sábado, 12 de agosto de 2017

A transição do Benfica e a exposição do Braga




O jogo entre Benfica e Braga na quarta-feira ficou marcado pela forma como o Benfica chegou rapidamente à área adversária após recuperar a bola, sendo o primeiro e terceiro golo consequência directa disso mesmo.

Além da competência dos encarnados neste momento do jogo, salta à vista a exposição dos bracarenses que além dos dois avançados colocaram os médios ala (Xadas e Vuckcevic) por dentro e entre linhas fazendo com que no momento da perda de bola estes 4 jogadores rapidamente ficassem fora da jogada, sendo também ao Benfica mais fácil pressionar em superioridade numérica no meio-campo ofensivo. A somar a isto, algumas abordagens duvidosas dos jogadores bracarenses que saíram à pressão quando o melhor parecia ser guardar posição pois a desvantagem era evidente

A capacidade do Benfica em transição começa logo nos elementos da linha defensiva que se revelaram capazes de no momento de interceptar o passe, a um toque, realizarem o passe vertical que colocava a bola dentro do bloco adversário ou até nas costas dos centrais. Neste aspecto, especial destaque para Luisão que contribuiu em muito para os desequilíbrios criados. Seferovic e Jonas mostraram-se disponíveis para receber estes passes e a linha média igualmente rápida a juntar aos dois da frente para dar apoio frontal e seguir jogada. Quase sempre a procurar largura onde podia aparecer Jonas ou Salvio, solicitados no momento certo. Portanto, o Benfica conseguia jogar dentro do bloco adversário com vários jogadores que davam apoio ao portador da bola mas também profundidade.

Aqui o lance que dá origem ao primeiro golo. Pressão a Esgaio em situação de 1x3, bola sobra para Eliseu que de primeira joga em Seferovic entre linhas, apoio de Jonas à largura e desequilíbrio criado. Nota para a exposição do Braga, quando Eliseu toca na bola com espaço não há ninguém próximo para pressionar e já estão 4 jogadores fora do lance, estas são as condições ideais para atacar rapidamente, e sendo este um dos pontos fortes do Benfica, não foi desperdiçado


terça-feira, 8 de agosto de 2017

Lille - organização ofensiva vs Nantes




A chegada de Marcelo Bielsa ao Lille, como seria de esperar, trouxe novidades na forma de jogar. Desde logo, a estrutura muito próxima de um 5x2x3 somente com dois médios, Thiago Mendes como pivô e Benzia a 10 permanentemente entre linhas. A saída de bola curta começou nos 3 centrais, algo surpreendente o posicionamento dos dois alas que não conferiam muita profundidade numa fase inicial da construção até porque a posição inicial dos 2 extremos era por fora. Na imagem é possível ver a disposição referida, já com os laterais um pouco mais projectados devido ao facto de a jogada já contar com variações de corredor que fizeram a linha média do Nantes baixar e a equipa do Lille adiantar-se.




O Lille dominou na primeira parte devido a vários factores, sendo talvez o principal, a paciência que  demonstrou na fase mais precoce da construção. Os centrais assumiram um papel de destaque nesta fase (principalmente Alonso que teve um óptimo critério sobre a esquerda). Colectivamente foram capazes de levar a bola à frente por um dos corredores laterais e voltar para trás. Quando a bola entrava à direita ou à esquerda além do ala e extremo (que nesse momento vinha quase sempre dentro), Benzia ou De Preville davam também aí apoio. Apesar de raramente o Lille progredir aqui, faziam com que a bola fosse por trás e aí  com Benzia a arrastar entre linhas e os alas mais adiantados era dado espaço aos centrais para conduzirem. É o que acontece na imagem acima, ou em alternativa Thiago Mendes (jogo mesmo muito interessante) tinha condições para receber a bola e procurar muitas vezes extremo do lado contrário.

O posicionamento dos extremos inicial dos extremos por fora, não se mantinha sempre. Com a bola no ala, ou existindo espaço interior após variação da esquerda/direita para meio, os extremos procuravam espaço dentro, seja já próximos do corredor central, seja só ligeiramente para não ficarem na mesma linha que os alas. Apesar da estrutura à partida não o predizer estes movimentos foram dando presença ao Lille em zonas interiores. Quando se encontravam ligeiramente por dentro e com os alas à largura, fizeram vários movimentos em profundidade entre central e lateral a pedir bola nas costas da defesa (replicado pelos alas quando eram os extremos a dar largura como no lance que origina o penalty do 2-0).

