sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Manchester United e Nápoles - Como condicionar 1ª fase de construção adversária




Existem semelhanças e diferenças na estratégia de Nápoles e Manchester United para os jogos de domingo, naturalmente com conclusões diferentes, bem como os respectivos resultados, mas o princípio pareceu ser o mesmo, direccionar o  jogo para o corredor central.

O Manchester United optou por descair o avançado Martial para a direita e a partir daí pressionar o central que enfrentava directamente, Gabriel Paulista. À esquerda, Depay (extremo) adiantava-se para sair a pressionar Mertesacker condicionando pela orientação do seu corpo o passe para o lateral. Rooney e Schweinsteiger tinham como objectivo bloquear o duplo pivô, Carzola e Coquelin. É verdade que a estratégia resultou a espaços, mas pareceu apresentar algumas vulnerabilidades. 

Desde logo a forma recorrente como o Arsenal conseguiu jogar no espaço das costas de Depay, normalmente através de procura de jogo interior, condicionado, para depois libertar no lateral que se tinha adiantado. Isto fez com que Bellarín enfrentasse Young em algumas situações de 1x1. Passada a primeira fase de pressão, o Arsenal conseguiu jogar com alguma facilidade até porque o espaço central à frente da linha defensiva (que baixava bastante) acabou por ser negligenciado entrando a bola com alguma facilidade de fora (à largura) para dentro do bloco do United, até porque Carrick, o pivô se encontrava longe da restante equipa. Outro aspecto que baralhou a estratégia do United acabou por ser os recuos de Ramsey (extremo) e Ozil (10) que garantiram alguma superioridade no meio ou então levavam ao arrastamento de Carrick.

Em Itália, o Nápoles optou por colocar Higuaín a bloquear a linha de passe entre os centrais, com os extremos, quando a bola entrava no central do seu lado, a sair à pressão e a bloquearem linha de passe para lateral. Em comparação, pareceram mais preparados que o United para o espaço nas costas de Calléjon e Insigne (os extremos) com toda a equipa preocupada em ocupar essa zona onde, naturalmente pela forma como condicionaram, a bola acabou por cair (nota para a disponibilidade dos dois interiores em perceberem este momento, Hamsik e Alan). Aliás é de uma recuperação assim que nasce o primeiro golo. Quando os médios do Milan recuavam para fora do bloco eram os dois interiores que saíam à pressão, condicionando também a acção de Montolivo (pivô)

Outra diferença para o que aconteceu em Londres prende-se com o comportamento da linha defensiva. Constantemente subida e com o lateral a adiantar-se para ocupar espaço deixado pelo extremo, se necessário.  Dificuldade esporádica em controlar jogo directo do Milan, quer quando bola caiu à profundidade no espaço entre central e lateral, quer para o meio batendo os dois interiores, fazendo com que o Milan conseguisse ganhar sistematicamente a 2ª bola pela superioridade numérica. Nota para o controlo de profundidade da linha defensiva napolitana que evitou males maiores

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Barcelona - Distância entre jogadores e gestão da profundidade


Apesar de manter níveis consideráveis de posse de bola, parece pertinente dizer que o Barcelona de Luís Enrique está distante daquilo que era a equipa com Guardiola ou Villanova, quer pelas ideias quer também por boa parte dos protagonistas terem um perfil diferente dos seus antecessores. 

Na passada terça-feira frente ao Bayer Leverkusen a dificuldade em entrar no bloco alemão e chegar ao último terço foram evidentes durante boa parte da partida. A questão que me parece mais premente no Barcelona é a grande distância entre os seus jogadores que, apesar de pontualmente trazer algumas vantagens, impediu maior envolvimento e combinações num futebol curto e apoiado próprio do clube.

Os dois interiores, Iniesta e Rakitic começaram muito profundos e distantes entre si, quase sempre no espaço entre linhas. Estes movimentos acabavam por fazer recuar um pouco a linha média adversária, dando espaço a Pique, Mascherano e Busquets (que por vezes ficava junto dos centrais formando linha de 3) para progredir, mas retiraram alguma capacidade de atrair os médios do Leverkusen que por esta altura se sentiam muito confortáveis na partida.

