os extremos a ocuparem posições interiores para pressionar. Benzema em zona central e mais próximo de Giroud formando uma primeira linha, Valbuena mais recuado. Os problemas começaram quando a Nigéria ultrapassava esta primeira fase de pressão (o que aconteceu com frequência até aos 70 minutos). Essencialmente a França negligenciou as coberturas ao homem que saia na pressão, e com a linha defensiva dada a pouca exposição na profundidade, originou espaço entre linhas para o adversário jogar.

Quando a primeira linha de pressão era ultrapassada, frequentemente Matuidi e Pogba saiam ao homem da bola (quer no corredor central, quer à esquerda onde Ambrose recebia sem oposição dada a propensão de Benzema pressionar no meio), sem a devida cobertura, sendo que rapidamente a Nigéria conseguia alcançar o último terço. E aqui começa o problema do critério, os dois homens saiam a pressionar quando o contexto parecia mais favorável a ocupar posição mais recuada que evitasse exposição entre linhas. A França aposta muito na capacidade de Matuidi e Pogba cobrirem grandes espaços, estes dois jogadores nem sempre basculam para assegurar cobertura ao colega e a disponibilidade dos extremos para baixar não foi grande.

Quando a bola chegava ao meio-campo francês maioritariamente os gauleses defenderam com 7 ou 8 jogadores. A aposta no momento de transição deixando os extremos mais libertos de tarefas defensivas é clara. Neste quadro, Matuidi e Pogba eram quem assegurava as coberturas aos laterais. E aqui surge novamente a questão do critério.  Mesmo muitas vezes com uma linha de à frente da defesa e com pouco apoio próximo em bloco baixo, o meio-campo francês não abdicou de sair a pressionar o portador da bola. Novamente surgiram os problemas verificados à frente. Quem pressionava não tinha cobertura e os nigerianos conseguiram jogar entre linhas. Consequência da pouca presença numérica nesta zona foi também, e naturalmente, a facilidade com que os nigerianos conseguiram mudar de corredor e ganhar vantagem nos corredores laterais com hipótese de cruzamento, nomeadamente com a subida constante dos laterais.

A outra face da moeda foi o perigo que a França representou no momento em que ganhava a bola. Com Valbuena, Benzema e Giroud prontos para atacar só alguma falta de critério não permitiu que as condições favoráveis que criaram resultassem em golo. Nota para a tentativa de pelo menos dois jogadores conferirem num primeiro momento profundidade arrastando advesário para Pogba e/ou Matuidi surgirem rapidamente no apoio ao portador da bola com espaço e assim avançarem para o meio-campo contrário

sábado, 28 de junho de 2014

Portugal vs Gana - Postura Defensiva Ganesa e Resposta Portuguesa

Dadas as circunstâncias, o Portugal vs Gana seria sempre um jogo onde ambas as equipas teriam como prioridade ao longo da partida chegar ao golo, o que deixava antever um jogo aberto. Portugal foi sempre quem melhor pareceu adaptado a estas necessidades ao longo da partida, não comprometendo desde cedo, outros aspectos para atingir o objectivo.

O video, que não contem lances da 2ª parte por impossibilidades técnicas, traz alguns lances onde é visível a forma como facilmente o Gana defende com sete e até seis jogadores no último terço durante algum tempo, permitindo a Portugal entrar dentro da sua estrutura com alguma facilidade. 

Factor chave para esta situação o facto de os extremos ganeses (André Ayew e Atsu) não baixarem para junto dos dois médios ou quando o faziam não fecharem o corredor central ocupando espaço interior. O Gana defendeu em vários momentos com a linha defensiva mais os dois médios-centro próximos da sua área o que levantou naturalmente alguns problemas.

