sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Derby Sporting vs Benfica - O Espaço Entre Linhas




Entre as várias questões tácticas que surgiram no último derby, o espaço entre a linha defensiva e média de ambas as equipas assumiu algum destaque, quanto mais não fosse porque este na origem de ambos os golos na partida.

Referência para a diferença na hora de tentar rentabilizar esse espaço. O Sporting conseguiu desequilíbrios principalmente quando procurou Montero quando o colombiano saia do "radar" dos centrais encarnados, no momento em que Matic e Enzo Perez se adiantavam  tentando pressionar mais próximos dos alas e avançados.

Por outro lado o Benfica, atraiu o homem mais recuado do meio-campo sportinguista, William Carvalho, para zona adiantadas, muitas vezes na mesma linha de Adrien, jogando nas suas costas, nomeadamente através das diagonais interiores de Gaitan. 

Nota para o posicionamento de ambas as linhas defensivas. Para o controlo deste tipo de situação, foi fundamental que os laterais não se encontrassem muitas vezes adiantados permitindo controlar a largura e com 4 jogadores, o que permitiu temporizar as acções dos ataques adversários. Perante a exposição a que foram sujeitas as linhas defensivas optaram por ir recuando, acabando encostadas à sua grande área. Aliás, foi também o recuo dos homens mais recuados de Benfica e Sporting, mesmo em zonas mais precoces da construção contrária, que permitiu o espaço entre sectores

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Swansea vs Man. United e Sporting vs Arouca - Resposta a Cruzamentos



Na pré-temporada prometeu ser uma das maiores inovações de Moyes, o adiantamento da linha defensiva do Manchester United em relação ao passado recente. Mas a adaptação dos jogadores não terá sido a melhor e no jogo frente ao Swansea (e, já agora, também ontem com o Chelsea) os red devils voltaram à primeira forma e ao conservadorismo habitual neste aspecto do jogo.

Ferdinand e Vidic são talvez a melhor dupla de centrais a responder a cruzamentos, quando a equipa está em bloco baixo. Como se pode ver no video o United está mais do que preparado para este tipo de abordagem. A juntar à qualidade individual dos centrais (quando um, ou até os dois não jogam a equipa ressente-se neste e noutros aspectos) todos os outros jogadores parecem saber exactamente o que fazer para não expor a linha defensiva aos cruzamentos contrários.

Em desvantagem na 2ª parte, o Swansea, entrou em 4x4x2 clássico com os alas, Dyer e Pablo Hernandez, muito por dentro, e com os avançados, nomeadamente Michu, disponíveis para recuar e jogar entre linhas.  Com muita gente no corredor central, a bola acabava à direita ou à esquerda, no último terço, nos laterais gauleses com boas condições para cruzar, por norma, sempre a 3/4 do campo.O United deu o controlo do jogo ao Swansea resguardando ao máximo a sua linha defensiva de situações com cruzamento. 

Linha defensiva muito bem coordenada. Centrais e lateral faziam uma pequena diagonal em relação ao jogador que saía ao portador da bola (normalmente Phil Jones ou Evra). O jogador mais próximo do lateral Swan, tinha como missão impedir cruzamento para o espaço entre a linha defensiva e o guarda-redes De Gea. Centrais e lateral do lado contrário muito próximos entre si, atacavam quase sempre a bola de frente e controlavam assim os cruzamentos contrários. Alguma (natural) vulnerabilidade na zona do 2º poste, mas laterais rápidos a sair para essa zona quando foi necessário. Nota para os médios de corredor central, nomeadamente Carrick sempre juntos à linha defensiva, assegurando que a bola não entrava no espaço à sua frente.

Curioso constatar o contraste com o que se passou em Alvalade no dia seguinte com o Arouca. A fazer a estreia na Liga, viu-se uma maior propensão para a referência individual, não preocupação com a proximidade entre centrais e lateral do lado contrário ao do cruzamento, com este último por várias vezes "desligado" dos centrais,  e a frequência com que o Sporting conseguiu cruzar para o espaço entre linha defensiva e guarda-redes, com os médios do corredor central a não recuarem expondo ainda mais a linha defensiva

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Espaço nas Costas da Linha Defensiva - Bundesliga 1ª Jornada




Já havia sido aqui referido no post relativo ao Bayern de Guardiola, que na Bundesliga um dos aspectos a ter em conta e explorar, é o espaço nas costas das linhas defensivas.

São vários os motivos que contribuem para os vários golos que aconteceram na Alemanha este fim de semana, fruto do sofrível controlo da profundidade. Seja porque o médio/defesa mais próximo do portador da bola permitia o passe para as costas, surpreendendo a linha defensiva, seja porque a linha média não reagia quando era ultrapassada, expondo a linha defensiva, seja porque mesmo quando os defesas recuavam tendo a grande área como referência não controlavam a profundidade permitindo a desmarcação ao avançado. 