Os 3 jogadores da frente, Suarez, Neymar e Ramírez, permaneceram muito profundos e abertos, participando pouco na construção em zonas precoces. Pontualmente baixavam para o espaço entre linhas mas sem grande sucesso. Aliás, este foi um dos pontos mais frágeis do Barça, quem recebia a bola entre linhas não tinha apoio próximo dada a distância entre jogadores. Quando a bola entrava dentro do bloco adversário, quase sempre os da frente procuravam profundidade, sendo o portador da bola "convidado" a fazer passe para as costas da defesa.

Última nota para a circulação de bola no meio-campo adversário, com todos os jogadores do Barça a procurarem movimentos à frente da linha da bola (Mathieu e Iniesta a juntarem-se aos 3 da frente) com o portador a não ter linha de passe próxima, restando centrais e Busquets atrás da linha da bola.

Este forçar da profundidade deu vantagem pontual ao Barça, porque causou alguma dúvida às linhas do Leverkusen mas a fluidez da circulação de bola saiu comprometida. Naturalmente foi mais fácil aos alemães saírem em contra-ataque, dada a dispersão pelo campo dos catalães no momento da perda




Na 2ª parte, o Barça modificou alguns aspectos. Os laterais projectados mais cedo e mais profundos, fizeram com que bloco do Leverkusen recuasse um pouco. Neymar permanentemente entre linhas, ainda que nem sempre devidamente apoiado e com as decisões mais ajustadas. Ramírez e Suarez profundos mas sem dar largura, no corredor central, também arrastaram a linha defensiva alemã

Mesmo tendo conseguido passar mais tempo no meio-campo adversário alguns problemas da primeira parte mantiveram-se como o pouco apoio a quem se encontrava entre linhas ou a dificuldade em dirigir jogo através de trás com a reduzida participação dos interiores.

As coisas só melhoraram verdadeiramente quando o Barça passou a tentar variar o corredor de jogo mais rapidamente, colocando muitos jogadores em zona de finalização para jogadas que acabaram com cruzamento para a frente da linha defensiva alemã. Foi esta a base da superioridade catalã que até resultaram em golo.






Por fim, e como o futebol está longe de ser linear, deixo alguns lances que acabam por contrariar o que acabei de escrever acima. É visível como os comportamentos são diferentes. Vemos Suarez a sair como apoio no momento certo e não a procurar profundidade quando colega recebe bola entre linhas ou como a grande profundidade dada causou dificuldades de ajuste ao Leverkusen que permitiram ao Barça, com Iniesta a receber entre linhas com o apoio de Neymar, chegar ao último terço com relativo perigo

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Fiorentina - Distribuição Ofensiva




Apesar de aos 23 minutos estar já a vencer por 0-3, as dificuldades ofensivas por parte da Fiorentina frente ao Inter de Milão foram notórias nesse período, nomeadamente devido a algumas decisões discutíveis do portador da bola e da falta de apoio a quem recebia passe vertical, o que na forma como a Fiorentina tenta chegar à baliza adversária, é suficiente para retirar fluidez à circulação de bola. Até à expulsão do central interista Miranda, a Fiorentina assentou o seu jogo essencialmente numa organização defensiva que merece todos os elogios e no aproveitamento do contra-ataque que aproveitou a exposição do Inter.

Ainda assim, as ideias interessantes de Paulo Sousa são visíveis e esta não deixa de ser uma equipa a acompanhar com todo o interesse pelo que faz quando tem a bola. Trago dois lances que parecem ser sintomáticos daquilo que poderá ser a Fiorentina esta época, com especial destaque para a forma como os jogadores se distribuem em campo.

Estruturados em 4x2x3x1 existe saída a 3 jogadores pela linha mais recuada, não como é habitual baixando o pivô, mas com o lateral direito junto dos centrais, ficando Alonso, lateral esquerdo, mais adiantado. O duplo pivô permanentemente fora do bloco adversário a tentar dirigir jogo com Kuba, extremo direito, a dar largura no seu lado (ainda que recuado) e Valero à esquerda a ocupar espaços interiores com Ilicic e Kalinic (10 e avançado) muitas vezes entrelinhas.

