quinta-feira, 11 de abril de 2013

Reading vs Southampton - o 1º golo dos Saints

Vários aspectos a reter no golo de Jay Rodriguez, no último fim-de-semana. Desde logo, a forma como os Saints foram capazes de contornar (e aproveitar) algumas perseguições realizadas pelo adversário. Por outro lado, a definição entrelinhas. Mesmo com espaço para conduzir, opção por jogar a um/dois toques. Notar igualmente, a entrada de Jay Rodriguez no espaço entre linhas, após o recuo de Sean Davis.

Mas talvez o mais interessante, seja o comportamento do lateral Kelly, quando o Gaston Ramires procura espaço interior. O irlandês, acompanha o uruguaio, mas quando este recua até à linha média do Reading, Kelly abandona a perseguição.  




domingo, 7 de abril de 2013

Barcelona vs AC Milan - Como Entrar No Bloco Adversário

É hoje aceite, de forma praticamente unânime, a importância do chamado "espaço entre linhas", nomeadamente a distância entre a linha defensiva e a linha média. Diz-se que esta tem de ser curta, para quem defende, sendo uma das "chaves" para quem ataca  conseguir jogar frequente neste espaço, ou seja, dentro do bloco contrário.

Não obstante a importância do conceito, existe na minha opinião, uma certa obsessão com a chegada a esse espaço. Muitas equipas destinam um, ou mais jogadores, para tentar receber sistematicamente "entre linhas". O jogo acaba por se tornar um pouco previsível e consequentemente mais fácil de anular.

No último Barcelona vs Milan, foi visível como os catalães tentaram explorar esse espaço. Além da reconhecida "paciência", não forçaram a entrada no espaço entre linhas, até porque em várias situações não tinham ninguém nesse espaço. O Barça conseguiu provocar o Milan, fazendo com que no momento do passe para as costas dos médios italianos, a equipa estivesse já em dificuldades. Mais do que "estar" entre médios e defesas adversários, os espanhóis "apareceram" 

Existe também o lado estratégico, próprio deste jogo. Jordi Alba raramente procurou adiantar-se quando a equipa tinha bola. O objectivo passava por "fixar" Boateng, sendo a consequência natural Iniesta aparecer mais à largura e não entre linhas, tendo espaço para combinar com Pedro (extremo desse lado).



quinta-feira, 28 de março de 2013

Tottenham vs Arsenal E O Controlo Da Profundidade

Rio Ferdinand designou, no Twitter, como "suicide football", a forma como a linha defensiva de ambas as equipas permanecia constantemente adiantada. É uma das imagens de marca, do Arsenal de Wenger, mas também várias vezes utilizada por Villas Boas.

A juntar aos dois golos do Tottenham, foram várias as situações de desequilíbrio (ainda que de diferentes formas) provocadas por tentativa de exploração do espaço atrás da última linha defensiva ( "as costas da defesa").

Quer situações em que resultaram de transições ofensivas, quer  em situações onde quem defendia tinha mais gente disponível, e encontrava-se aparentemente mais equilibrado  quase todas têm algo em comum: a falta de pressão, normalmente da linha média, ao portador da bola, o que possibilitou passes de ruptura.

Será visível no video abaixo, como ambas as equipas (e nomeadamente a linha defensiva) expostas, e no último momento reagiram de forma diferente.No Tottenham, mais coordenado, os centrais recuavam tentando acompanhar a desmarcação adversária. Por outro lado, o Arsenal forçou ao máximo o fora de jogo.

(Errata: No minuto 2:17 é em Cazorla que Dembélé está focado, não em Arteta)





terça-feira, 19 de março de 2013

O 2º Golo Do Paços Em Olhão

O 2º golo do Paços de Ferreira em Olhão (ver aqui) é um daqueles lances, em que ao (muito) mérito de quem ataca, se junta (também em consequência da qualidade ofensiva) sucessivas decisões discutíveis por parte de quem defende.

Quando a bola passa da direita para o meio (como ataca o Paços), Rui Duarte sai em pressão ao pivô,  numa situação normal. O extremo do Olhanense mais perto da bola permanece aberto (talvez preocupado com o lateral contrário), mesmo estando a bola no corredor central. 

Quando Luíz Carlos recebe a bola de André Leão (aos 6 segundos no video), já no meio campo adversário e no corredor central, os extremos do Olhanense estão muito abertos e fora da jogada. Restam aos algarvios a linha defensiva e o duplo pivô. 

Com a linha defensiva  subida, um dos jogadores do duplo pivô (Lucas) sai à pressão a Luíz Carlos. O seu colega de sector, ao invés de fornecer a respectiva cobertura, fica fixado em Vítor, que está em zona interior do lado direito (conforme ataca o Paços, vísivel aos 7 segundos). Esta situação irá permitir a Manuel José aparecer no corredor central, com tempo (e espaço) suficiente para jogar de 1ª e devolver a Luíz Carlos num espaço interiro enorme, entre Targino e o duplo pivô.

