segunda-feira, 17 de junho de 2013

Itália vs Holanda (sub-21) - O Golo Italiano



No golo italiano que deu a passagem à final do Europeu de sub-21 é visível como a Holanda dá importância à referência individual na marcação. Maher acompanha Verrati até à linha dos centrais, com o extremo Depay a ter como referência o posicionamento do lateral italiano, o que origina espaço no interior do bloco, aproveitado por Gabbiadini para recuar até ao seu meio-campo, acompanhado pelo central Indigo.


Depois os holandeses, fruto constante referência individual, permitem a Gabbiadini enquadrar-se com a baliza adversária, e fazer um passe, que ao mudar o corredor, faz com que a Holanda fique em dificuldades. Os holandeses reagem lentamente, e acabam a defender no seu último terço com 6 jogadores. A linha defensiva, bastante recuada, fixa-se nos avançados italianos, e o médio Strootman é lento ao realizar a cobertura ao seu lateral, e não impede o passe para a área. 

A ausência de médios holandeses no corredor central, envolvidos no lance, faz com que Borini, tenha bastante espaço para receber e ultrapassar o central van der Hoorn (o seu opositor directo) e fazer o golo




sexta-feira, 14 de junho de 2013

Equador vs Argentina - Três Centrais, Negligência Dos Corredores Laterais, E O Posicionamento Dos "Externos"



Talvez por opção estratégica, a Argentina optou por entrar de inicio, no jogo de terça-feira, frente ao Equador com três centrais. É possível que a decisão tenha tido em conta, os dois avançados do Equatorianos, que forçam bastante a profundidade em simultâneo ("desligando-se" com alguma frequência da restante equipa), e raramente saem do corredor central. 

Assim a Argentina juntou ao trio mais recuados, dois "externos" (laterais um pouco mais adiantados), três médios, e dois avançados que raramente recuavam. Os externos, tinham nos extremos equatorianos que também procuravam bastante profundidade, a sua referência individual, o mesmo é dizer que passaram boa parte do tempo encostados aos centrais, formando uma linha de 5 defesas.

Acabaram por ser somente os três médios a tentar controlar a largura. Não admira por isso, até porque nem sempre foram especialmente coordenados, que enfrentassem dificuldades no controlo da largura a meio-campo, nomeadamente na 2ª parte, quando o Equador tentou (e, por vezes, sucesso) alternar o corredor no mesmo lance.

Mas a consequência mais evidente desta forma de defender, foram as constantes situações de 1x1 no corredor lateral, entre extremo equatoriano, e externo argentino, sempre com os da casa a beneficiarem de espaço e tempo para definir. Com os centrais "amarrados" aos pontas de lança (saiam somente em último recurso), e os 3 médios a chegarem, pois nem sempre conseguiam reagir à mudança de centro de jogo, os argentinos acabaram por ficar expostos nos corredores laterais.

O video não aborda os contra-ataques argentinos, mas é verdade que a não participação (e consequente adiantamento) dos dois avançados (Aguero e Paladino a dupla inicial) a defender, permitiu à Argentina quando ganhava a bola situações vantajosas para atacar, até porque o 4x4x2 clássico do Equador acaba por se expor quando perde a bola

sábado, 8 de junho de 2013

Bélgica vs Sérvia - Posicionamento Em Cruzamento E O Primeiro Golo Belga



Desde cedo que no primeiro belga, aquele que viria a ser o marcador do golo, Kevin de Bruyne, aparecia em condições favoráveis para finalizar. Tal situação pode ser considerada atípica, ainda para mais quando a Sérvia tinha 9 jogadores próximos da sua grande área.

Primeira nota para o mérito da Bélgica. Primeiro Fellaini a criar dúvida e a obrigar Subotic a abandonar a sua posição, depois e nomeadamente, Benteke. Ao posicionar-se entre o central e lateral, obrigou este último a assumir uma posição muito central libertando De Bruyne.

Quando Milivojevic saiu para realizar a contenção ao lateral Vertonghen, a Sérvia tinha 3 jogadores a proteger o corredor central, à entrada da sua grande área. Ainda assim, os dois médios permaneceram estáticos, e foi o central Subotic quem saiu à desmarcação de ruptura entre central e lateral de Fellaini. Ao tomar esta decisão,  Subotic fez com que existisse uma situação de 2 para 2 nas suas costas.

Com Subotic fora do cruzamento, seria possível que um dos médios baixasse, fazendo com que o lateral Kolarov não assumisse um posicionamento tão interior no cruzamento, ou que o extremo baixasse para compensar Kolarov que estava muito por dentro. Nada disto aconteceu, e De Bruyne solto fez o golo

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Hamburgo vs Eintracht Frankfurt - O Espaço Entre Linhas


O jogo foi realizado em Fevereiro, mas vale a pena observar a forma como o Hamburgo atacou, e nomeadamente como tentou entrar no bloco defensivo do Eintracht Frankfurt.

O Hamburgo, em 4x4x2 losango, colocou sempre, e desde fases bastantes precoces da construção bastantes jogadores, no corredor central, entre a linha defensiva e média do Eintracht de Frankfurt, que sem bola apresentou-se em 4x4x2, com os avançados a tentarem impedir o jogo nas suas costas, no corredor central.

É praticamente unânime, a importância que a exploração do espaço entre as linhas média e defensiva tem no desenvolvimento, e definição de um jogo. E bem. No entanto, o Hamburgo acabou por exacerbar a sua presença neste espaço dificultando a fluidez da sua circulação de bola.