O que têm em comum os lances do video, é o aproveitamento dado pela subida precoce de Alonso à esquerda. Fica a existir um espaço livre onde aparece Valero (da frente para trás) e consequente apoio de um dos elementos do duplo pivô. A primeira jogada segue para o corredor central, no espaço entre linhas através de um passe vertical de Badelj onde a Fiorentina tem 3 jogadores, a segunda, que acaba por dar o terceiro golo, é toda realizada no espaço interior com Vecio a ter espaço para progredir e procurar o apoio de Valero

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Como Jogar Dentro do Bloco Adversário - Uma Questão de Envolvimento




A propósito da jornada de ontem da liga dos campeões trago dois lances com algumas semelhanças e, apesar de algum demérito defensivo dos respectivos adversários, onde é visível o envolvimento de quem ataca dentro do bloco adversário.
Actualmente o espaço entre a linha média e a linha defensiva de quem defende é bastante valorizado, o chamado espaço entre linhas. O que não é tão discutido, e na minha opinião de forma incompreensível, é o seguimento que a bola toma após entrar nesse espaço, bem como de que forma a equipa está preparada para aproveitar uma possível vantagem de tempo/espaço que possa eventualmente ter. Não raras vezes quem recebe entre linhas encontra-se sozinho, permanecendo os colegas estáticos ou somente a procurar entrar em profundidade nas costas da defesa adversária. Nestas circunstâncias é mais acessível para quem defende neutralizar o ataque adversário.

Em Zagreb, o Dinamo protagonizou uma das surpresas da jornada ao vencer o Arsenal. No seu primeiro golo, um passe vertical do central para o espaço entre linhas onde Pjaca (neste jogo uma espécie de falso 9 que recebeu várias vezes a bola nestas condições) recebe. O croata tem dois apoios próximos, Paulo Machado e Soudani. O português, o homem mais adiantado da equipa no momento do primeiro passe aproxima de Pjaca à medida que a linha defensiva recua. Depois o jogo roda para o lateral esquerdo entrar de trás para a frente e fazer golo. Neste lance há sistematicamente quem se aproxime a afaste da bola o que permite apoios ao portador mas também criar dúvida na defesa adversária.

Em Leverkusen, o Bayer bateu o BATE Borisov por 4-1 e o primeiro golo também começou num passe entre linhas do central para Çalhanoglu. Existiu aproximação de Bellarabi que tabelou com o turco. O movimento de Bellarabi arrastou um central bielorrusso e foi nesse espaço que apareceu o avançado da equipa alemã, Chicarito em profundidade. Estava criado o desequilíbrio

Em ambos as situações o passe entre linhas foi efectuado naquilo a que no blog tendo a chamar espaço interior (uma zona imaginária entre o corredor central e corredor lateral) e que em inglês é conhecido como half-space. Mais sobre este assunto pode ser lido num interessante artigo no spielverlagerung.com


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Chelsea - Organização Defensiva



Quase tão surpreendente como os 4 pontos do Chelsea em 15 possíveis na Premier League é a quantidade de golos sofridos. 12 golos encaixados em tão curto espaço de tempo é um registo, no mínimo, improvável para uma equipa treinada por Mourinho, sendo até a pior defesa do campeonato no momento

Dois aspectos que saltaram à vista no jogo com o Everton que estando relacionados, condicionaram os "blues", a incapacidade de controlar sistematicamente o jogo adversário pelo corredor central e o conservadorismo da linha defensiva sempre muito baixa e disposta a recuar sem nunca se adiantar (o Everton não teve um fora-de-jogo assinalado em todo o encontro).

O Chelsea apresentou-se a defender em 4x4x2. Os dois da frente tentaram pressionar as saídas curtas adversárias muito à frente, mas a restante equipa não acompanhava e permanecia recuada fazendo com que Diego Costa e Pedro (em alternativa Fabregas) fossem sistematicamente ultrapassados.

