sexta-feira, 21 de junho de 2013

Nigéria vs Uruguai - Como Estar Preparado Para Contra Ataque Sem Bola



É um assunto a que possivelmente voltarei durante a Taça das Confederações. O Uruguai, tem nos seus homens da frente, Forlan, Cavani e Suarez, a sua principal força. Tavarez preparou uma equipa especialmente talhada para o contra-ataque, capaz de aproveitar a qualidade individual, nomeadamente a mobilidade, dos seus avançados. Assim é frequente contra equipas inferiores ou similares aos uruguaios, ver os sul-americanos defender com sete, oito jogadores recuados, com  dois ou três homens mais adiantados preparados para o momento de recuperação da bola.

Esta estratégia, permite ter um jogador que se movimente no meio da sub-estrutura adversária (normalmente entre médio defensivo e centrais) e dois jogadores capazes de explorar os corredores laterais. No caso uruguaio, e ontem foi visível, permitiu criar dúvida à defesa nigeriana no controlo da largura, e consequente capacidade de mudar corredor.

No caso, do segundo golo uruguaio, e no momento, em que recupera a bola somente Suarez está à frente da linha da bola. No entanto, Cavani e Forlan estão bastante próximos, e assim que o primeiro recebe a bola avançam. A Nigéria, bastante exposta, no momento em que perde a bola tem somente 3 jogadores atrás da linha da bola mais Musa (quem a perdeu) para pressionar. Suarez, consegue fixar um adversário com a sua condução, e mudar o corredor de jogo, deixando fora do lance os defesas africanos, e com o passe de Cavani, Forlán teve as melhores condições para finalizar

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Itália vs Holanda (sub-21) - O Golo Italiano



No golo italiano que deu a passagem à final do Europeu de sub-21 é visível como a Holanda dá importância à referência individual na marcação. Maher acompanha Verrati até à linha dos centrais, com o extremo Depay a ter como referência o posicionamento do lateral italiano, o que origina espaço no interior do bloco, aproveitado por Gabbiadini para recuar até ao seu meio-campo, acompanhado pelo central Indigo.


Depois os holandeses, fruto constante referência individual, permitem a Gabbiadini enquadrar-se com a baliza adversária, e fazer um passe, que ao mudar o corredor, faz com que a Holanda fique em dificuldades. Os holandeses reagem lentamente, e acabam a defender no seu último terço com 6 jogadores. A linha defensiva, bastante recuada, fixa-se nos avançados italianos, e o médio Strootman é lento ao realizar a cobertura ao seu lateral, e não impede o passe para a área. 

A ausência de médios holandeses no corredor central, envolvidos no lance, faz com que Borini, tenha bastante espaço para receber e ultrapassar o central van der Hoorn (o seu opositor directo) e fazer o golo




sexta-feira, 14 de junho de 2013

Equador vs Argentina - Três Centrais, Negligência Dos Corredores Laterais, E O Posicionamento Dos "Externos"



Talvez por opção estratégica, a Argentina optou por entrar de inicio, no jogo de terça-feira, frente ao Equador com três centrais. É possível que a decisão tenha tido em conta, os dois avançados do Equatorianos, que forçam bastante a profundidade em simultâneo ("desligando-se" com alguma frequência da restante equipa), e raramente saem do corredor central. 

Assim a Argentina juntou ao trio mais recuados, dois "externos" (laterais um pouco mais adiantados), três médios, e dois avançados que raramente recuavam. Os externos, tinham nos extremos equatorianos que também procuravam bastante profundidade, a sua referência individual, o mesmo é dizer que passaram boa parte do tempo encostados aos centrais, formando uma linha de 5 defesas.

Acabaram por ser somente os três médios a tentar controlar a largura. Não admira por isso, até porque nem sempre foram especialmente coordenados, que enfrentassem dificuldades no controlo da largura a meio-campo, nomeadamente na 2ª parte, quando o Equador tentou (e, por vezes, sucesso) alternar o corredor no mesmo lance.

Mas a consequência mais evidente desta forma de defender, foram as constantes situações de 1x1 no corredor lateral, entre extremo equatoriano, e externo argentino, sempre com os da casa a beneficiarem de espaço e tempo para definir. Com os centrais "amarrados" aos pontas de lança (saiam somente em último recurso), e os 3 médios a chegarem, pois nem sempre conseguiam reagir à mudança de centro de jogo, os argentinos acabaram por ficar expostos nos corredores laterais.

O video não aborda os contra-ataques argentinos, mas é verdade que a não participação (e consequente adiantamento) dos dois avançados (Aguero e Paladino a dupla inicial) a defender, permitiu à Argentina quando ganhava a bola situações vantajosas para atacar, até porque o 4x4x2 clássico do Equador acaba por se expor quando perde a bola

sábado, 8 de junho de 2013

Bélgica vs Sérvia - Posicionamento Em Cruzamento E O Primeiro Golo Belga



Desde cedo que no primeiro belga, aquele que viria a ser o marcador do golo, Kevin de Bruyne, aparecia em condições favoráveis para finalizar. Tal situação pode ser considerada atípica, ainda para mais quando a Sérvia tinha 9 jogadores próximos da sua grande área.

Primeira nota para o mérito da Bélgica. Primeiro Fellaini a criar dúvida e a obrigar Subotic a abandonar a sua posição, depois e nomeadamente, Benteke. Ao posicionar-se entre o central e lateral, obrigou este último a assumir uma posição muito central libertando De Bruyne.