Com saídas curtas, a equipa da casa fazia baixar o pivô (Badelj) para próximo dos centrais, ainda dentro do seu meio campo, com os laterais projectados, e os restantes 3 médios, mais os dois avançados entre linhas ou a ameaçar explorar profundidade. O interessante, é que apesar (ou devido a) de ter tanta gente entre sectores, o Hamburgo raramente fez a bola passar por esse espaço. Com somente 3 jogadores de frente para a linha média contrária (na maior parte das situações), foi relativamente fácil ao Frankfurt evitar o jogo entre sectores.

Poder-se-à argumentar, que, por vezes a excessiva profundidade concedida pelos médios do Hamburgo, poderia resultar num recuo do Frankfurt, acabando o portador da bola por ter mais espaço para progredir. Sendo verdade, com 5 jogadores permanentemente nesse espaço, o Hamburgo não conseguiu colocar dúvida ao adversário, sendo por isso complicado desequilibrar o adversário.

Mesmo quando a bola entrou no espaço entre sectores, foi difícil continuar a circulação de bola. Com os laterais projectados, e muitas vezes, 4 jogadores entre linhas praticamente alinhados entre si, o portador da bola receber-la  de costas para a baliza adversária, não tinha apoios próximos

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Borussia Dortmund vs Bayern Munique - Controlo da Profundidade e 2ªs Bolas





Na final da Liga dos Campeões, foi visível durante vários períodos, a estratégia do Dortmund em forçar o jogo directo do Bayern, ao condicionar a sua 1ª fase de construção. Com os dois jogadores mais adiantados, Lewandowsi e Reus a impedir que os médios-centro do Bayern recebessem bola em zonas adiantadas, e a linha média dentro do meio-campo contrário, com os extremos a sair à pressão sempre que um lateral recebia bola, conseguiram impedir o jogo curto do adversário.

Neste cenário, assume especial importância quer a 2ª bola, após a 1ªa disputa fruto do jogo directo, quer o controlo do espaço nas costas da linha defensiva do Borussia Dortmund, assim como o consequente espaço entre linhas.

Na 1ª parte, o Dortmund quase sempre mais incisivo na 2ª bola, e a linha defensiva foi controlando o espaço nas suas costas, recuando ou não, tendo em conta quer o espaço que o jogador que efectuava o passe longo tinha (mais espaço, equipa recuava) quer o local onde o passe fosse realizado (mais perto da sua baliza, maior o recuo). Não obstante, o essencial para o sucesso desta estratégia na 1ª parte, foi a enorme disponibilidade dos médios centrais, Gundogan e Bender, para recuar assim que o Bayern jogava longo, sendo elementos preponderantes na conquista da 2ª bola.

Na 2ª parte, não só o Bayern apareceu melhor preparado para esta circunstância, bem como os médios do Dortmund foram incapazes de manter a mesma consistência do primeiro tempo. Foram várias as situações em que o Dortmund se expôs e passou a defender com 4, ou 5 jogadores, perdendo com maior frequência a bola neste tipo de situações. É assim que surgem os dois golos que dão o título de campeão europeu ao Bayern de Muniqu

terça-feira, 14 de maio de 2013

Everton vs West Ham - Coordenação Entre Sectores



No jogo deste fim-de-semana, entre Everton e West Ham ficou patente, algo bastante característico nas equipas inglesas. Quando em bloco baixo, existe uma certa negligencia do espaço entre central e lateral, assim como, na presença à entrada da área. 

É possível que esta forma de defender, tenha origem naquilo que foi tradição em Inglaterra ao longo das últimas décadas. Com bastantes cruzamentos por jogo, é natural que a principal preocupação das equipas passasse por defender estas situações, e a solução encontrada passou pela colocação de centrais (e laterais) altos e bastante recuados que estivessem sempre de frente para a bola.

No video acima, é possível ver como o Everton explora as fragilidades colectivas que esta estratégia pode ter, em sintonia com as dificuldades que o West Ham teve ao longo do jogo, para controlar o ataque toffee 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Benfica vs Estoril - Definição No Último Terço



Ponto prévio, o Benfica vs Estoril de segunda-feira, foi um bom jogo. Muito bem a equipa canarinha a sair para o ataque quando recuperava bola e como contornava a pressão encarnada. Não obstante, todo o mérito do Estoril na sua estratégia (que também engloba naturalmente os aspectos defensivos), faltou capacidade para ultrapassar a linha defensiva adversária no último terço.

Afirmou várias vezes, Jorge Jesus, que as equipas grandes defendem com poucos jogadores. Uma das grandes competências do seu Benfica, é a forma coordenada como a linha defensiva (ainda que sempre com algum auxílio) consegue estancar ataques adversários (curiosamente, uma das equipas que tem sabido contornar este facto, é o adversário deste fim-de-semana, Porto). 

Foram várias as situações que o Estoril conseguiu chegar ao último terço encarnado, fazendo com que a linha defensiva do Benfica recuasse, talvez mais do que seria expectável. No entanto, os canarinhos tiveram dificuldade em entrar na grande área encarnada, acabando algumas das suas acções ofensivas por terminar em remates fora da grande área. O Estoril teve sempre como grande preocupação, dar largura ao seu ataque quando recuperava a bola. Próximo da área do Benfica, foram constantes as conduções de bola para o corredor central, que terminavam em remate, ou mudança para o corredor contrário. No entanto, e nomeadamente na 1ª parte, quando o Benfica defendia com mais gente, faltou saber reagir ao adiantar da linha defensiva quando traziam bola para o corredor central, ou entrar em profundidade para arrastar e/ou criar dúvida nos defesas encarnados, com os jogadores canarinhos algo distantes entre si para poderem combinar, e também  algumas más decisões quer do portador da bola quer dos companheiros mais próximos.

Por outro lado, quando a linha defensiva do Benfica estava mais adiantada, o Estoril foi capaz de aproveitar o espaço nas costas, nomeadamente através das diagonais de Luís Leal e Licá, causando problemas aos encarnados