Portugal retirou algum proveito desta estratégia ganesa. Em fases precoces de construção conseguiu soltar o lateral, nomeadamente João Pereira, que se viu em condições de transportar a bola (e o jogo) para o meio-campo ganês, foi assim que o lateral do Valência cruzou para a oportunidade desperdiçada por Ronaldo. Quando construiu pelo meio, e porque passada a primeira fase de pressão nem sempre os avançados africanos participavam defensivamente, Portugal foi encontrando com alguma frequência espaço entre linhas, e mesmo quando a bola entrava aí, muitas vezes os extremos ganeses não baixaram para auxiliar defensivamente. Mesmo com construção central a última solução passou quase sempre por procurar a largura e consequente cruzamento também porque a linha defensiva baixava bastante. Ainda assim e dado o espaço  "oferecido" Portugal ter tentado outras hipóteses com maior frequência como o passe para trás (último lance do video) ou a procura do espaço em profundidade entre central e lateral, para dar alguns exemplos

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A Construção Italiana. Mudanças e o Protagonismo dos Centrais - Causa ou Consequência


No final do jogo com a Inglaterra fui bastante elogioso perante a circulação de bola italiana, sendo a que mais me impressionou, até ao momento, neste Mundial.

Com a Costa Rica já tinham sido visíveis algumas mudanças (Motta titular, e portanto menos presença em zonas precoces da construção) e mais procura de lançamentos longos para os avançados, mas no último jogo contra o Uruguai as alterações foram ainda mais longe.

Desde logo a estrutura. A Itália apresentou-se com 3 centrais que dadas as circunstâncias assumiram um protagonismo algo inesperado no ataque, nomeadamente Chiellini à esquerda e Barzagli à direita. Com dois avançados declarados no corredor central e que davam bastante profundidade, ainda que pontualmente recuassem para dar apoio entre linhas, e com Marchisio (um dos médios centro) a procurar dar profundidade), a Itália perdeu capacidade para jogar entre linhas, dentro do bloco adversário como fizera primeiro jogo. Com os jogadores distantes entre si, mesmo quando alguém recebia bola nesse espaço, quer para avançado através de jogo directo, quer para médio através de passe vertical, o portador da bola frequentemente não tinha apoio frontal próximo.

Mais do que falta de presença entre linhas, que também aconteceu, o que saltou à vista foi a incapacidade italiana de ligar jogo dentro do bloco adversário. O facto de ter jogadores muito profundos e adiantados permitiu aos aos centrais italianos espaço para conduzir no meio-campo uruguaio, nomeadamente Chiellini que procurou quase sempre a largura dada pelo externo De Sciglio. Mas referência para a incapacidade de mudar corredor no último terço, e algumas decisões discutíveis com bola, porque ao contrário do jogo com a Inglaterra, a Itália ao chegar próxima da área do Uruguai procurou cruzar, mesmo com poucas condições não procurando referências por trás para continuar a circular (que valha a verdade não existiam).

A Itália acabou por ser melhor quando um dos médios, nomeadamente Marchisio se juntava aos centrais e também dava largura. Uma vez que o Uruguai com uma última linha de 5 homens não colocava tanta gente no corredor lateral, a Itália conseguiu progredir desta forma, ainda que os lances acabassem quase invariavelmente com cruzamento

sábado, 21 de junho de 2014

EUA - Algumas Notas. O Que Pode Encontrar Portugal

Deixo aqui a pouco mais de 24 do jogo de amanhã, uma breve análise aos 4 momentos de jogo dos EUA frente ao Gana, ficando a faltar as bolas paradas. Do jogo do Gana fica por saber se o selecionador repetirá alguns aspectos nomeadamente a pouca participação dos avançados em organização defensiva