Quando Milivojevic saiu para realizar a contenção ao lateral Vertonghen, a Sérvia tinha 3 jogadores a proteger o corredor central, à entrada da sua grande área. Ainda assim, os dois médios permaneceram estáticos, e foi o central Subotic quem saiu à desmarcação de ruptura entre central e lateral de Fellaini. Ao tomar esta decisão,  Subotic fez com que existisse uma situação de 2 para 2 nas suas costas.

Com Subotic fora do cruzamento, seria possível que um dos médios baixasse, fazendo com que o lateral Kolarov não assumisse um posicionamento tão interior no cruzamento, ou que o extremo baixasse para compensar Kolarov que estava muito por dentro. Nada disto aconteceu, e De Bruyne solto fez o golo

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Hamburgo vs Eintracht Frankfurt - O Espaço Entre Linhas


O jogo foi realizado em Fevereiro, mas vale a pena observar a forma como o Hamburgo atacou, e nomeadamente como tentou entrar no bloco defensivo do Eintracht Frankfurt.

O Hamburgo, em 4x4x2 losango, colocou sempre, e desde fases bastantes precoces da construção bastantes jogadores, no corredor central, entre a linha defensiva e média do Eintracht de Frankfurt, que sem bola apresentou-se em 4x4x2, com os avançados a tentarem impedir o jogo nas suas costas, no corredor central.

É praticamente unânime, a importância que a exploração do espaço entre as linhas média e defensiva tem no desenvolvimento, e definição de um jogo. E bem. No entanto, o Hamburgo acabou por exacerbar a sua presença neste espaço dificultando a fluidez da sua circulação de bola.

Com saídas curtas, a equipa da casa fazia baixar o pivô (Badelj) para próximo dos centrais, ainda dentro do seu meio campo, com os laterais projectados, e os restantes 3 médios, mais os dois avançados entre linhas ou a ameaçar explorar profundidade. O interessante, é que apesar (ou devido a) de ter tanta gente entre sectores, o Hamburgo raramente fez a bola passar por esse espaço. Com somente 3 jogadores de frente para a linha média contrária (na maior parte das situações), foi relativamente fácil ao Frankfurt evitar o jogo entre sectores.

Poder-se-à argumentar, que, por vezes a excessiva profundidade concedida pelos médios do Hamburgo, poderia resultar num recuo do Frankfurt, acabando o portador da bola por ter mais espaço para progredir. Sendo verdade, com 5 jogadores permanentemente nesse espaço, o Hamburgo não conseguiu colocar dúvida ao adversário, sendo por isso complicado desequilibrar o adversário.

Mesmo quando a bola entrou no espaço entre sectores, foi difícil continuar a circulação de bola. Com os laterais projectados, e muitas vezes, 4 jogadores entre linhas praticamente alinhados entre si, o portador da bola receber-la  de costas para a baliza adversária, não tinha apoios próximos

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Borussia Dortmund vs Bayern Munique - Controlo da Profundidade e 2ªs Bolas





Na final da Liga dos Campeões, foi visível durante vários períodos, a estratégia do Dortmund em forçar o jogo directo do Bayern, ao condicionar a sua 1ª fase de construção. Com os dois jogadores mais adiantados, Lewandowsi e Reus a impedir que os médios-centro do Bayern recebessem bola em zonas adiantadas, e a linha média dentro do meio-campo contrário, com os extremos a sair à pressão sempre que um lateral recebia bola, conseguiram impedir o jogo curto do adversário.

Neste cenário, assume especial importância quer a 2ª bola, após a 1ªa disputa fruto do jogo directo, quer o controlo do espaço nas costas da linha defensiva do Borussia Dortmund, assim como o consequente espaço entre linhas.

Na 1ª parte, o Dortmund quase sempre mais incisivo na 2ª bola, e a linha defensiva foi controlando o espaço nas suas costas, recuando ou não, tendo em conta quer o espaço que o jogador que efectuava o passe longo tinha (mais espaço, equipa recuava) quer o local onde o passe fosse realizado (mais perto da sua baliza, maior o recuo). Não obstante, o essencial para o sucesso desta estratégia na 1ª parte, foi a enorme disponibilidade dos médios centrais, Gundogan e Bender, para recuar assim que o Bayern jogava longo, sendo elementos preponderantes na conquista da 2ª bola.

Na 2ª parte, não só o Bayern apareceu melhor preparado para esta circunstância, bem como os médios do Dortmund foram incapazes de manter a mesma consistência do primeiro tempo. Foram várias as situações em que o Dortmund se expôs e passou a defender com 4, ou 5 jogadores, perdendo com maior frequência a bola neste tipo de situações. É assim que surgem os dois golos que dão o título de campeão europeu ao Bayern de Muniqu

terça-feira, 14 de maio de 2013

Everton vs West Ham - Coordenação Entre Sectores



No jogo deste fim-de-semana, entre Everton e West Ham ficou patente, algo bastante característico nas equipas inglesas. Quando em bloco baixo, existe uma certa negligencia do espaço entre central e lateral, assim como, na presença à entrada da área. 

É possível que esta forma de defender, tenha origem naquilo que foi tradição em Inglaterra ao longo das últimas décadas. Com bastantes cruzamentos por jogo, é natural que a principal preocupação das equipas passasse por defender estas situações, e a solução encontrada passou pela colocação de centrais (e laterais) altos e bastante recuados que estivessem sempre de frente para a bola.

No video acima, é possível ver como o Everton explora as fragilidades colectivas que esta estratégia pode ter, em sintonia com as dificuldades que o West Ham teve ao longo do jogo, para controlar o ataque toffee