A defender com duas linhas de 4 a linha média (Mikel, Matic, Hazard, e à vez Fabregas ou Pedro) não se revelou especialmente preparada. Quando um elemento saia à pressão, nomeadamente no corredor central, colegas não ajustavam ao fechar espaço interior/dar cobertura o que, juntamente com uma linha defensiva especialmente baixa, permitiu que a bola entrasse nas costas de quem pressionava, e uma vez ultrapassados os médios do Chelsea não eram especialmente rápidos a recuperar. Extremos fixados nos laterais que se projectavam com regularidade encontravam-se por vezes demasiado abertos para controlar espaço interior/corredor central. 

Como já foi referido a linha defensiva teve como comportamento fundamental ir baixando para a zona da sua grande área, isto fez com que o Everton tivesse espaço no corredor central para progredir. Apesar de por vezes um defesa sair à pressão a quem se encontrava entre linhas o Chelsea esteve longe de ser uma equipa compacta (o que também fez com que os toffees ganhassem 2ªs bolas quando recorriam ao jogo directo). Ao contrário do que acontecia por exemplo no seu Real Madrid onde parte da equipa baixava muito levando o jogo propositadamente para zonas recuadas com a intenção de sair com 3/4 jogadores para o contra-ataque que permaneciam sempre adiantados, neste jogo essa não pareceu ser a intenção de Mourinho.

Última referência para o momento das substituições. Após a entrada de Falcão (que fez dupla com Diego Costa no ataque) Pedro passou para o meio, aí o Chelsea continuou a revelar problemas defensivos, com a equipa a baixar e a defender com 7 jogadores atrás da linha da bola junto à sua grande área, pois os avançados não recuavam e o espanhol permanecia ligeiramente mais adiantado

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Bayern Munique - A Inovação Está A Passar Por Aqui

Poucos treinadores no futebol europeu serão tão dados a inovações de jogo como Guardiola, nomeadamente na forma como dispõe as peças em campo, o que acaba naturalmente por ter repercussões na dinâmica que as suas equipas apresentam.

Talvez por mera circunstância estratégica de jogo (para evitar o previsível pressing no corredor central do adversário) ou por convicção de ideia para a nova época, Guardiola voltou a dispor os seus jogadores de forma original até ao minuto 73 altura em que passou a jogar com 4 defesas

À linha de 3 atrás (formada sem qualquer central de origem) juntava-se pontualmente Xabi Alonso. Concederam largura à 1ª fase de construção mas pouca profundidade encontrando-se praticamente paralelos. Mas aqui começam as novidades. Os três jogadores do meio-campo, Vidal, Muller e Thiago andam por terrenos inesperados A ideia parece ser fazer a bola chegar aos extremos (Robben e Douglas Costa) em situação favorável para entrar no duelo 1x1 com adversário, contando também com presença no meio para fazer rodar jogo entre corredores laterais. Robben e Douglas Costa estão sistematicamente abertos e profundos e são não raras vezes os jogadores mais adiantados da equipa, conseguindo fazer baixar a linha defensiva do Leverkusen condicionada pela sua acção. Mas como já referi a grande novidade, prende-se com o posicionamento de Vidal, Muller e Thiago principalmente na 1ª fase de construção. Thiago à esquerda, Muller e Vidal mais à direita são quem dá largura em zonas mais precoces estando constantemente paralelos (ou praticamente) aos extremos. O facto de se afastarem da 1ª fase de construção dos jogadores de trás faz também com que a linha média do Leverkusen recue conferindo espaço aos colegas mais recuados para jogar.

Nesta forma de jogar, Thiago e Vidal acabam por funcionar como apoios recuados aos extremos, ainda que conforme ditem as circunstâncias possam pisar terrenos mais centrais (até podem coincidir no meio, formando uma espécie de duplo pivô). Muller normalmente mais adiantado descai muito para os corredores laterais (mais para a direita) onde pode disputar a 1ª bola vinda de jogo longo e/ou garantir presença para fazer jogo prosseguir através de 2ª bola. Aqui também referência para o lado estratégico do jogo. Com o Leverkusen a tentar garantir uma pressão mais alta, o Bayern mostrou-se quase sempre mais preparado para a 2ª bola que caia nas costas da linha média adversária com Vidal a ser especialmente forte a aproximar dos da frente e a ficar com bola.