Organização Ofensiva


  • Globalmente os EUA fazem muito uso do jogo entre linhas onde um dos avançados, mais frequente Dempsey, aparece com regularidade. Apesar de recorrerem bastante a passes verticais, acabando o jogador que recebe esses passes de costas para a baliza há a clara intenção dos colegas de conferirem apoio frontal, sendo este talvez um dos pontos mais fortes da equipa. Os laterais aparecem sempre projectados e são solicitados no último terço, em dinâmica do 3º homem, após jogador que recebe de colega entre linhas solicitá-los à largura e profundidade. Outra característica a ter em conta, e que estão ligadas às anteriores são as constantes mudanças de corredor.
  • Os EUA tentam sempre sair a jogar curto. Bradley apesar de ser o médio ofensivo baixa para junto do pivô, sendo por vezes quem recua para junto dos centrais formando uma linha de 3 (opção recorrente). Os médios interiores começam por dar bastante profundidade, ainda que pouca largura, mas a intenção passa por recuar para serem linhas de passe. Se recebem de costas procuram apoio de médio-centro, se conseguem rodar tendem a procurar lateral que aparece à largura em profundidade. Ainda que quando os EUA consigam sair a circulação ganhe qualidade, parece que se forem condicionados no seu meio-campo são forçados a jogar longo, e em dificuldade para avançado
  • Quando alas dão largura e existe oportunidade também podemos ver um dos avançados a entrar no espaço entre central e lateral. Pode receber de costas e procurar apoio frontal, ou aparecer entre linhas após ter recuado, como Dempsey no primeiro golo. Nota para o movimento dos avançados que quando têm espaço tendem a afastar-se para proporcionar ao colega espaço para progredir com bola.

Organização Defensiva

  • EUA com duas linhas de 4 jogadores em bloco médio baixo. Avançados pouco participativos, permitem constantes mudanças de corredor ainda que por fora do bloco. Em construção baixa são atraídos por referências individuais e não têm como prioridade ocupar corredor central. Nota para apesar da presença no corredor lateral, a equipa não ser especialmente pressionante sobre a bola, o que permitiu ao Gana cruzar com alguma facilidade 
  • As duas linhas de 4 são compactas entre si, ainda que existam alguns pontos a explorar. Desde logo a cobertura dos médios quando a bola se encontra no corredor lateral. Nomeadamente Bradley nem sempre assegura a cobertura ao ala acabando por existir algum espaço entre linhas passível de ser explorado, e facilitando a entrada da bola entre central e lateral. O golo ganês é o espelho deste ponto. No momento em que o lateral ganês conduziu para dentro, Jones (ala) não fechou espaço interior, lateral foi arrastado para fora e Bradley não ocupou espaço entre linhas permitindo a avançado ganês receber entre central e lateral
  • Quando a bola se encontrava no último terço, os médios tendiam a realizar cobertura um pouco distantes da zona da bola e próximos dos centrais, deixando assim espaço à frente da linha defensiva.. Esta situação tornou-se clara quando com alguma facilidade os extremos ganeses conseguiram conduzir para dentro (ainda que eu ache possível envolver mais jogadores para retirar maior partido da situação).

Transição Defensiva
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  • Os EUA revelam também aqui alguns aspectos passíveis de serem explorados pelos portugueses. Como foi escrito acima em construção baixa, Bradley recua dando os médios interiores bastante profundidade, juntamente com um lateral. Quando os EUA perdem bola nesta fase, a equipa pode ficar exposta, e com alguma facilidade com um passe colocar 3 ou 4 jogadores atrás da linha da bola, ficando pela frente somente a sub-estrutura de equilíbrio Beckerman e 3 jogadores da linha defensiva.

  • Dada alguma exposição a linha defensiva dos EUA tende a recuar, o que naturalmente deixa algum espaço ao meio para progredir, o que aconteceu contra o Gana. Os ganeses não se limitaram a aproveitar o espaço concedido ao meio numa primeira fase, mas depois apareceram à largura para aproveitar o adiantamento do lateral que se havia projectado no momento ofensivo  anterior dos EUA


