sábado, 8 de junho de 2013

Bélgica vs Sérvia - Posicionamento Em Cruzamento E O Primeiro Golo Belga



Desde cedo que no primeiro belga, aquele que viria a ser o marcador do golo, Kevin de Bruyne, aparecia em condições favoráveis para finalizar. Tal situação pode ser considerada atípica, ainda para mais quando a Sérvia tinha 9 jogadores próximos da sua grande área.

Primeira nota para o mérito da Bélgica. Primeiro Fellaini a criar dúvida e a obrigar Subotic a abandonar a sua posição, depois e nomeadamente, Benteke. Ao posicionar-se entre o central e lateral, obrigou este último a assumir uma posição muito central libertando De Bruyne.

Quando Milivojevic saiu para realizar a contenção ao lateral Vertonghen, a Sérvia tinha 3 jogadores a proteger o corredor central, à entrada da sua grande área. Ainda assim, os dois médios permaneceram estáticos, e foi o central Subotic quem saiu à desmarcação de ruptura entre central e lateral de Fellaini. Ao tomar esta decisão,  Subotic fez com que existisse uma situação de 2 para 2 nas suas costas.

Com Subotic fora do cruzamento, seria possível que um dos médios baixasse, fazendo com que o lateral Kolarov não assumisse um posicionamento tão interior no cruzamento, ou que o extremo baixasse para compensar Kolarov que estava muito por dentro. Nada disto aconteceu, e De Bruyne solto fez o golo

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Hamburgo vs Eintracht Frankfurt - O Espaço Entre Linhas


O jogo foi realizado em Fevereiro, mas vale a pena observar a forma como o Hamburgo atacou, e nomeadamente como tentou entrar no bloco defensivo do Eintracht Frankfurt.

O Hamburgo, em 4x4x2 losango, colocou sempre, e desde fases bastantes precoces da construção bastantes jogadores, no corredor central, entre a linha defensiva e média do Eintracht de Frankfurt, que sem bola apresentou-se em 4x4x2, com os avançados a tentarem impedir o jogo nas suas costas, no corredor central.

É praticamente unânime, a importância que a exploração do espaço entre as linhas média e defensiva tem no desenvolvimento, e definição de um jogo. E bem. No entanto, o Hamburgo acabou por exacerbar a sua presença neste espaço dificultando a fluidez da sua circulação de bola.

Com saídas curtas, a equipa da casa fazia baixar o pivô (Badelj) para próximo dos centrais, ainda dentro do seu meio campo, com os laterais projectados, e os restantes 3 médios, mais os dois avançados entre linhas ou a ameaçar explorar profundidade. O interessante, é que apesar (ou devido a) de ter tanta gente entre sectores, o Hamburgo raramente fez a bola passar por esse espaço. Com somente 3 jogadores de frente para a linha média contrária (na maior parte das situações), foi relativamente fácil ao Frankfurt evitar o jogo entre sectores.

Poder-se-à argumentar, que, por vezes a excessiva profundidade concedida pelos médios do Hamburgo, poderia resultar num recuo do Frankfurt, acabando o portador da bola por ter mais espaço para progredir. Sendo verdade, com 5 jogadores permanentemente nesse espaço, o Hamburgo não conseguiu colocar dúvida ao adversário, sendo por isso complicado desequilibrar o adversário.

Mesmo quando a bola entrou no espaço entre sectores, foi difícil continuar a circulação de bola. Com os laterais projectados, e muitas vezes, 4 jogadores entre linhas praticamente alinhados entre si, o portador da bola receber-la  de costas para a baliza adversária, não tinha apoios próximos

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Borussia Dortmund vs Bayern Munique - Controlo da Profundidade e 2ªs Bolas





Na final da Liga dos Campeões, foi visível durante vários períodos, a estratégia do Dortmund em forçar o jogo directo do Bayern, ao condicionar a sua 1ª fase de construção. Com os dois jogadores mais adiantados, Lewandowsi e Reus a impedir que os médios-centro do Bayern recebessem bola em zonas adiantadas, e a linha média dentro do meio-campo contrário, com os extremos a sair à pressão sempre que um lateral recebia bola, conseguiram impedir o jogo curto do adversário.

Neste cenário, assume especial importância quer a 2ª bola, após a 1ªa disputa fruto do jogo directo, quer o controlo do espaço nas costas da linha defensiva do Borussia Dortmund, assim como o consequente espaço entre linhas.