O trio atrás mais Alonso ganhou especial protagonismo na construção. Alternaram a procura pelos corredores laterais, ora directamente para extremo encarar situação de 1x1, ora para jogo longo através do apoio de Muller, com a procura de passe vertical (potenciado pela distância da linha média que "obriga" o Leverkusen a ajustar-se e a dar espaço) para o meio, mesmo nesta última situação os extremos não procuram espaço interior e a finalidade parece sempre que a bola lhes chegue em boas condições à largura. Dada a presença em largura da equipa é normal que quem receba a bola no meio de costas para baliza adversária nem sempre tenha o devido apoio frontal, tão característico das equipas de Guardiola

Nota final para Lewandowski, naturalmente com Robben e Douglas Costa tão profundos a fixar linha defensiva, o polaco ganha maior liberdade para recuar e receber com algum espaço entrelinhas. Funciona também como apoio para fazer andar entre corredores laterais, e visto que, por vezes recebeu bola sem apoios imediatamente próximos mostrou critério e capacidade para guardar bola enquanto não tinha solução de passe

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Arouca vs Benfica - O que é preciso para ser um grande?





Normalmente equipas grandes são as que lutam pelo título e assentam o seu jogo em duas premissas, que estão interligadas, fazer com que o jogo se desenrole durante boa parte do tempo no meio-campo adversário e ter uma reacção forte à perda da bola que, precisamente, impeça o opositor de chegar à sua área.

No jogo frente ao Arouca, o Benfica teve um volume de jogo assinalável e facilmente o resultado poderia ter sido outro, no entanto, ficaram evidentes as dificuldades no momento de perda de bola, obviamente relacionados pela forma como a equipa ataca. E se é verdade que os encarnados passaram boa parte do tempo no meio-campo arouquense (domínio consentido) não é menos real que a equipa de Lito Vidigal causou sistematicamente problemas em contra-ataque. E quem quer ser grande mesmo com domínio territorial não pode "pôr-se a jeito" tantas vezes...

A questão da transição defensiva do Benfica começa quando têm bola (como quase sempre). Os 4 jogadores da frente, Ola John, Gaitan, Jonas e Mitroglou parecem dar profundidade muito cedo, estão sistematicamente entre linhas, o que por um lado dificulta a fluidez do jogo ofensivo, com a equipa distante a atacar, e por outro faz com que sejam rapidamente batidos no momento da perda de bola.

Pizzi e Samaris ficam responsáveis por um espaço muito vasto. Andaram constantemente indecisos entre sair a pressionar (e por vezes fizeram-no demasiado tarde com reacção lenta à perda) ou esperar e juntar à linha defensiva. A verdade é que o Arouca, também por inquestionável mérito próprio, conseguiu sair quer pelo corredor central, quer pelos extremos aproveitando o adiantamento de Eliseu e Nelson Semedo

Para terminar, uma das principais diferenças em relação aos últimos anos. O comportamento da linha defensiva. Desde logo muito condicionada pela acção do avançado Roberto que ao dar o máximo de profundidade possível "convidou" os centrais benfiquistas a recuar, algo difícil de imaginar há poucos meses atrás. Os defesas benfiquistas preferiram quase sempre baixar do que retirar espaço e jogar com o fora-de-jogo e quando assim não foi a indefinição foi visível e o Arouca conseguiu expor as costas da linha defensiva.

A época será longa e é prematuro retirar grandes conclusões pelo que aconteceu nos primeiros dois jogos do campeonato. Ainda assim não deixam de ser sinais preocupantes as dificuldades que o Benfica teve para se impor no jogo com o Estoril, que adoptou uma postura mais pressionante e com bola durante mais tempo, e agora em transição defensiva frente ao Arouca que baixou o bloco. Mas como se escreve numa análise lúcida no jogodirecto falta saber se o Benfica melhorará e terá a consistência suficiente para garantir um elevado registo pontual semelhante a épocas recentes