Transição Ofensiva


  • Os EUA apostam bastante no momento em que ganham a bola, ainda que, no jogo com o Gana estivessem um pouco abaixo nesse aspecto daquilo que podem fazer, também porque alguns passes relativamente fáceis e tomadas de decisão não foram as melhores.
  • Os EUA têm alguma vantagem neste momento porque têm dois jogadores, os avançados, que pouco participam na organização defensiva, nomeadamente quando o bloco é mais baixo. Assim colocam com facilidade 3 jogadores adiantados (por norma um ala) em zonas adiantadas. A restante equipa também é rápida a adiantar-se, nomeadamente os dois médios. Repetem-se alguns movimentos da circulação ofensiva, nomeadamente a procura de um avançado entre linhas. Procura de profundidade por um ou dois jogadores (avançado sem bola tende a ir na profundidade) permite ao jogador com bola ter espaço para progredir. Bradley apesar de ser rápido a incorporar-se pode ficar recuado para assegurar mudança de corredor, com jogadores do lado contrário ao inicial a também chegarem ao meio-campo adversário com alguma facilidade

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Espanha vs Chile - O Ataque ao Último Terço. A Fragilidade Espanhola

Começo por fazer referência ao que foi escrito no jogodirecto não só por concordar na íntegra, mas para destacar o "volume de erros técnicos" que prejudicou a posse espanhola e que foram de todo inesperados e invulgares.

O video e o motivo deste post, prendem-se com a incapacidade demonstrada pelos espanhóis em circular a bola com qualidade no meio-campo adversário, mesmo em circunstâncias aparentemente vantajosas. Ao contrário da Holanda, o Chile optou por pressionar mais à frente incomodando os centrais, o que levou a Espanha em algumas ocasiões a procurar o jogo directo, mas também permitiu chegar ao meio-campo chileno com frequência assinalável, ainda que a linha defensiva chilena (muitas vezes de 5 elementos), baixasse consideravelmente diminuindo o risco de passe para as suas costas.

Com a pressão alta do Chile a Espanha procurou garantir presença fora do bloco para fazer a sua habitual circulação de bola. Iniesta baixou para junto de Alonso e Busquets com alguma frequência e Silva também se chegou a juntar. Isto fez com que  Diaz e Aránguiz se adiantassem para pressionar, partindo o bloco chileno deixando muito espaço entre linhas. Mas aqui começavam os problemas espanhóis. Com tanta presença atrás e muitas vezes com Pedro e Diego Costa preocupados em assegurar profundidade a verdade é que a Espanha criou espaçou mas não teve aí grande presença. Com alguma frequência jogadores recebiam bola entre linhas, já próximos da área adversária mas com poucas soluções para dar seguimento aos lances. Diego Costa, David Silva e Iniesta passaram por esta situação. Fundamentalmente, e talvez devido à ânsia do resultado, a Espanha não soube temporizar entre linhas e assegurar o devido apoio algo que fazia com qualidade em tempos não muito distantes

Já havia sido algo visível contra a Holanda e voltou a repetir-se. A tentativa de procurar Diego Costa na profundidade quando existiam poucas condições para o espanhol receber bola, nomeadamente porque a defesa chilena baixava (nota para o pouco critério de Silva). Depois se a largura de Pedro permitiu mais espaço ao meio, a verdade é que também procurou profundidade em situações onde talvez se pedisse um apoio mais dentro ao colega entre linhas. Silva e Iniesta, principalmente na primeira parte coincidiram várias vezes à esquerda, o que retirou à Espanha fluidez na circulação de bola, mas também dificultaram mudanças de corredor no meio-campo  adversário, que voltaram a não acontecer. 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Alemanha vs Portugal - Questões Defensivas



A estratégia de Portugal passava por condicionar cedo a construção alemã. Moutinho e Hugo Almeida inicialmente expectantes mas com o avançado a ter ordens para se adiantar e impedir o passe entre centrais quando Mertesacker recebia um passe dos médios. Ponto importante a destacar é a importância dada ao pivô. Portugal nem sempre foi competente, mas o objectivo de pressionar Lahm foi evidente com Raul Meireles ou Veloso a adiantarem-se para condicionar a acção do jogador do Bayern. Quando João Moutinho apareceu na zona de Lahm a pressão não foi tão efectiva.