Na 1ª parte, o Dortmund quase sempre mais incisivo na 2ª bola, e a linha defensiva foi controlando o espaço nas suas costas, recuando ou não, tendo em conta quer o espaço que o jogador que efectuava o passe longo tinha (mais espaço, equipa recuava) quer o local onde o passe fosse realizado (mais perto da sua baliza, maior o recuo). Não obstante, o essencial para o sucesso desta estratégia na 1ª parte, foi a enorme disponibilidade dos médios centrais, Gundogan e Bender, para recuar assim que o Bayern jogava longo, sendo elementos preponderantes na conquista da 2ª bola.

Na 2ª parte, não só o Bayern apareceu melhor preparado para esta circunstância, bem como os médios do Dortmund foram incapazes de manter a mesma consistência do primeiro tempo. Foram várias as situações em que o Dortmund se expôs e passou a defender com 4, ou 5 jogadores, perdendo com maior frequência a bola neste tipo de situações. É assim que surgem os dois golos que dão o título de campeão europeu ao Bayern de Muniqu

terça-feira, 14 de maio de 2013

Everton vs West Ham - Coordenação Entre Sectores



No jogo deste fim-de-semana, entre Everton e West Ham ficou patente, algo bastante característico nas equipas inglesas. Quando em bloco baixo, existe uma certa negligencia do espaço entre central e lateral, assim como, na presença à entrada da área. 

É possível que esta forma de defender, tenha origem naquilo que foi tradição em Inglaterra ao longo das últimas décadas. Com bastantes cruzamentos por jogo, é natural que a principal preocupação das equipas passasse por defender estas situações, e a solução encontrada passou pela colocação de centrais (e laterais) altos e bastante recuados que estivessem sempre de frente para a bola.

No video acima, é possível ver como o Everton explora as fragilidades colectivas que esta estratégia pode ter, em sintonia com as dificuldades que o West Ham teve ao longo do jogo, para controlar o ataque toffee 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Benfica vs Estoril - Definição No Último Terço



Ponto prévio, o Benfica vs Estoril de segunda-feira, foi um bom jogo. Muito bem a equipa canarinha a sair para o ataque quando recuperava bola e como contornava a pressão encarnada. Não obstante, todo o mérito do Estoril na sua estratégia (que também engloba naturalmente os aspectos defensivos), faltou capacidade para ultrapassar a linha defensiva adversária no último terço.

Afirmou várias vezes, Jorge Jesus, que as equipas grandes defendem com poucos jogadores. Uma das grandes competências do seu Benfica, é a forma coordenada como a linha defensiva (ainda que sempre com algum auxílio) consegue estancar ataques adversários (curiosamente, uma das equipas que tem sabido contornar este facto, é o adversário deste fim-de-semana, Porto). 

Foram várias as situações que o Estoril conseguiu chegar ao último terço encarnado, fazendo com que a linha defensiva do Benfica recuasse, talvez mais do que seria expectável. No entanto, os canarinhos tiveram dificuldade em entrar na grande área encarnada, acabando algumas das suas acções ofensivas por terminar em remates fora da grande área. O Estoril teve sempre como grande preocupação, dar largura ao seu ataque quando recuperava a bola. Próximo da área do Benfica, foram constantes as conduções de bola para o corredor central, que terminavam em remate, ou mudança para o corredor contrário. No entanto, e nomeadamente na 1ª parte, quando o Benfica defendia com mais gente, faltou saber reagir ao adiantar da linha defensiva quando traziam bola para o corredor central, ou entrar em profundidade para arrastar e/ou criar dúvida nos defesas encarnados, com os jogadores canarinhos algo distantes entre si para poderem combinar, e também  algumas más decisões quer do portador da bola quer dos companheiros mais próximos.

Por outro lado, quando a linha defensiva do Benfica estava mais adiantada, o Estoril foi capaz de aproveitar o espaço nas costas, nomeadamente através das diagonais de Luís Leal e Licá, causando problemas aos encarnados

terça-feira, 30 de abril de 2013

Borussia Dortmund vs Real Madrid




José Mourinho, no final da partida disse, que a grande diferença esteve na intensidade que as duas equipas colocaram em campo. Efectivamente, num jogo onde ambos os conjuntos tentaram explorar o espaço entre linhas,  a capacidade de antecipação e o desarme acabaram por ter um papel importante, sendo que, a intensidade tinha de ser decisiva, e aí o Dortmund foi superior.