Apesar de começarem próximos dos centrais a dar largura, os alas chegavam com bastante frequência ao último terço. Seja pelas costas do extremo após variação de flanco surgindo no apoio ou a aparecem quando a equipa atraia no meio e libertava o corredor para cruzamento. Na imagem Benzia conduz com espaço, Araújo vem para dentro e leva lateral ficando Touré com espaço para o 1x1.


Não admira portanto que o Lille tenha chegado essencialmente ao último terço através dos corredores laterais, sendo a ideia procurar boas situações de cruzamento ou condução para dentro se existisse espaço, daí a procura constante pelo passe longo para deixar o extremo/ala em situação de 1x1 com o adversário. Se bem que no caso de ser o extremo a receber rapidamente o ala procurava dar auxílio.

Existiram dois aspectos muito importantes para a circulação do Lille ter a fluidez pretendida. A capacidade dos jogadores em distinguir o momento de conduzir a bola e quando realizar o passe e também a forma como estando de costas para a baliza adversária procurava o apoio frontal, este pormenor também foi importante para variar corredor com maior frequência.

Na segunda parte o Nantes mudou a postura e o Lille apesar dos dois golos bem construídos teve mais dificuldades na construção. Os avançados do Nantes passaram a impedir a linha de passe entre centrais, forçando estes a conduzir ou a jogar para trás, e a linha média apresentou-se mais adiantada e não seguiu tanto os adversários entre linhas, mais compactos também pressionaram quando necessário entre central e ala. Com os jogadores do Nantes mais próximos a condução de bola dos jogadores do Lille não se revelou tão profícua porque passaram a enfrentar situações de inferioridade numérica em oposição aos constantes 1x1 em situações semelhantes da primeira parte.

Em transição o Lille também revelou qualidade também devido à distinção do momento entre passar e conduzir a bola por parte do portador. Procura de espaço interior do lado contrário onde foi ganha a bola, tornando a equipa perigosa com o extremo a aparecer também para desequilibrar.

A oposição do Nantes não terá sido a mais forte que o Lille irá enfrentar este ano mas o domínio foi grande, e pelo menos fica a indicação que será uma equipa muito interessante de seguir este ano.



quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Transição defensiva - preparação e reacção

Quando se fala em transição defensiva o aspecto mais valorizado é a reacção à perda de bola. Concedendo que esse é um factor essencial, acredito que a forma como a equipa está disposta no campo no momento da perda faz toda a diferença assim como a forma como a bola deixa de estar na sua posse, intercepção ou duelo por exemplo.

Actualmente, em Portugal  é mesmo uma grande tendência, ganha cada vez maior preponderância o passe vertical, ou seja, o passe realizado de frente para o bloco adversário solicitando um colega entre as linhas adversárias, é visto como um dos grandes factores para desequilibrar as organizações defensivas. Embora concorde com esta visão, parece-me que existe uma tendência actual para tentar este tipo de situação de forma exagerada. Muitas vezes o passe vertical não resulta essencialmente porque a equipa adversária não está suficientemente desequilibrada, ou seja, permanece compacta e acaba por interceptar o passe ou pressionar imediatamente quem recebe bola, sendo que, há a tentação imediata de procurar o homem entre linhas.

O lance que trago aqui é o golo do Monaco frente ao PSG na Supertaça francesa este fim-de-semana que surge de um contra-ataque após intercepção de passe vertical. A meu ver, o PSG está um pouco desequilibrado no momento da perda mas também há falta de reacção à perda.

A imagem é o momento em que Fabinho intercepta o passe vertical de Motta. Aqui o PSG tem dois jogadores entre linhas, laterais projectados, sendo os quatro jogadores atrás da linha da bola são dois médios e centrais. Quando o Monaco recupera bola, Verratti e Pastore estão à frente da linha da bola. Não há ninguém próximo de Fabinho que fica com espaço para decidir, e de repente, a linha média do Monaco fica mais próxima que a do PSG.



Verratti reage mas não chega a tempo de condicionar Fabinho. Pastore não é rápido a baixar e é o suficiente para o outro médio do Mónaco Tielemans ser apoio frontal com espaço de avançado que recebe de costas e fazer a assistência. Certamente que Rabiot poderia ter fechado o espaço interior entre si e o central para impedir passe na profundidade, mas a imagem que fica é a exposição do PSG nesta situação caso o passe vertical não entrasse







quarta-feira, 2 de agosto de 2017

FC Porto - primeiras notas ofensivas

O Porto tem impressionado nos jogos amigáveis, há mudanças notórias em relação ao passado recente e os adeptos estão, legitimamente, optimistas. 

