quarta-feira, 2 de abril de 2014

Borussia Dortmund - Pressão lateral



Quase como forma de antevisão daquilo que poderá ser o jogo de logo à noite entre Real Madrid e Borussia Dortmund trago neste video alguns exemplos como os alemães pressionam nos corredores laterais.

O Borussia Dortmund no derby contra o Schalke deu bastante ênfase à pressão nos corredores laterais. O lateral saia sempre na pressão ao extremo na tentativa de não o deixar enquadrar com a baliza adversária. Extremos recuavam ficando próximos dos laterais, e muito importante a acção do duplo pivô que basculava bastante criando superioridade numérica, apesar de nem sempre assegurarem que impediam a mudança de corredor da equipa adversária. A linha defensiva acompanhava, regra geral alta para não existir muito espaço entre central e lateral, com lateral do lado da bola também basculado. A estratégia teve sucesso também porque o Schalke forçou, talvez de forma pouco prudente, a entrada no corredor pressionado.

Quando perdia a bola, o Dortmund pressionava imediatamente, ainda que com algumas nuances. Dado o possível adiantamento de lateral e/ou extremo que estariam portanto numa posição mais desvantajosa para pressionar, Mkhitaryan basculava rapidamente para condicionar saída de bola adversária. Um dos elementos do duplo-pivô assegurava a presença no espaço nas costas do lateral adiantado equilibrando a equipa.

Veremos o que acontece na eliminatória com o Real Madrid, mas este poderá ser um ponto muito interessante a ter em conta nestes dois jogos, porque os madrilenos fazem da circulação à largura e das constantes mudanças de corredor um dos seus pontos fortes (é talvez o principio base) da sua circulação de bola. Até porque se é verdade que o Dortmund se mostrou forte quando forçou a entrada do Schalke pelo corredor lateral que a equipa queria pressionar, também teve dificuldades quando o adversário contornou essa pressão, ainda que por fora do seu bloco defensivo

sexta-feira, 28 de março de 2014

Real Madrid vs Barcelona - A Circulação Catalã, Transições e Cruzamentos


Certamente haverá aspectos defensivos a rever em ambas as equipas, e possivelmente tal será visível na final da Taça do Rei, mas o jogo de domingo não deixou de ser um óptimo espectáculo onde a qualidade ofensiva de ambas as equipas foi visível.

O Barcelona mais paciente que em alguns jogos esta época reconheceu o timming correcto para explorar o espaço entre linhas, com Messi mais criterioso. Maior presença no último terço em comparação ao jogo aqui analisado frente ao City, com Iniesta e Neymar a irem dentro, com Fabregas e Xavi também a aparecerem no apoio. Do lado madrileno, Di Maria e Modric muito atraídos à bola, nomeadamente quando esta chegava atrasada aos centrais catalães permitiram ao Barcelona jogar constantemente nas suas costas e muito espaço ao meio que o posicionamento de Ronaldo e Bale à largura não ajudou a corrigir. Nota para o facto de o 2º e 4º golo catalão surgirem após aproveitamento de espaço interior no último terço, com um ponto em comum. O lateral acompanhou o extremo para o meio sem que a restante equipa ajustasse (uma solução seria o extremo baixar para junto da linha defensiva como fez Milner em Nou Camp).

Os catalães quando recuperavam a bola em alguns momentos do jogo tiveram de contornar a pressão alta do Real Madrid que não baixava o seu meio-campo. Foi conseguindo procurando apoios verticais entre linhas, nas costas dos médios adversários, situação que criou alguns problemas aos madrilenos, com dificuldades em definir o momento de sair na pressão ou baixar para juntar linhas.

Finalmente a circulação à largura do Real Madrid. Era previsível as dificuldades que o Barça teria em controlar este aspecto, até porque este é um problema que já não é de agora, nem sequer desta época, nomeadamente quando a equipa de Ancelotti chegasse ao último terço e foi isso que acabou por acontecer. Ora por um posicionamento muito discutível, ora por alguma displicência a verdade é que o Barcelona concedeu assim algumas oportunidades e sofreu dois golos desta forma. Realce para o facto de Busquets não ser um apoio forte nem à linha defensiva, nem aos laterais (que se viram frequentemente em situações desvantajosas) situações que tiveram como consequência o mau controlo do espaço entre central e lateral, bem aproveitado pelo Real.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Barcelona vs Manchester City - Linha Defensiva Exposta


Uma das imagens de marca das equipas de Pellegrini é a capacidade de defender com poucos  jogadores nomeadamente com a linha defensiva baixa. Certamente não serão muitas as equipas que tantas vezes expostas entre linhas se poderão gabar de ter apenas sofrido dois golos em Camp Nou, sendo um deles já nos descontos e com a equipa reduzia a 10 jogadores.