Dificuldades iniciais para o Real, nas saídas curtas, e mesmo em contra-ataque, com o Dortmund sempre a controlar, nomeadamente o posicionamento mais à largura de Ronaldo, neste tipo de situação. Melhorou substancialmente na 2ª parte, após a entrada de Benzema e Di Maria. Os madrilenos conseguiram fazer com que a bola circulasse dos corredores laterais para o corredor central (nesses momentos, algo negligenciado pelo Dortmund) causando problemas aos alemães.

O Dortmund muito concentrado, foi sempre bastante intenso. Quer quando perdia a bola, quer quando recuperava, a equipa reagia rapidamente, e com critério. Em transição defensiva o objectivo passava por pressionar o portador da bola, com os extremos disponíveis para fechar dentro. Jogadores ultrapassados rapidamente recuperavam. A atacar muita gente no lado da bola (os dois extremos chegaram a estar no mesmo corredor, algo que vem acontecendo amiúde com Klopp), com laterais projectados no meio-campo adversário, e várias desmarcações cujo principal objectivo era somente arrastar defesas contrários, criando espaço para o colega receber

Dizer que a eliminatória acabou na Alemanha parece manifestamente exagerado. Apesar de toda a qualidade do Dortmund, o principal motivo para um resultado tão desnivelado foi mesmo a intensidade de ambas as equipas (com todas as consequências tácticas que tal traduz, como ilustra o video). Veremos o que acontece, no Santiago Barnabéu, com o Real Madrid no máximo da sua disponibilidade 


sábado, 27 de abril de 2013

Bayern Munique vs Barcelona




Pode parecer paradoxal, mas um dos grandes méritos do Bayern, que venceu 4-0, foi exactamente aquilo que fez quando estava sem bola. Ponto fundamental, a disponibilidade que todos os jogadores demonstraram em defender. Fosse para sair à pressão, fosse para reagir a um passe mais vertical do Barcelona, o Bayern raramente concedeu espaço aos catalães

Na 1ª parte, fantástica a forma como impediu o Barcelona de jogar no seu meio-campo ofensivo, montando uma zona de pressão, no corredor central  (à entrada do seu meio-campo ofensivo) que respondeu muito bem aos recuos de Iniesta e Xavi para receberem bola, os médios do Barça tinham sempre  alguém que saia a pressionar (normalmente Schweinsteiger a Xavi, Javi Martinez a Iniesta), com Gomez e Muller sempre muito próximos da linha média, impedindo passes para as suas costas, e disponíveis para recuar, se algum colega se adiantava a pressionar.  O Barcelona também permitiu este tipo de pressão. Optou por não adiantar muito os laterais, com os extremos permanentemente abertos, concedendo assim à linha média do Bayern que se adiantasse. Situação que corrigiu na 2ª parte.

No 2º tempo, o Bayern nem sempre optou (quer por mérito catalão, quer também pelo desgaste natural) por pressionar tão alto. Ao posicionamento mais interior dos extremos, e consequente adiantamento dos laterais contrários, os alemães responderam com baixar de linhas, com Robben e Ribery preocupados essencialmente em impedir a entrada em ruptura de jogadores vindos de trás, nomeadamente Alba e Alves, e o triângulo do meio campo, Martinez Muller e Schweinsteiger, sempre pronto a bascular criando superioridade numérica nos corredores laterais, impedindo passes para dentro do bloco alemão, assim como a disponibilidade para, quando ultrapassados recuperarem imediatamente posição.

Após o 2º golo (portanto, durante quase toda a segunda parte), o Barça, em alguns momentos, expôs-se bastante. Colocou 4 jogadores em zona de finalização, o que é raro, juntando o adiantamento dos laterais, permitiu ao Bayern de Munique espaço e tempo para lançar contra-ataques. Poucos jogadores atrás da linha da bola, e distantes do local onde foi perdida, fizeram com que os alemães saíssem rápido para o ataque, e permitiu mudança de corredor com facilidade. Apesar do bom comportamento da linha defensiva catalã, encontrava-se demasiado exposta, conseguindo minorar danos.

Não deixou de ser um jogo atípico. Pelo resultado, e tendo em conta a forma como foram conseguidos os golos. Duas bolas paradas, um golo precedido de falta, outro com o Barcelona reduzido a 10 (ainda que momentaneamente). Os méritos do Bayern são muitos, o demérito do catalão terá certamente a sua quota parte, assim como a condição de Messi.