quarta-feira, 17 de abril de 2013

Manchester United vs Manchester City


Em Old Trafford o Manchester City fez, talvez, um dos melhores jogos da sua época. Após alternância de estruturas, onde passou pelo 4x4x2 clássico com muita mobilidade dos avançados, e estruturas que envolviam 3 centrais, recuperou para este jogo, o 4x2x3x1 inicial da época passada.

Bastante consistente quando tinha bola, soube jogar no dentro do bloco do United, sem precipitações, conseguiu criar superioridade  numérica nos corredores laterais facilitando situações de cruzamento, e alternar o corredor de jogo, já no último terço ofensivo (nomeadamente da esquerda para a direita, com Nasri a procurar espaços interiores à esquerda, e do outro lado Milner mais aberto para cruzar). Tevez a receber entre linhas e a definir com poucos toques, os movimentos de alternância de Silva fora e dentro do bloco, as temporizações de Touré, a entregar a bola no momento certo, fizeram com que o City controlasse grande parte da partida em Old Trafford. Dois aspectos mais de "pormenor" não referenciados muitas vezes, mas importantes e que o City mostrou dominar: os timmings de inserção, quer de laterais no ataque, a receber já em zonas adiantadas assim como a inserção no espaço (e definição) no espaço entre linhas, e a capacidade (e preocupação) que os jogadores têm de fixar adversário, soltando a bola no momento certo após conseguirem atrair adversário.

A defender igualmente um jogo bastante interessante. Com coberturas bem definidas, e a preocupação clara com as zonas de finalização frontais (os centrais raramente saíram do corredor central), e o espaço entre central e lateral. Conseguiram por diversas vezes o jogo directo na 1ª fase de construção, reagindo, por norma, bem à verticalização do adversário. Em transição defensiva, uma estratégia arrojada, sempre com  bom controlo da profundidade, apesar de alguma exposição, e a tentativa de pressionar sempre o United (será possível ver no vídeo, Kompany e Nastasic bem dentro do meio campo do MU a impedir a progressão do adversário).

Sendo verdade que o City teve muito mérito, algum demérito para o United. Sectores pouco próximos a defender, espaço entre médio ala e extremo facilitaram a entrada do City no bloco adversário. Apesar da correcção efectuada a este nível na 2ª parte, o City acabou por ter o jogo controlado.




quinta-feira, 11 de abril de 2013

Reading vs Southampton - o 1º golo dos Saints

Vários aspectos a reter no golo de Jay Rodriguez, no último fim-de-semana. Desde logo, a forma como os Saints foram capazes de contornar (e aproveitar) algumas perseguições realizadas pelo adversário. Por outro lado, a definição entrelinhas. Mesmo com espaço para conduzir, opção por jogar a um/dois toques. Notar igualmente, a entrada de Jay Rodriguez no espaço entre linhas, após o recuo de Sean Davis.

Mas talvez o mais interessante, seja o comportamento do lateral Kelly, quando o Gaston Ramires procura espaço interior. O irlandês, acompanha o uruguaio, mas quando este recua até à linha média do Reading, Kelly abandona a perseguição.  




domingo, 7 de abril de 2013

Barcelona vs AC Milan - Como Entrar No Bloco Adversário

É hoje aceite, de forma praticamente unânime, a importância do chamado "espaço entre linhas", nomeadamente a distância entre a linha defensiva e a linha média. Diz-se que esta tem de ser curta, para quem defende, sendo uma das "chaves" para quem ataca  conseguir jogar frequente neste espaço, ou seja, dentro do bloco contrário.

Não obstante a importância do conceito, existe na minha opinião, uma certa obsessão com a chegada a esse espaço. Muitas equipas destinam um, ou mais jogadores, para tentar receber sistematicamente "entre linhas". O jogo acaba por se tornar um pouco previsível e consequentemente mais fácil de anular.

No último Barcelona vs Milan, foi visível como os catalães tentaram explorar esse espaço. Além da reconhecida "paciência", não forçaram a entrada no espaço entre linhas, até porque em várias situações não tinham ninguém nesse espaço. O Barça conseguiu provocar o Milan, fazendo com que no momento do passe para as costas dos médios italianos, a equipa estivesse já em dificuldades. Mais do que "estar" entre médios e defesas adversários, os espanhóis "apareceram" 

Existe também o lado estratégico, próprio deste jogo. Jordi Alba raramente procurou adiantar-se quando a equipa tinha bola. O objectivo passava por "fixar" Boateng, sendo a consequência natural Iniesta aparecer mais à largura e não entre linhas, tendo espaço para combinar com Pedro (extremo desse lado).



quinta-feira, 28 de março de 2013

Tottenham vs Arsenal E O Controlo Da Profundidade

Rio Ferdinand designou, no Twitter, como "suicide football", a forma como a linha defensiva de ambas as equipas permanecia constantemente adiantada. É uma das imagens de marca, do Arsenal de Wenger, mas também várias vezes utilizada por Villas Boas.