Portugal teve muitas dificuldades em controlar o jogo pelo seu corredor direito, contribuindo para isso também a estratégia alemã. Portugal optou por garantir presença à entrada do meio-campo alemão tentando impedir aí a construção. A articulação entre Meireles e Ronaldo acabou por ser um problema com a bola a entrar  várias vezes entre linhas no espaço entre os dois. Ronaldo teve bastante dificuldade em recuar para os últimos metros e pareceu sempre demasiado adiantado dada a boa projecção do lateral Boateng. Meireles acompanhou Khedira quando este baixou para zonas próximas do pivô, deixando algum espaço entre sectores que nem sempre Veloso e raramente Moutinho foram capazes de preencher, permitindo à selecção alemã algum espaço para construir. Cabendo aos centrais portugueses, nomeadamente Bruno Alves, avançarem para o espaço entre linhas

Decorrente do escrito acima, Portugal no seu meio-campo defendeu por vezes nos últimos 30 metros com 7 jogadores. E aqui referência a Moutinho que numa pressão mais alta poderia ser um elemento chave para recuar e realizar cobertura nomeadamente a Meireles bastante exposto na primeira parte. Mesmo que a estratégia passasse por colocar o jogador do Mónaco numa posição mais central para impedir rápidas mudanças de corredor, a verdade é que a Alemanha conseguiu chegar ao último terço somente utilizando o lado direito.

Se existem aspectos a rever por Portugal é impossível analisar este jogo sem mencionar o mérito alemão. Tendo o adversário referências individuais, a Alemanha optou pela mobilidade dos seus jogadores. Muller a avançado, caiu frequentemente no espaço entre linhas ou à largura arrastando Bruno Alves, com Khedira a entrar no espaço deixado livre. A profundidade dada por estes dois jogadores e por vezes Ozil, fez com que a linha defensiva portuguesa baixasse deixando mais espaço para entrar com bola no meio-campo ofensivo, bem como aproveitar o espaço entre Meireles (na ajuda ao lateral) e Veloso, como aconteceu no lance do penalty que resultou no primeiro golo.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Inglaterra vs Itália - A Construção Italiana



Já não é de agora, nem certamente novidade, mas é cada vez mais evidente que Prandelli alterou a tradicional forma de jogar da selecção italiana. É verdade que os ingleses tiveram dificuldade em controlar o espaço, a começar pelos dois jogadores mais adiantados Sturridge e Sterling, mas o mérito italiano é inquestionável.

Desde logo a opção por colocar três médios em zonas centrais e permanentemente fora do bloco inglês. Pilro, De Rossi e Verratti conseguiram atrair através de uma circulação baixa os seus adversários expondo a Inglaterra ainda mais no espaço entre linhas. E aqui chegados, referência para alguma assimetria existente. Se à esquerda Marchisio foge regularmente para zonas centrais e até próximas de Balotelli para receber bola, Candreva procura zonas interiores à direita e tem constantemente o apoio do lateral Darmian. Candreva explorou várias vezes o espaço entre central e lateral ao aparecer na profundidade quando Darmian tinha bola (2º golo italiano, por exemplo) Numa equipa que valoriza tanto o corredor central a largura é assegurada essencialmente pelos laterais que são solicitados quando o meio está fechado quer para dar alguma redundância à posse de bola, quer em profundidade (mais Darmian) nas costas da defesa adversária através de um passe longo. Mesmo com a bola no último terço a Itália sabe quando distinguir quando não é possível progredir e aí a solução passar por procurar os médios atrás para estes com espaço procurarem jogar nas costas da defesa contrária, num movimento que ocorreu várias vezes e não pareceu inocente.