Ofensivamente Sérgio Conceição estruturou a equipa em 4x4x2 com os dois alas a começarem por dentro quando a equipa constrói. Oliver e Danilo muito próximos dos centrais, iniciam o posicionamento fora do bloco adversário, nomeadamente Danilo, podendo adiantar-se à medida que a jogada decorre, e os dois laterais bastante projectados são quem dá largura na maioria das acções ofensivas.

O treinador já disse que o objectivo é chegar rapidamente à baliza adversária. Para isso o jogo do Porto parece passar por constantes mudanças de corredor essencialmente por fora do bloco adversário, utilizando os dois médios e centrais para atingir esse objectivo. Também os alas, Brahimi e Corona, podem recuar pontualmente para junto de Oliver e Danilo. Sendo que, os avançados conferem profundidade arrastando a linha defensiva numa fase inicial mas podem depois baixar para serem apoios frontais no meio, ou apoio ao jogador que se encontra a dar largura descaindo para a alas. Outro movimento interessante é o jogador com bola que após fazer passe se desloca para a frente levando adversário, permitindo ao apoio por trás receber bola tranquilamente.

O posicionamento de Brahimi e Corona a começarem dentro e profundos, bem como de Aboubakar e Soares, tem como efeito o facto de os 4 jogadores de trás terem mais espaço para circularem a bola e variarem corredor. Se a bola entra no lateral o ala desse lado pode abrir em profundidade ou se colega precisar de apoio permanecer próximo entre linhas. O argelino quando a bola se encontra na direita pode permanecer aberto para receber bola e procurar o desequilíbrio em condução

O Porto aposta bastante em situações de cruzamento. Coloca muita gente no corredor central e zonas interiores, o que faz com que o adversário feche o meio (foi assim pelo menos no jogo com o Depor) e exista espaço nos corredores laterais para explorar. O Porto chega a cruzamento após várias variações de flanco, tendo os médios, nomeadamente Oliver, um papel de grande destaque. É o espanhol que com a bola à direita surge como apoio por trás e procura lateral do lado contrário que vai aparecer já no último terço, e sem grande surpresa, e com o espanhol que o jogo colectivo atinge uma dimensão mais elevada.

Pese embora em algumas ocasiões a equipa ter 4 jogadores entre linhas (avançados e alas) contando até com a inserção de um dos médios, a prioridade parece ser ter jogadores por trás que garantam a variação de flanco para posterior cruzamento. Os quatro de trás tentaram alguns passes entre linhas mas sem grande sucesso (situação que naturalmente poderá ser revista). No entanto, pelos motivos enunciados anteriormente o jogo entre linhas no último terço não foi muito utilizado.

Pelo menos nesta pré-época o Porto conseguiu chegar à área adversária com 3/4 jogadores e não sofrer em transição defensiva, pelo contrário, este foi o momento em que foi visível a capacidade de a espaços remeter o adversário à sua área (o primeiro e segundo golos são consequência de recuperações de bola bem dentro do meio-campo do Depor). Se é verdade que Filipe e Marcano atrás estão preparados para avançar no terreno para impedir contra-ataque, bem como a reacção à perda de bola dos colegas é muito interessante, posicionalmente o Porto nem sempre parece estar nas melhores condições dado o avanço de muitos jogadores existindo algum espaço no corredor central passível de ser aproveitado.

Sérgio Conceição disse que faltava à equipa descansar com bola porque, acrescento eu, existiu alguma precipitação em vários momentos na primeira parte. Falta também ver como será quando o adversário condicionar mais a acção dos 4 jogadores que atrás começam a construção da equipa ou quando o jogo exigir alguma redundância na circulação da bola. Neste sentido o jogo com o Estoril poderá ser muito interessante de seguir

No entanto, quer pelas dinâmicas quer pela capacidade demonstrada em transição defensiva que lhe permite passar muito tempo no meio-campo adversário acredito que o Porto será mais dominante que no ano anterior e com mais soluções para fazer frente a adversários que irão jogar com o bloco mais baixo.



domingo, 23 de julho de 2017

Manchester City - construção vertical. Causas e consequências

Na época passada um dos movimentos mais característicos do Manchester City passava pelo recuo de Aguero para o espaço entre linhas servindo de apoio frontal, de costas para a baliza adversária, como suporte ao passe vertical proveniente normalmente dos centrais ou médio defensivo.

A situação voltou a repetir-se no primeiro jogo da pré-época diante do Manchester United. O curioso é perceber como a equipa está toda preparada essa situação e  os movimentos estão ligados para Aguero ter espaço para receber bola e os colegas lhe conferirem linha de passe quando a tem.