Por outro lado, vários foram os golos que aconteceram devido a uma transição ofensiva vertical permitida devido à exposição que quem ataca se submete. Com os dois laterais adiantados e por vezes 6 ou 7 jogadores à frente da bola no momento seguinte à perda é complicado a qualquer defesa preservar a sua baliza.

Apesar de muitas equipas tentarem forçar ao máximo o seu posicionamento mais alto da linha defensiva, não é assim tão  frequente ver os defesas a adiantarem-se no momento anterior ao passe para as suas costas, no sentido de deixarem os adversários em fora-de-jogo 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Chelsea de Mourinho - Primeiras Impressões



Consistência é a palavra que surge ao ver o jogo que o Chelsea realizou frente ao Milan. É perceptível o dedo de Mourinho, seja na solidez defensiva patente na boa reacção ao jogo entrelinhas adversário, seja no momento em que o Chelesa ganha bola, e a facilidade com que coloca vários jogadores próximos da área adversária rapidamente

A atacar realce para a mobilidade dos três médios ofensivos, (na primeira parte Hazard à esquerda, Óscar no meio e De Bruyne à direita) que jogam atrás do avançado. Não só os belgas procuravam o corredor central, com frequência para combinarem com Óscar, como o brasileiro descaia nos corredores laterais, sendo exemplo máximo desta última situação o primeiro golo. Nota também para o facto de De Bruyne procurar o corredor contrário ao seu co-habitando com Hazard à esquerda, e até Óscar, veremos se para continuar. Mas parece certo que os três da frente têm como função, e objectivo, jogar próximos uns dos outros. A rever a função do duplo-pivô. Não muito activo nas fases precoces da construção (o Chelsea optou várias vezes por jogar longo), é referência para circular bola por trás  mas também não muito utilizado. Os londrinos quando jogam longo procuram fazê-lo com critério, estando preparados para a 2ª bola.

Sem bola já bastante qualidade dos londrinos. 4x4x2 num bloco médio, os dois jogadores mais avançados tentam impedir o jogo pelo meio, condicionando o central com bola a progredir já próximo da linha lateral. Zona de pressão bem definida à entrada no seu meio-campo em zonas laterais, com o duplo pivô, por norma devidamente basculado e linha defensiva próxima. Extremos disponíveis para recuar e defender. Maiores dificuldades quando Milan conseguiu ultrapassar barreira dos avançados e jogou no corredor central, ainda que de frente para o duplo pivô (e portanto fora do bloco londrino). Nota para a linha defensiva. Postura conservadora em relação à profundidade (se não estou em erro, apenas um fora-de-jogo assinalado ao Milan), sempre bem coordenada, mesmo quando exposta com capacidade para temporizar as acções italianas no último terço.

Outro aspecto a considerar é a capacidade que o Chelsea revelou em transição ofensiva. Pese embora a exposição Milanesa na 2ª parte, não deixa de ser assinalável a competência londrina neste aspecto. Quando recuperam a bola, jogam facilmente a um/dois toques, preocupação em dar soluções à largura (algumas situações de 1x1 na procura da referência à largura ao longo do jogo) e vários jogadores a chegar rapidamente à área contrária. Faltará ainda afinar a definição no último terço que não terá sido a melhor

domingo, 28 de julho de 2013

Opções Em Transição Defensiva - O Terceiro Golo do Dortmund



No post anterior, na análise efectuada ao Bayern de Munique, havia sido referido, tal como seria de esperar, a importância que Guardiola dá a este momento, e como a sua equipa tenta recuperar o mais rapidamente possível a bola. Esta opção comporta riscos (tal como recolher a um bloco baixo também), mas será interessante perceber como o Dortmund conseguiu sair de pressão e causar desequilíbrio.

Robben perde a bola e o Bayern está equilibrado, tal como é habitual o meio-campo, desta vez juntamente com Alaba, adianta-se para pressionar e tentar voltar ao ataque rapidamente. Thiago (o pivô) dada a proximidade de Kroos e Muller não se adianta imediatamente, mas posteriormente impede, numa primeira fase, o passe para o jogador mais próximo entre linhas . O Bayern de Munique há-de ganhar muitas bolas no meio-campo adversário com esta estratégia, sendo que, daqui resultarão lances perigosos tal como foi possível ver nos vários amigáveis disputados. Mas há também o reverso da moeda. Mais, os campeões europeus já mostraram que com Thiago a pivô tão adiantado, tal como o lateral do lado da bola, será a linha defensiva (nestes casos de 3 elementos) a bascular bastante para compensar esse espaço. No entanto, ainda que com a intenção de recuperar a bola em zonas altas, o Bayern permitiu o passe entre linhas que deixou o seu meio-campo para trás. Posteriormente não foi capaz de impedir a mudança de corredor, com a bola a entrar no meio em Gundogan. 