A juntar aos dois golos do Tottenham, foram várias as situações de desequilíbrio (ainda que de diferentes formas) provocadas por tentativa de exploração do espaço atrás da última linha defensiva ( "as costas da defesa").

Quer situações em que resultaram de transições ofensivas, quer  em situações onde quem defendia tinha mais gente disponível, e encontrava-se aparentemente mais equilibrado  quase todas têm algo em comum: a falta de pressão, normalmente da linha média, ao portador da bola, o que possibilitou passes de ruptura.

Será visível no video abaixo, como ambas as equipas (e nomeadamente a linha defensiva) expostas, e no último momento reagiram de forma diferente.No Tottenham, mais coordenado, os centrais recuavam tentando acompanhar a desmarcação adversária. Por outro lado, o Arsenal forçou ao máximo o fora de jogo.

(Errata: No minuto 2:17 é em Cazorla que Dembélé está focado, não em Arteta)





terça-feira, 19 de março de 2013

O 2º Golo Do Paços Em Olhão

O 2º golo do Paços de Ferreira em Olhão (ver aqui) é um daqueles lances, em que ao (muito) mérito de quem ataca, se junta (também em consequência da qualidade ofensiva) sucessivas decisões discutíveis por parte de quem defende.

Quando a bola passa da direita para o meio (como ataca o Paços), Rui Duarte sai em pressão ao pivô,  numa situação normal. O extremo do Olhanense mais perto da bola permanece aberto (talvez preocupado com o lateral contrário), mesmo estando a bola no corredor central. 

Quando Luíz Carlos recebe a bola de André Leão (aos 6 segundos no video), já no meio campo adversário e no corredor central, os extremos do Olhanense estão muito abertos e fora da jogada. Restam aos algarvios a linha defensiva e o duplo pivô. 

Com a linha defensiva  subida, um dos jogadores do duplo pivô (Lucas) sai à pressão a Luíz Carlos. O seu colega de sector, ao invés de fornecer a respectiva cobertura, fica fixado em Vítor, que está em zona interior do lado direito (conforme ataca o Paços, vísivel aos 7 segundos). Esta situação irá permitir a Manuel José aparecer no corredor central, com tempo (e espaço) suficiente para jogar de 1ª e devolver a Luíz Carlos num espaço interiro enorme, entre Targino e o duplo pivô.

Uma vez que, Manuel José, apesar de extremo apareceu no corredor central, é o central Nuno Reis que o acompanha quando toca pela 1ª vez na bola. É precisamente nesse espaço que deixa livre na "perseguição" e que a restante linha defensiva do Olhanense não consegue reparar, que Luíz Carlos acabará por fazer a assistência para Manuel José concluir a jogada.  Quando Nuno Reis persegue Manuel José, nem André Micael (o outro central), nem Jander (defesa direito) ajustam posição. Se no caso do lateral é incompreensível, já com Micael, percebe-se na repetição que estava demasiado focado na marcação Cícero. Ao longo de todo o lance é visível a enorme preocupação dos jogadores algarvios com a referência individual.

Apesar de tudo, muito mérito para os pacenses. Souberam quando conduzir bola, ou jogar ao 1º toque. Com espaço entre sectores no adversário não caíram na tentação do transporte, como por vezes acontece até em equipas maiores, sendo que aproveitaram o espaço livre para aparecer, e jogar com poucos toques, já bem dentro do meio campo adversário

segunda-feira, 4 de março de 2013

Bradford vs Swansea - Quando A Vantagem Numérica Não É Suficiente

José Carlos,  comentador Sporttv na final da Taça da Liga Inglesa, disse a propósito do 1º golo dos black swans: "O Bradford deslumbrou-se um pouco, conseguiu chegar perto da área do Swansea, colocou muita gente lá na frente". Como veremos, a afirmação é demasiado fácil, já que, o golo surge numa jogada de contra-ataque. Mas não chega para explicar, como uma equipa que no momento em que perde a bola tem 7 jogadores atrás da linha da bola, e 6 no passe que desequilibra, e permite a condução de Routledge, acaba por permitir um ataque tão rápido do adversário.

É frequente ouvir comentadores e treinadores falarem na importância da "superioridade numérica", nomeadamente quando as equipas se encontram a defender. É, sem dúvida, um factor importante. Não obstante, pode tornar-se insuficiente, quando o adversário continua a ter espaço para jogar (e progredir)

Como será possível ver no video abaixo, o Bradford não se "deslumbrou" propriamente com facto de estar a atacar, mas não preparou da melhor forma o momento em que poderia perder a bola, apesar da quantidade de jogadores envolvidos e que se encontravam atrás da linha da bola.





quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Arsenal vs Bayern Munique

Os 3 golos do Bayern passaram pelo lado direito do seu ataque. O video em baixo analisa as dificuldades que os alemães criaram ao Arsenal no seu corredor esquerdo