Aqui o principal destaque vai para o papel dos dois interiores (neste jogo na primeira parte De Bruyne e a promessa Foden). Numa das situações mais frequentes em termos de construção, os laterais ficam praticamente paralelos aos centrais + o pivô com os interiores a darem bastante profundidade, existindo uma dupla consequência, faz com que a linha média adversária tenha tendência para recuar conferindo assim espaço para a saída curta e permite, em teoria, aos médios estarem mais perto de Aguero (ou do avançado) para receberem a bola. 

Na imagem com a bola no central que tem espaço para conduzir é possível ver De Bruyne a abrir, Pogba a perseguir deixando espaço para Aguero baixar. Neste caso será Yaya Toure o apoio frontal.



Importante também o posicionamento dos extremos. Preferencialmente abertos conseguem fixar os laterais com a linha defensiva estendida à largura, o que também acaba por facilitar o passe vertical.

Quanto à eficiência deste tipo de construção no jogo com o United, a verdade é que nem sempre os citizens foram capazes de esperar pelo momento certo para procurarem o passe vertical, que também surgiu quando as hipóteses de sucesso eram diminutas, nomeadamente não tendo ainda desequilibrado o suficiente o adversário, nestas situações o United ainda se encontrava compacto e acabou por controlar alguns lances recorrendo sempre à perseguição a Aguero por parte de um central. Aqui o City foi mais eficaz quando conseguiu atrair a zonas baixas mais adversários.

Esta parece ser uma solução interessante e a ser utilizada contra equipas que procuram acompanhar os médios em marcação individual. No entanto, ao tornar o jogo declaradamente mais vertical o City corre o risco de perder fluidez e consistência na posse. 

Para o futuro da equipa fica a incógnita. Esta forma de construir faz com que os laterais não se adiantem muito e possam até juntar-se ao médio defensivo, chegou a acontecer neste jogo, e disfarce a falta de médios cuja principal característica é pautar o jogo de frente para o bloco adversário (a excepção será Gundogan). No entanto, com a contratação de Walker, Danilo, Mendy, laterais muito ofensivos, e Bernardo Silva, que se notabilizou a jogar de fora para dentro no Mónaco, fica a curiosidade para  entender como Guardiola irá estruturar e montar a equipa para este ano.

No futuro, e a manter-se este tipo de construção, voltarei ao tema para explorar de forma mais aprofundada o posicionamento do pivô, que também influencia o espaço que os centrais têm para conduzir, e como decorre o jogo do City depois de a bola chegar ao jogador que recebe o passe de Aguero. Neste jogo boa parte dos problemas também se deram aí.











domingo, 16 de julho de 2017

Benfica - qualidade individual e comportamento defensivo vs Young Boys




Nos últimos dois anos o comportamento defensivo do Benfica foi amplamente elogiado, sendo inclusive comparado ao Milan de Sacchi. De forma muito resumida e principalmente frente a equipas com qualidade individual os encarnados optaram por apresentar duas linhas de 4 mais os dois avançados, a linha defensiva começava alta muito próxima da linha média baixando somente quando existia ameaça de colocação de bola nas costas por parte do adversário, não descartando a hipótese de jogar com o fora-de-jogo. Quando se sentia confortável no jogo o Benfica, e fruto de zonas de pressão bem definidas e de um bloco muito compacto, anulou o jogo entre linhas do adversário e com uma linha média + avançados bem articulada tornou raras as vezes que o adversário conseguiu explorar o espaço na profundidade.

No jogo de ontem o Benfica não foi capaz de apresentar alguns dos comportamentos tão elogiados nos últimos tempos nomeadamente no comportamento da linha defensiva, e na minha opinião, tal se deve em primeiro lugar à falta de qualidade individual evidenciada. Não colocando em causa a evolução que os jogadores poderão ainda revelar, foram evidentes o acumular de erros.

O Benfica é conhecido pelo comportamento da linha defensiva. Dada a forma como a equipa joga o controlo do espaço nas costas é fundamental bem como a resposta aos cruzamentos e aqui começaram os problemas de ontem. Por um lado, a linha média, com destaque para Filipe Augusto, não foi capaz de encurtar espaço e pressionar o portador da bola para impedir os suiços de colocarem a bola nas costas da defesa subida (1º e 2º golos). No primeiro golo do Young Boys Lisandro falha a intercepção relativamente fácil (erro individual) e a linha de médios não recua para ajudar A. Almeida e facilita finalização ao adversário, no quinto golo é Pedro Pereira que não intercepta a bola em boas condições para o fazer e Chrien não baixa com para junto da linha defensiva o suficiente. 