Depois aquilo que também já foi escrito no post anterior. Os médios  do Bayern quando a bola entra no seu meio-campo ainda têm alguma dificuldade em reagir e recuar, sendo este o motivo que levou a que no momento do remate de Gundogan se encontrassem atrás da linha da bola 5 jogadores, com Kroos, por exemplo, bastante adiantado. Mérito do Dortmund que soube arrastar no último terço a linha defensiva do Bayen Munique para Gundogan ter espaço para fazer o remate

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Bayern Munique de Guardiola - Primeiras Impressões



No passado fim-de-semana dois testes interessantes para a equipa de Guardiola no torneio Telekom Cup. Em jogos de 60 minutos o Bayern  Munique enfrentou dois adversário que irá voltar a encontrar na Bundesliga: Borussia Monchegladbach e Hamburgo. Com duas estratégias diferentes. No primeiro dia o Hamburgo pressionou alto, tentando dificultar a primeira fase de construção, e na final, o Borussia Monchegladbach com um bloco mais baixo, deixando os centrais do Bayern sair a jogar sem pressão, com os avançados a dificultarem a entrada em jogo do pivô (Thiago) próximos da linha média.

Apesar do muito trabalho que qualquer equipa tem pela frente nesta fase da época, já é possível ver a marca do treinador espanhol. Saídas curtas muito dinâmicas, tabelas constantes, jogadores próximos entre si, facilidade em mudar de corredor. A defender transição defensiva e pressão alta eficazes, menos bem a reacção da linha média quando é ultrapassada já no seu meio-campo com a equipa em bloco médio.

Na meia-final Guardiola surpreendeu ao fazer entrar Mandzukic e Pizarro, dois avançados, no onze inicial. Nos primeiros minutos alguma dificuldade com a primeira fase de construção, Thiago e os centrais recuados, mas restante equipa distante não garantia os apoios necessários para sair a jogar curto. Com o recuo de Kroos e Ribery, a ajuda dos laterais e uma nova dinâmica o Bayern contornou facilmente a pressão alheia, jogadores próximos, apoios e capacidade de jogar a um toque essenciais para fazer chegar a bola ao meio-campo contrário em segurança. 

Contra o Borussia Monchegladbach, e já num estrutura mais próxima daquilo que deverá ser mais utilizado com Muller como homem mais adiantado (e a novidade de Lahm no meio-campo) que apresentou um bloco mais compacto e baixo, o Bayern teve dificuldade em entrar no meio-campo adversário pelo corredor central, mas pelos corredores laterais foi chegando com alguma frequência ao último terço. Defensivamente teve igualmente mais problemas, quer pela tentativa de aproveitamento do espaço nas costas, quer pelo controlo da mudança de corredor, algo que a equipa da casa tentou explorar.

Defensivamente também é visível a influência de Guardiola. Reacção muito pressionante à perda da bola, ainda que para isso o pivô (Thiago) se tenha de adiantar bastante, com todos os jogadores envolvidos. Pressão alta nas saídas adversárias a deixar os centrais/pivô receber para em seguida pressionar e forçar jogo directo. Ainda a rever a forma como a linha média reage quando é ultrapassada no seu meio-campo, lenta a recuar e nem sempre a competência da linha defensiva pode ser suficiente...

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Benfica vs Bayer Leverkusen - A Gestão da Largura, Questões Estratégicas



Nos 16-avos-de-final da Liga Europa Benfica e Leverkusen mediram forças, primeiro na Alemanha, passado uma semana, em Lisboa.

O Leverkusen apresentou uma construção bastante curiosa. Os laterais muito projectados (quase sempre bem dentro do meio-campo encarnado) eram referências máximas à largura. Posteriormente uma linha de 3 médios, muitas vezes paralelos entre si, mas distantes tentavam assegurar a primeira fase de construção com os centrais. Mais à frente, e a jogar entre linhas os três avançados Castro, Schurrle e Kiessling. Outro dado interessante: com espaço médio-centro  com bola conduzia, à largura, entrando assim no meio-campo contrário, contando com o apoio próximo do lateral.

Os dois extremos do Benfica acompanharam individualmente os laterais alemães, sendo que, os encarnados ficaram em diversas ocasiões, com 5 (ou até 6) jogadores na última linha defensiva. Com este controlo da largura, permitiu aos laterais ocuparem posições mais interiores para contrariarem aquilo que é o ponto forte do Leverkusen, as combinações entre os 3 homens da frente no corredor central.

Assim o Leverkusen viu-se em dificuldades. Com Castro, Schurrle e Kiessling no corredor central, por vezes sobrepostos, e sem apoios próximos, os alemães apesar de conseguirem entrar no bloco encarnado tiveram dificuldades em ultrapassar a última linha defensiva encarnada. Por outro lado, também foi frequente a tentativa de jogo directo para Kiessling, com os médios ofensivos encarregues de disputar a segunda bola. 

Quando Schurrle e/ou Castro procuraram combinar com os laterais, e abandonaram o corredor central, o Leverkusen foi mais perigoso, e conseguiu, ainda que poucas vezes, desmontar a estratégia benfiquista. Como será visível no video, o Benfica foi muito forte a defender quando os extremos participaram nos lances e asseguraram o controlo da largura, porque quando o extremo do lado da bola estava ausente, o espaço interior acabou por surgir.