Sendo certo que o meio-campo do City foi ultrapassado com bastante facilidade, também é verdade que a equipa mostrou estar preparada para esse momento. A estratégia passou sempre por cortar profundidade, impedindo bolas nas suas costas e o consequente acompanhamento de catalães que procuravam desmarcações em profundidade, mesmo que isso resultasse numa linha defensiva desalinhada. Sempre que um jogador do Barcelona (quase sempre Messi) recebia bola entre linhas, e com muito espaço entre sectores da equipa inglesa, o central do lado da bola adiantava-se para diminuir espaço e procurar temporizar a condução do argentino. Com os laterais muito por dentro, Milner, ala esquerdo recuado mas aberto, permitia a Kolarov, lateral esquerdo, fechar o corredor central. A prioridade da última linha do Manchester City foi sempre o corredor central.

Na 2ª parte, o Manchester City teve mais dificuldades em controlar o jogo entre linhas do Barcelona principalmente porque este foi mais competente. Não só o Barça foi mais paciente na circulação chegando com mais gente ao último terço inglês, como Neymar passou para a direita dando largura ao ataque e estando mais próximo de Messi, o que dava ao argentino uma nova solução de passe inexistente nos primeiros 45 minutos.

Nota final para o Barça. O Filipe no Jogo Directo já chamou a atenção para a falta de soluções colectivas catalãs no último terço adversário. É assim frequentemente em futebol. Por muita qualidade que uma equipa tenha, no caso o City, num determinado aspecto do jogo, está sempre dependente da resposta dada pelo adversário. O Filipe também refere que existe uma "excessiva focalização em Messi". Sendo verdade, também me parece que o argentino optou demasiadas vezes pela condução de bola, indo no "engodo" do espaço livre, quando o mais prudente seria temporizar e esperar o apoio de colegas. Algo que seria absolutamente normal no Barcelona das épocas anteriores

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Bayern e Barcelona - Construção Central


Certamente existem muitos pontos que merecem análise nos jogos da Liga dos Campeões que ocorreram esta semana. Assim será sempre que equipas de topo europeu se defrontam.

Não obstante, uma das questões que chamou a atenção, e que está longe de ser nova, é a mobilidade que os jogadores do meio-campo de Bayern e Barcelona apresentam, nomeadamente em fases precoces da construção. Apesar das demais diferenças há um ponto em comum que merece análise: a grande presença de jogadores no corredor central de frente para a linha média adversária, seja no caso do Bayern uma sub-estrutura mais fixa: Martinez-Kroos-Alcântara, ou do Barcelona onde a Busquets e Xavi, se juntavam alternadamente, Fabregas ou Iniesta. Nota ainda para uma diferença: os três jogadores do Barcelona tendiam para jogar mais próximos entre si que os alemães, que garantiam alguma largura.

Não se pense que esta "sub-estrutura" era fixa, e que os seus elementos não apareciam entre linhas. Pelo contrário. As penetrações sem bola para esse espaço foram decisivas para o sucesso dos ataques. À atracção normal que a presença de jogadores de meio-campo em zonas tão recuadas provocava no adversário, Bayern e Barça souberam fugir da pressão com a inserção constante entre linhas de um (ou por vezes mais) destes três jogadores. Mais uma vez realçar a importância dos timmings de entrada entre linhas e da diferença entre "estar e aparecer" nessa zona.

Ainda que existam semelhanças as diferenças são também evidentes. Como é referido no Jogo Directo o Bayern procurou garantir presença entre linhas através dos extremos que andaram por zonas muito centrais. O Barcelona, também pelo constante recuo de Messi que por vezes ficava próximo do trio acima referido, e Iniesta que abandonava a esquerda para procurar o corredor central, não garantia muita presença no último terço para responder às entradas de bola (facto também observado no Jogo Directo), solicitou constantemente os laterais que apareciam à profundidade. Sendo verdade que tiveram algum sucesso neste movimento porque com tantos jogadores ao meio, a linha média do City, ainda para mais com menos um jogador, foi forçada a compactar no corredor central 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A Circulação à Largura do Real Madrid

Existe alguma tendência, nomeadamente entre as equipas de topo, para tentar jogar "dentro do bloco adversário", ou seja, fazer a bola entrar com frequência no denominado espaço entre linhas. Também por isso, o facto de o Real Madrid valorizar bastante a largura ganha especial interesse, até porque no inicio da época, a equipa de Ancelotti tinha no corredor central a sua prioridade para circular bola com bastante presença no espaço entre linhas, ao contrário do que acontece actualmente onde é, fundamentalmente pelos corredores laterais que o Real Madrid procura progredir e desequilibrar