O segundo golo surge de uma bola nas costas da linha defensiva que não baixa quando exposta à profundidade com a bola a entrar entre Jardel e André Almeida que não fechou espaço interior, os jogadores parecem confiar no fora-de-jogo e nem Pedro Pereira, homem mais próximo, acompanha a desmarcação de Sulejmani que fica isolado frente a Varela.

Nota para o 4º golo do Young Boys. Com o Benfica a pressionar alto no corredor lateral, os dois médios centro adiantaram-se para dar cobertura ao extremo ficando um espaço considerável entre linhas. O lateral jo Young Boys jogou longo e Kalaica ganhou a primeira bola mas a segunda foi dos suiços com Pedro Pereira  a ficar fora do lance.

As ausências do Benfica neste jogo atenuariam estes problemas (Luisão, Eliseu e Grimaldo) mas as vendas de Semedo e Lindelof talvez tenham de ser colmatadas. Para já, jogadores como Hermes e Pedro Pereira bem como Lisandro parecem ainda precisar de tempo para chegarem ao nível elevado dos seus antecessores

sábado, 15 de julho de 2017

Sporting e transição defensiva - o 2º golo do Valência

No post anterior refiro alguns aspectos que têm marcado os jogos amigáveis do Sporting neste inicio de época, nomeadamente  os interiores muito por dentro e alguma falta de coordenação dos dois jogadores a alinhar no meio-campo.

O 2º golo do Valência surge após Mathieu perder a bola no meio-campo dos espanhóis mas vale a pena perceber o enquadramento de todo o lance que começa com Bruno Fernandes a baixar para ter bola sobre a esquerda do ataque. Neste momento Iuri Medeiros, ala, já está entre linhas e Bas Dost recua com Doumbia a ameaçar ir na profundidade procurando as costas da linha defensiva. Fábio Coentrão baixo acaba por ser a linha de passe utilizada e neste momento Iuri faz diagonal para fora. Nota para o Valência que com duas linhas de 4 compactas e alto + os dois avançados consegue controlar o lance.



O Sporting acaba por rodar o jogo por trás até à direita onde é o lateral que recebe. Deste lado, Podence (ligeiramente por dentro), Dost e Doumbia procuram profundidade os três que é controlada pela linha defensiva valenciana. Jogo volta aos centrais




No momento em que a bola volta à esquerda e Mathieu inicia a condução de bola as duas linhas de 4 do Valência estão muito juntas, também pelo profundidade dada anteriormente pelo Sporting, que fez os espanhóis recuar e pelo posicionamento dentro e adiantado de Iuri. É isto que permite ao francês ter espaço para levar a bola. Os problemas começam aqui. Rodrigo, avançado do Valência impede com a orientação do corpo a mudança de corredor e Mathieu prefere não travar condução antes de ser encurralado. Bruno Fernandes também não é rápido a dar linha de passe quando o francês começa a conduzir bola assumindo, talvez, que este iria continuar a progressão.





Mathieu continua a conduzir e é possível verificar uma desvantagem numérica e espacial. E aqui, no meu entendimento é também visível o principal paradoxo do jogo sportinguista no momento. Apesar de ter constante presença entre linhas, tem dificuldade em jogar dentro do bloco adversário principalmente quando este é compacto (Valência e Belenenses). Mathieu tenta o passe entre linhas mas Iuri está rodeado de 4 jogadores. Os dois avançados ocupam uma posição à mesma altura que o português e o passe é naturalmente interceptado



Após a perda de bola o posicionamento dos dois médios que estão muito próximos à profundidade e saem ambos na pressão a Rodrigo deixando um espaço enorme no meio passível de ser aproveitado, permitem à equipa do Valência chegar à área do Sporting rapidamente.



Tal como contra o Belenenses na semana passada, neste jogo o posicionamento ofensivo do Sporting levou a que o adversário fechasse o corredor central sendo complicado aos leões fazerem a bola chegar a esse espaço com bola. Para jogar entre linhas com maior frequência frente a equipas que fecham bem o meio é importante criar vários engodos e desorganizar o adversário. Por outro lado, como foi visível no lance aqui apresentado, com os jogadores muito profundos e passe vertical a solicitar entre linhas em caso de intercepção a equipa pode ficar desequilibrada pois no momento da perda de bola uma quantidade assinalável de jogadores poderá ficar à frente da linha da bola expondo a linha defensiva obrigando-a a baixar