Uma vez que, Manuel José, apesar de extremo apareceu no corredor central, é o central Nuno Reis que o acompanha quando toca pela 1ª vez na bola. É precisamente nesse espaço que deixa livre na "perseguição" e que a restante linha defensiva do Olhanense não consegue reparar, que Luíz Carlos acabará por fazer a assistência para Manuel José concluir a jogada.  Quando Nuno Reis persegue Manuel José, nem André Micael (o outro central), nem Jander (defesa direito) ajustam posição. Se no caso do lateral é incompreensível, já com Micael, percebe-se na repetição que estava demasiado focado na marcação Cícero. Ao longo de todo o lance é visível a enorme preocupação dos jogadores algarvios com a referência individual.

Apesar de tudo, muito mérito para os pacenses. Souberam quando conduzir bola, ou jogar ao 1º toque. Com espaço entre sectores no adversário não caíram na tentação do transporte, como por vezes acontece até em equipas maiores, sendo que aproveitaram o espaço livre para aparecer, e jogar com poucos toques, já bem dentro do meio campo adversário

segunda-feira, 4 de março de 2013

Bradford vs Swansea - Quando A Vantagem Numérica Não É Suficiente

José Carlos,  comentador Sporttv na final da Taça da Liga Inglesa, disse a propósito do 1º golo dos black swans: "O Bradford deslumbrou-se um pouco, conseguiu chegar perto da área do Swansea, colocou muita gente lá na frente". Como veremos, a afirmação é demasiado fácil, já que, o golo surge numa jogada de contra-ataque. Mas não chega para explicar, como uma equipa que no momento em que perde a bola tem 7 jogadores atrás da linha da bola, e 6 no passe que desequilibra, e permite a condução de Routledge, acaba por permitir um ataque tão rápido do adversário.

É frequente ouvir comentadores e treinadores falarem na importância da "superioridade numérica", nomeadamente quando as equipas se encontram a defender. É, sem dúvida, um factor importante. Não obstante, pode tornar-se insuficiente, quando o adversário continua a ter espaço para jogar (e progredir)

Como será possível ver no video abaixo, o Bradford não se "deslumbrou" propriamente com facto de estar a atacar, mas não preparou da melhor forma o momento em que poderia perder a bola, apesar da quantidade de jogadores envolvidos e que se encontravam atrás da linha da bola.





quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Arsenal vs Bayern Munique

Os 3 golos do Bayern passaram pelo lado direito do seu ataque. O video em baixo analisa as dificuldades que os alemães criaram ao Arsenal no seu corredor esquerdo



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

3 Centrais e o Espaço à Frente da Linha Defensiva

Em Itália, várias equipas utilizam estruturas com 3 centrais. Frequentemente, os "exteriores" juntam-se à linha defensiva, criando uma linha final de 5 jogadores.

Boa parte das equipas que opta por esta estrutura, não tem especiais preocupações em colocar dificuldades ao ataque adversário, através de fora de jogo, sentindo-se confortáveis com situações de cruzamento, onde pela linha de 5 jogadores, têm evidentes vantagens.

Ontem, no 1º golo do Viktoria Plzen frente ao Nápoles, é possível verificar o posicionamento a 5 dos últimos homens italianos. Ao contrário do que acontece em outros campeonatos, ao inicial passe para trás do jogador checo, a linha defensiva do napolitana não se adiantou, mas até recuou, acompanhando o movimento dos avançados em zona de finalização. 

Mas o mais interessante neste lance, é a forma como Darida tem espaço para fazer o remate que origina o golo. Não obstante, o posicionamento discutível e alguma displicência de Dzemaili (o jogador que se encontra à entrada da área e vai pressionar Darida muito tarde), é visível o espaço que existe entre a linha defensiva e os restantes elementos da equipa. É aí que o jogador checo aparece para fazer o golo.
Como é visível em Itália, uma linha defensiva de 5 elementos, facilmente torna forte uma equipa em situações de resposta a cruzamento, e dificulta bastante o aproveitamento do espaço quer nas costas da defesa, quer espaços interiores como central e lateral (até porque, equipas que jogam desta forma, normalmente a linha defensiva posiciona-se próxima da sua baliza), no entanto, existe alguma negligência com o espaço à frente da linha defensiva, nomeadamente à entrada da grande área. Talvez por se considerar que uma resposta rápida à 2ª bola é suficiente para dificultar o remate. Como se vê neste golo, nem sempre isso acontece.

Por fim, acrescentar que esta estratégia está também muitas vezes associadas à tentativa de aproveitar o contra-ataque. Com a baliza "guardada" por 5 jogadores, em zonas recuadas, mais dois ou três apoios , e com o consequente adiantamento adversário, existe espaço (e vários atacantes disponíveis) para atacar rapidamente a baliza contrária. Em Itália, o Nápoles com Cavani, Pandev e Hamsík, é um dos expoentes máximos desta estratégia