Com a circulação à largura saltam à vista algumas características do ataque madrileno. Desde logo a ideia de mudar constantemente a zona da bola, da esquerda para a direita e vice-versa. Aqui ganha especial destaque o papel dos médios e centrais. Modric e Di Maria raramente entram no bloco adversário. Quando a bola está no seu corredor dão apoio por trás à circulação (sempre muito largos) e têm como objectivo fazer chegar a bola ao corredor contrário, quer através de passe longo, quer através da procura dos centrais. Nota para Modric que quando a bola está no corredor contrário ao seu, por vezes aproxima para facilitar a mudança de corredor. Isto implica que um dos defesas (seja Pepe ou Arbeloa) se adiante para dar linha de passe e conduzir bola

Com os médios interiores muito baixos, preocupados com zonas mais precoces da construção, são os 3 da frente que asseguram a presença do Real Madrid no espaço entre linhas. Apesar disso, quando a bola está no seu corredor lateral raramente os laterais não têm um apoio próximo do extremo, isto significa que raramente os 3 da frente assumem uma posição no meio ao mesmo tempo, com os extremos, principalmente Jesé a darem largura ao ataque, mesmo tendo apoio do lateral

Por fim a especificidade da própria equipa. Com Ronaldo a ser o extremo que mais vezes vai para dentro, Di Maria abandona "abandona" a sua posição mais central e dá largura, tal qual como um extremo "compensando" o português, num movimento que parece ser trabalhado e que tem em conta as características dos dois jogadores


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O 1º Golo do Chelsea vs Manchester United - Importância da Desmarcação



Não é exactamente recente a fragilidade defensiva que em parte contribui para a época discreta que o Manchester United está a realizar. Neste lance, O United tem sempre superioridade numérica, e pese embora o mérito dos jogadores do Chelsea, nomeadamente William a dar largura rapidamente, e Hazard a desmarcar-se no timming correcto, deixa a desejar o posicionamento defensivo adoptado.

Inicialmente o lance parece controlado. Apesar dos red devils defenderem com somente 6 jogadores atrás da linha da bola, Phil Jones faz a cobertura ao lateral, com Carrick no meio a proteger o espaço entre linhas. O problema é a reacção ao movimento de Hazard de dentro para fora. Quando o belga procura o espaço entre central e lateral, num movimento de dentro para fora, Carrick esquece-se da cobertura e acompanha o  movimento do adversário. Apesar de estar próximo, Ashley Young não baixa para assumir a cobertura a Phil Jones,  está criado o espaço para Eto'o conduzir bola para dentro e rematar. Nota também para a linha defensiva que após assumir uma postura mais baixa quando o cenário de cruzamento era o mais provável, não se adiantou quando o camaronês conduziu bola para o meio 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Quanto vale a mobilidade de um avançado? O caso de Lewandowski


Ao longo dos anos, o papel do ponta de lança tem vindo a ganhar maior dimensão. Não que seja quase consensual a sua maior importância na hora de finalizar, mas progressivamente, os jogadores que ocupam essa posição têm vindo a ganhar relevo no processo de construção, nomeadamente através do recuo no terreno para servir de apoio à circulação, jogando muitas vezes de costas para a baliza adversária. 

O video destaca algumas intervenções no jogo com o Hoffenheim de Lewandowski, avançado do Borussia Dortmund. Nos últimos tempos, e daquilo que tenho visto da equipa de Klopp, o polaco parece ter cada vez mais protagonismo na construção da sua equipa, mas ao contrário dos colegas de posição em outras equipas, Lewa joga cada vez mais entre linhas, tendo como objectivo ficar de frente para a baliza adversária.

Mais ainda, o Dortmund parece-me preparado para esta situação. Como é visível no video, assim que Lewandowski recebe a bola procura ficar de frente para a baliza adversária vários jogadores, nomeadamente Reus e Abameyang procuram receber bola no espaço nas costas da defesa contrária assistidos pelo polaco, e quando possível no corredor central, naturalmente mais livre, dada a ausência de um ponta de lança. Por outro lado, quando a equipa de Klopp após recuperar bola, chegava rapidamente ao meio-campo adversário Lewa tendia a dar largura total no corredor onde a bola se encontrava, num movimento apesar de atípico, mais usual.

Não se pode dizer que o Dortmund perdeu gente em zona de finalização. Dada a preparação antecipada para este tipo de situação existiu quase sempre gente no último terço, principalmente em ataque posicional. Mas duas questões parecem colocar-se, dentro especificidade actual do Dortmund. Por um lado, é questionável que um jogador com imensa facilidade, não só em finalizar, como também em isolar-se e aproveitar o espaço nas costas da defesa, seja remetido para um espaço mais recuado ganhando protagonismo naquilo a que é vulgarmente chamado como último passe. Por outro lado, e uma vez que, os laterais, também por força do jogo não se envolveram muito no ataque, as constantes diagonais de Abameyang, assim como os movimentos na profundidade de Reus para o meio, colocaram alguns problemas ao Dortmund na gestão da largura, com bastante concentração ao meio, nem sempre criando dúvida à linha defensiva do Hoffenheim, que apesar de exposta, conseguiu reduzir danos à custa de alguma aglomeração no corredor central.