Última referência à construção italiana para o momento em que a Inglaterra se encontrava em bloco baixo com quase todos os jogadores próximos da sua área. Constantes mudanças de corredor, com os laterais a conferirem largura e a terem um papel importante na circulação de bola, sempre com apoio recuado por trás. Nestas situações um dos três médios mais recuados avançou para o espaço entre linhas, algo não muito visto noutro tipo de lances.

Nem sempre o momento de perda da bola correspondeu à qualidade ofensiva demonstrada. Não tanto por uma exposição excessiva quando a equipa tinha a bola, mas antes por algumas falhas de posicionamento e/ou de reacção à perda. O jogador italiano mais próximo da bola nesse momento tenta efectuar pressão, acontece que várias vezes um dos 3 médios mais afastados não dava a cobertura devida, deixando muito espaço no corredor central passível de ser explorado (no golo da Inglaterra acresce a má abordagem de Verratti ao fechar à direita). Nota também para alguma dificuldade em compensar as constantes subidas dos laterais. A opção dos centrais foi sempre baixar, retirando profundidade e aumentado o espaço entre sectores, mas estiveram várias vezes bastante expostos ao contra-ataque inglês

domingo, 15 de junho de 2014

Espanha vs Holanda - Estratégia Holandesa. Mérito e Questões Para o Futuro


A maioria das equipas quando defronta a Espanha tenta manter um bloco médio-baixo, com as linhas compactas impedindo que os espanhóis joguem dentro da sua estrutura. Esta forma de estar implica geralmente ausência de pressão aos jogadores que se encontram fora do bloco. A Holanda fez diferente, optou por colocar bastante gente no inicio do meio-campo espanhol, tentando com sucesso, perturbar a construção dos médios de La Roja. 

Os Holandeses tiveram numa primeira linha de pressão os 3 jogadores da frente. Sneidjer mais adiantado preocupado com pivô mais recuado espanhol, com Van Persie e Robben ligeiramente mais recuados para evitarem (e estarem preparados) para passes à largura (algo como 1+2). Depois, os dois médios de Jong e de Guzman a perseguir individualmente Xavi e Alonso (se por ventura um recuava e trocava com Busquets trocavam de jogador com Sneijder). A defensiva inicialmente composta por 5 elementos (3 centrais mais dois externos) rapidamente era desfeita quando um dos centrais se adiantava para pressionar (acabando por perseguir) ora Silva, ora Iniesta, ou mesmo outro adversário que por lá aparecesse momentaneamente. Foi assim que a Holanda, pese embora o maior ascendente adversário na primeira parte, impediu a Espanha de passar muito tempo no seu meio-campo.
A Espanha num primeiro momento não conseguiu responder. Muita procura por passes longos, ora para Diego Costa, ora à largura procurando os laterais, e pouca eficácia. Quando os jogadores recebiam de costas e pressionados não tinham apoio próximo tendo de recorrer a maioria das vezes aos centrais. Melhorou na segunda metade da primeira parte quando Alonso assumiu em construção quase o lugar de lateral esquerdo e Alba adiantou-se. Esta alteração provocou alguma dúvida a Guzman (par preferencial de quem aparecia à esquerda) e existiu mais espaço para jogar. 

Se a estratégia da Holanda foi eficaz em impedir a entrada da Espanha no seu meio-campo quando isso não aconteceu foram visíveis as dificuldades Com efeito, esta estratégia acaba por conceder bastante espaço entre linhas que não foi melhor aproveitado porque a Espanha foi incapaz de mudar corredor e colocar mais gente entre linhas no último terço. Estas questões foram ainda mais visíveis na segunda parte. Além do pressing do meio-campo não ser tão eficaz, as alterações da Espanha fizeram com que ameaçasse profundidade com frequência, obrigando a linha defensiva a recuar, expondo ainda mais o corredor central. Quando a Espanha passou a jogar com um extremo, Pedro, e Alba adiantados à esquerda a Holanda também sentiu dificuldades, pese embora a entrada de Lens para auxiliar a fechar corredor